TEMPO-TEMPO-TEMP#-TEMPO A_Z

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Tudo bem. Eu me entrego, mas uma coisa óbvia que eu não entendo é o seu ódio. Tão claro! Não entendo. Qual é a vantagem em odiar? Eu sinto tédio. Eu sinto-me deslocado. Eu me sinto estranho. Esquisito. Eu me sinto um lixo. E foi isso. Exatamente isso que você me chamou quando apontou o dedo na minha cara dizendo, cuspindo, que ia me matar.

Ok. Pode me matar. Descarta-me. Eu sou o seu lixo, meu amor. E aceito a condição. Meu nome é lixo. Eu sou a camisinha no chão lotada de esperma. Eu sou essas latas, o copo descartável com o resto da cachaça. O fragrante, a cápsula, os canudos, as cinzas. Mata. Mata logo. Junta tudo num saco só. Mata. Amor, me mata. Qual é a graça de viver?

Você se tornará mais um neguinho criminoso comum e vulgar. Cheio de ódio. Você vai ser mais um na estatística. Preto tem mesmo que cagar na saída? Caga no meio imbecil. Caga aqui no meu peito. Faz uma merda de uma vez. Apaga do vocabulário o meu amor por você. Amor grande amor. Enorme que até machuca. Apaga. Morrer será melhor do que sempre gostar do lado mais escuro da vida.

Eu sou rico. Na minha cabeça, eu sou rico. Eu tenho pensamentos milionários, logo sou rico. Não me adapto à mixarias. E me recuso a ser como você. Eu não dou conta nem de ser eu. Quem sou eu? Por favor, Deus, onde eu me encaixo nessa depressão toda? Qual é o meu lugar? Não. Clínica de novo não! Prisão me apavora. Assim como correntes, muros, tapa na cara para mostrar quem é que manda, cercas. Adoro estrada. Adoro sair. Adoro a saída. Onde fica? Quer dizer… Quando você vem me visitar, foda-se tudo. Tranca a porta, eu abro as pernas, eu te chupo. Eu te como todo. Eu te devoro. Eu me encontro. Eu sou completo.

Vive-se melhor sorrindo. Até os personagens mais patéticos são mais interessantes na comédia. Eu sou seu zero à esquerda. Artur Ninguém? Sim. Que bom! Eu sou todas as piadas da face da terra. Eu sou o palavrão no humor negro. Ri. Ri de mim. Quer que eu faço o palhaço? O papagaio, a loira burra, a bichinha, mulher monga? Quer uma torta? Eu tenho diploma. Mestrado em cute cute cute da sacanagem. Na arte do deboche, atingi a perfeição. Que que qué vim-nha-do? Debocha de mim. Eu sou bonito e top model e ator pornô. Te fazer feliz é sempre um prazer para mim. Prazer: língua engraçada! Onde é eu que estava com a minha mesmo? Mim disseram que foi na sua bunda. Mim não conjuga verbo filho de uma égua. Matou a aula de português também? Matou esse clima bom. Matou o sol. Matou nosso amor. Putz. Quanta burrice!

Fazer questão de cocaína, meu bem? Se ainda fosse um milk shake. Eu já vi gente mais desesperada. Conheço um fulaninho safadinho que só dá o rabo quando fuma um. Já acorda apertando um baseado. Bobagem ficar em conflito. Me beija, me abraça forte. Me joga na parede. Me chama de cachorra. Finge que eu sou virgem. Assustado. Indefeso. Tudo piscando. Tudo em alerta. Cheio de desejo e medo. Quero fingir que esse roxo no meu olho é uma cor nova de maquiagem. Faz parte do meu show, né, meu amor? Eu prefiro acreditar no extraordinário. No impossível. A bondade vai vencer um dia. Haverá beleza no mundo e helicóptero para todos.

foto: rafael-valentino

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