U-HU A_Z

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Ui. Aquilo era uma bicha de boate ao dizer alto uma frase tipicamente homofóbica. A estupidez mais repetida de todos os tempos: Veado não pode dar pinta. Eu olhei bem para ele abrindo um sorriso largo. Tinha uma Nicki Minaj se manifestando naquele corpo saborosamente trabalhado na academia e, com toda certeza, em horas de corrida na Avenida Beira Rio para depois voltar para casa de moto ou de carro. Ai não. O terror do vazio nessa sociedade ostentação. Eu fiz de tudo (comprei tudo). Ninguém mim ama. Ninguém mim quer. Vou tirar uma selfie pornô e postar no instagram com  a hashtag #JesusSalva. E eu, na nossa mesa rindo. A nossa mesa era só gargalhada. Lembra? Nenhum smartphone.

Duas rachas babadeiras. Três entidades. Um artista. Artista não tem sexo. Éramos felizes? Quem se importa? Mania feia dar crédito a conceitos velhos sobre felicidade. O importante é ser feliz? Joga essa praga para lá, menino. Vira e mexe eu gosto de curtir uma fossa. O fundo do poço. Enfrentar o diabo e comer o pão. Depois me curar. Nem sempre as coisas vingam, meu bem. Nem sempre. O tudo vai dar certo inclui o fracasso também. Um dia é da caça, a noite, das bichas. Se fosse perfeição, leões seriam obesos. Todo rei se fortalece com a seca.

Vamos beber. Celebrar. Garçom gatinho mais uma oti litrão e outra dose de marafo brabo pras irmãs finas. Estufa o peito. Tira a roupa. Gente que não se diverte e não se liberta nunca é digna de confiança. Deseje que no fundo do poço você tire seu pé da vaca. Ops! Jaca. Pedi outra dose. Pedi? Me confundi. Eu te olhava o tempo todo perdido. Eu sabia até a cor da marca da sua cueca.

Muito natural ter interesse no comportamento das pessoas. Eu tenho observado gente cada vez mais abatida e preguiçosa. Nada mais deselegante que tratar as pessoas como se você estivesse no sofá da sua sala vendo televisão. Eu não sou visita. Trate-me com a máxima competência. Sorria. Mostre educação. E traga minha bebida e a conta, por favor.

O verão é cruel. Três Rios. Centrão. 35 graus. Bares lotados. Metade das mesas era negra. Outra metade nem vi. Pessoas invisíveis? Eu penso nessa gente que não produz além do que a empresa pede. A vida delas é boa o suficiente? Qual grau de satisfação de gente que só obedece?

E eu esperando meu coquetel. Todos os homens suados e sem camisa.

Quer ir embora, Artur?

Hã? Outra cerveja? Claro. A gente pega o próximo ônibus. Quero ir para casa de cometa.

foto: luca-fixy

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