VÍR#S A_Z

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Você disse que não me queria mais. Tentei chorar por dois minutos. Telefone tocou. Era a trava. Ela disse alto: Que qui qué veado? Sofrendo de camisola. Nada mais gay que dormir de pijama no Brasil. Esse calor e as malas tudo balançando na Vila Isabel. Bicha levanta. Fica excitado. Depressão não grava as necas. Tristeza não beija na boca. Vem veado. O décimo terceiro dos bofes saiu. Estou fazendo na bandeira dois na Coréia. Vem. Estou no Palmital. Mesmo bar. As malas tudo balançando. E ninguém está triste.

A Vila Isabel, eu não sei, tem feitiço. Gente bonita, gente brava, princesas, ralé. Tem a molecada, tem novinha, cacuzada. A Vila tem samba, tem forró, tem funk. A Vila é rock’n’roll. E sempre tem nova possibilidade de amar. Não sei. Desde o dia que você me abandonou, eu tenho me divertido tanto.

Tomei um banho rápido, cueca, short, camiseta rasgada, oxó de neca, aqué. Virei um copo de água. Terminei com a garrafa de vinho. Dentes escovados, perfume no pescoço, alma renovada. Qual é? Rua M, Rua A, Praça do Zumbi. Paradinha. A bicha gritou de longe. Atravessou a rua correndo de salto altíssimo. Me abraçou e me deu um beijo escandaloso. Depois disse: Quero te apresentar um negão que cura até enxaqueca.

Ok. Primeiro quero um copo. Quero cerveja, conhaque, cachaça, outro vinho. Eu quero me descabelar. Ferver. Eu quero ver paixão nas pessoas. Eu gosto do babado forte. De gargalhadas e piadas. Papo cabeça. Ideias novas. Eu gosto de gente que me faz querer bem perto. Eu gosto de sentir emoção. Gente que não acrescenta nada além de mais tédio, só serve para dar bom dia e se despedir. Ser humano é para sentir tesão.

E brindamos esperando o negro inspiração chegar. Você sabe que está em boa companhia quando cancela todos os seus compromissos, desliga o celular e esquece do tempo. E numa fofoca entre um conhaque e cerveja, ele chegou. Camiseta amarela e short curto. Não vi o que usava nos pés. Meu coração disparou. Era ele.

As batidas no peito aconselhavam: Coragem, meu amigo. A paixão também pede coragem. O medo do ridículo é o mais infame dos pesadelos. E ele era lindo. Uma perfeição.

foto: alecia-morais

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