QUERER A_Z

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Quando o sol bater na janela do seu quarto, bicha

 

Liga para mim. Quem diz que viver é injusto não conhece o Cariri. Sentado com os pés na água do dono das sereias, Sr. Rio Paraibuna. Debaixo de uma árvore. Tomando cachaça, fumando uma vela com um negão motoqueiro da Rua Direita mordendo com frequência meu pescoço e orelha. Nunca senti tanta sede de você. Tempo nublado perfeito. Nem frio nem calor nem resfriado nem falta de ar. Até ventava de leve.

 

 

Viver pede urgência.  Eu sei.  Eu peço calma. Eu gosto de respirar. Eu paquerei o cardápio de giz e pedi um conhaque. Um conhaque e uma cerveja.  E um cigarro. E fósforo.  E água mineral. Estava de saída. Minha estrada precisava de uma faxina. Alguém para tirar a poeira da máquina. Para que escolher um? Um amor? Uma onda? Uma bebida? Um fogo no rabo? Não me decido nem com qual sandália eu vou ao ziriguididum que me convidaram. Ainda estou em Paris. Meu Deus! Cada caminhar é um salto alto. Eu sou uma centopeia e desejo a sapataria por completo. Eu quero o que ainda nem lançou.

Eu quero: Nada. Mais nada, por favor.

Aquele que diz que a vida é cruel está contaminado. Tomar banho no Rio Paraibuna cura tudo, ouviu? Mulher, tá ligada? Acorda! Acorda pois a felicidade bate na porta. A vontade chama. Pior que verão. Negão motoqueiro e eu e cachaça e o desânimo  se escondendo. Ele disse bem pertinho: A questão é papo, ideia, desenrolo. Quer uma coisa é só falar e saber para quem perguntar onde tem. Depois é só dá seus pulos. Alcançar. Por exemplo: Me dá um cigarro?

Eu respondi: Eu não fumo. Esqueceu?

Pois é. Eu sei que tem um bar aqui por perto. Temos umas moedas na minha bolsa e eu tenho dois capacetes e moto. Quer ir comigo?

E o que eu não quero? Não fale alto, por favor. Não fuja. Tenha bom senso. Prefiro apostar nas minhas maiores urgências. Eu quero um beijo seu. Isso eu sei. E eu amarei o que vier depois. Quero envelhecer assim. Sorrindo e cachaça e música e você. E eu me levantei. Coloquei minha camiseta no ombro. Elevei a garrafa e dei um enorme gole fazendo uma ligeira cara feia. Em terra de cobra é preciso tomar o antidoto antes. Talvez eu queira um sorvete.

Quer sorvete de quê? Ele perguntou.

Quero sabor de um monte de coisa misturada. Quero um sorvete de bruxa.

foto: jackson hale

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