Golpe baixo

alissa_salls-764x1024

“Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora”.

Rainer Maria Rilke

Vamos começar de trás para frente? E viveram felizes para sempre, minha princesa. Parece meio louco, né? Mas…

O último passo até a tal felicidade, Arturzinho, um hábito simples como tomar medicamentos pela manhã. E o café solúvel na xícara. O bolo de cenoura com calda de chocolate e água gelada. Abrir a janela e renovar nossa fé no divino. Pagar as contas, ir todo dia ao mercadinho, fazer dieta, tirar férias, se achar velho, catar um inocente, sonhar, sonhar grande, ter paixão. Quer coisa mais maluca que se apaixonar por você de repente? Esse mundo que te puxa para baixo, toda essa violência e fofoca e portas fechadas e tapa na cara para mostrar quem é que manda e esse milhão de não. Não! Minha geração tombamento, sabia? As pessoas que se cuidem.

Que tomem banho e, por favor, lavem bem essa vida. Tão doida bicha? Eu sou esquizofrênico. Não colori. Como podem? Elas precisam desesperadamente de um horário na agenda ocupada da minha psiquiatra. E tomar um haldol, sei lá. Tomar um juízo. Tomar remédio e fazer o bem só seguir a receita médica até o fim. Gota a gota. Cálice a Cálice. Chico a Chico. Até se curar.

E o Rei Artur tomou seu banho de sol pela manhã no quintal dos fundos do castelo da família na Morada do Sol. E o telefone tocou notícia boa.

Deveríamos agradecer felizes por ter café na mesa e o sol com a janela aberta para um dia que vai ser lindo, disse o rei. E ouvir conselho dos pais, a bronca da vovó, gostar de dias nublados, acreditar na beleza natural das coisas, ser do Rock’n’ Roll, do desenrolo, do batidão, ouvir música também, dançar e cantar protestando, soltar o botão da jaqueta, rasgar do velcro, escrever em vermelho. Depois de pensar. Pensar em quem “eu levaria para uma ilha deserta”. Deserta de quê?

Toda vez que eu penso numa ilha, num planeta novo, num lugar imaginário, eu penso em levar você e o jatinho. Sete bilhões de pessoas e você é a majestade mais adorada e mais especial do planeta. E você tem essa decisão, riqueza: Quem convidar? Deus me disse: Artur, reserve lugar para a beleza. Eu olhei para você e para o seu pai cri cri. O que eu colocaria na mochila, eu sempre sei. Com certeza, café, carinho de mãe, coragem e o meu medicamento mais forte. E a volta por cima, gata. Seu pai é doido, meu bem, mas não tolo. Filha, conquiste o topo. E era uma vez.

foto Alissa Salls

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s