A senhora das ervas

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“Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses”.

(Fernando Pessoa)

Para ser bem-vindo no céu, você só precisa tratar com gentileza essas figuras na noite: A negona que toma cachaça. Saravá. Aí eu pedi dois copos. Abracei a dunda daquele jeito gostoso sentindo o calor do seu corpo. O cara nerdizão que tem mil projetos, mas nunca uma bala na cara. Três copos. Peraí, somos quantos? A menina esquisita do cabelo colorido que se cansou de ser só princesa. Fez faculdade, conheceu os States, comprou uma casa. É dona da vida. E a bicha. A preta, o verme, a bruxa e a bicha. A bicha brava, não a burra.

E eu sou bem gay. Comemoro a condição. Exagero na beleza das coisas mesmo. E acredito ser mais original. Amo o que é original e bonito. O sol, música boa, seu amor por mim, poesia. Eu disfarço com afinco e quero gritar: Sinto sua falta. Eu amo você. Eu amo minha sogra. Eu amo o destino que escolheu. Sua implicância, seu ciúme. Sua tristeza de araque. Quer ficar comigo? Está aqui meu currículo: Eu sou da rua. Eu sou o resto do lixo. Unha pintada, calça preta, camisa preta. Cueca negra toda babada. É grife. E me animo só de falar seu nome.

E vejo você passando. Quero te abraçar. Garçom! Uma dose suicida, por favor. Deixe-me morrer. Deixe-me morrer nessa merda. Ser humano por que falhamos? Sejamos profissionais no amor também. Alguém aqui da plateia sabe… estamos na Terra né? É que eu sou de outro planeta. Eu sou de uma civilização mais gentil. Uma espécie nobre que saúda o sol a chuva a lua. E diz bom dia quando abre a janela. E eu sou feito da elegância.

Eu sou do campo das ideias. Não tenho necessidade de sinal vermelho. Eu avanço. Eu penso para frente. Eu vivo na direção do fim da estrada. Eu aplaudo o vento e o desastre. E a ventania que molha as mesas do botequim. Preciso ir. Está tarde. Mudar o cenário da tristeza. Trocar esse endereço da fossa. Algumas adversidades precisam ser sublimadas. Morreu? Acabou? A dor vai passar. Bola para frente.

E na Praça do Zumbi. Eu vi você. Eu abracei você. E dançamos de novo.

foto: Jourdan Copeland

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