Piranha, a princesa encantada

“O ódio, tal como o amor, alimenta-se com as menores coisas, tudo lhe cai bem. Assim como a pessoa amada não pode fazer nenhum mal, a pessoa odiada não pode fazer nenhum bem”. (Honoré de Balzac)

“O ódio revela muita coisa que permanece oculta ao amor. Lembra-te disso e não desprezes a censura dos inimigos”. (Leonardo da Vinci)

“O que te mata desse ai que ódio de você é o seu amor por mim”. (Milu Quedundum via gmail)

O seu lado humano é meu animal favorito. E a outra sapatão e eu sentados no ponto final do Palmital depois que o bar do Negão fechou. Cláudia disse: As pessoas são lindas. Eu disse: Menos Cláudia. Não seja exagerada. Lindo é a arara azul. Bicho lindo bicha. Está em extinção. Está morrendo. Sabe? Eu não entendo as pessoas. Dinheiro e dívidas elas querem em abundância. Arara azul, não. Mas aí todo mundo compra a camiseta de grife com estampa de bicho. Nem sabe que bicho é. Só sabe que é fashion e oncinha está na moda. As pessoas amam os animais, mas usam produtos que maltratam os bichos. Deve ser porque não é cachorro. As pessoas só sentem pena de cachorro. Baratas elas deixam morrer, por exemplo. Mas não é tudo animal? Ama, mas mata barata? Você é o que então? Uma farsa?

Eu só não vivo recluso com um cacto porque infelizmente além de beber pouco, receber abraço de cacto machuca muito. E eu dei até nome pro bichinho. Guimarães Rosa. E li sobre o assunto. Mas ele não estava crescendo. Aí eu fiquei desesperada. Minha irmã veio me socorrer. Olha irmã (ai de novo, ela vai falar meu nome original) é assim que se cuida de uma planta. E levou o cacto pro sol. E agora conversa com ele todos os dias. Aí ela disse: Planta gosta de carinho, irmã. Aí eu perguntei se podia tratar como gente. E ela respondeu que podia. Aí eu contei uma história ótima para planta.

Então. Usei um produto e rá rá rá rá ré ré ré ri ri ri. Ri bastante e rua. Pegando fogo a Vila Isabel. Zona Leste da cidade. As putas todas na rua. Batalhando a colocação da noite. Quem ia fazer mais? Quem ia ficar em primeiro lugar? Só mulher brava. Nariz nervosíssimo. Vontade de dar. Dar um tiro na cara de alguém. Um tiro na frente da policia de tão atacada. Eu tava baratíssima Guimas. O primeiro que pagasse um litrão e vinte reais, eu faria. Mas o que acontece? Quando eu estou com calcinha nova de marca, só consigo axé matinho. Quando eu estou uma mendiga, rasteirinha, calcinha furada de três reais e shortinho jeans… É babado. E aquele forró e bar do Negão e o bar das monocós, um fervo bicha. Muito pau para pouca xavasca. Ia arrumar o aqué.

Desci a Morada do Sol colocada. Com um pouco do produto e calcinha coçando. Parei no ponto. Mirei. Mirei. Onde eu ataco? A mapoa do outro lado no Carlinhos. Artura conceição! Jeová é mais. Chega aí mulher. Quanto tempo, minha rainha Maria Mulambo! Confirma.

Atravessei a rua. E Kiss, Kiss, Kiss. E bati uma palma. Salve as almas. Tomar um oti veado. Não te vejo desde a época do botequim da falecida Bette Davis. Deus abençoa. Confirma senhora.

Ela: Conta aí bonita. Continua na rua da amargura batalhando? Tá cobrando quanto hoje em dia?

Eu: Firme e forte, bicha. A buceta aqui não tira férias. Tá viciada em trabalho. E agora com celular e Facebook, o cliente vem delivery, meu amor. Cada cavalão. Tão até se apaixonando. Quase caio nessa história. Mas não nasci pro amor. Não nasci para sofrer. E aí? Cadê o oti para abrir a gíria?

Ela tcha tcha tcha com os peitos. Tirou vinte aqués e pega lá bicha. Hoje eu tou cheia da grana. Hoje eu tenho a solução para os seus problemas. Lembra dos bofes que me deram o coió e eu processei?

Sim, eu disse emocionada. Os que te arrastaram de carro pelos cabelos.

Ela: Ganhei a causa. Justiça foi feita. A juíza conseguiu uma quantia gorda. Lembra da juíza? A que dava uns tecos e chupava pau de mendigo? Lembra dela?

Eu ri. Quer dizer que você está rica? Mais rica?

Rica mal amada e dando para caralho meu cu.

Mas naquela noite a princesa encontrou um príncipe. Rico. Bonito, educado, respeitador e rico. O príncipe a cortejou. Pagou umas bebidas para ela. Pagou o táxi. Levou-a até a porta. Ela o convidou para entrar. Ele quis fazer amor com ela. Ela fez. Beijou. Chupou. Colocou até no cu. Na linha badalhoca. Checou um pouquinho. Gemeu. Gozou. Tomou banho. Pegou a onça com o príncipe. E mandou-o embora.

Aí ela viajou. Estudou. Formou-se. Trabalhou. Lutou. Sorriu. Chorou. Sofreu. Foi na praia. Desfilou no carnaval. Inventou o disco voador e salvou as araras.

foto: #boy #couple #dance #fashion #favim

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