Fetiche

 “Não te alongues a contar as tuas façanhas, nem os perigos que terás passado; não podes querer que os outros tenham tanto prazer em escutar-te como tu em contá-los”. (Epicteto)

“Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido”. (Jean Rostand)

 

A lua estava linda. Hoje 18h26. Como uma fatia fina de melão maduro de tão brilhante entre as árvores verdes e poucas nuvens. A lua lembrava o sorriso do gato do país das maravilhas. A lua sorria sim. Sorria para mim. Acho que só para mim. Ultimamente, acredito que só eu sei que a lua existe. Que só eu sei que o Sol brilha. Que o mundo rodopia e dança. Não sei. Não sei explicar como o mundo gira. Só sei que voltava de uma longa viagem. Uma viagem que só me trouxe paz e mais vontade de viver. E a música no MP3 do carro pedia calma. Pedia minha alma sossegada. E a vontade de chegar logo em casa e beijar meu amorzinho junto com um demorado e caloroso abraço.

Desci do carro me despedindo de todos. Moro mais longe que o Fabian e a Cláudia, mas o motorista entrou pelo Cariri. Passando pela Rua Amazonas, subida da Rua N, minha rua. Abri o portão. É tão bom voltar para casa quando alguém que você ama te espera. Abri o portão da garagem. Fechei. Caminhei. Um, dois, três, vinte passos até a porta. A porta já estava aberta. A casa toda já estava aberta. Sinal de que a saudade me esperava? E ele lá. Meu cri cri. Meu chatinho favorito. De camiseta regata, bermuda branca sem cueca. Quase no escuro.  Apenas a luz do computador o iluminava com destaque. Sentado no sofá de bambu do segundo andar do quintal perto das plantas. Meu coração explodiu. De novo. Aquela escola de samba. Preciso mesmo dizer que eu ainda estou te amando?

Estava com sede. Fome mais ou menos. Na porta do quarto, larguei a mochila. E a bolsa com um casaco. Fui em direção àquela música divertida. A música era… I Drove All Night na voz da Cyndi Lauper. A música me levava até o quintal. Isso. Onde ele estava. Meu leonino cri cri. 21 anos. Pele bonita. Sorriso sincero. Meu futuro marido. Tomando água gelada. Eu queria logo dizer que estava morrendo de saudades, mas ao vê-lo… Quando eu olhei para ele… Esqueci a sede. Esqueci a morte. Esqueci do cansaço e da dor nos pés. Esqueci o sofrimento. E fui curado de todo mal quando ele se levantou, largou o computador num canto e veio me dá um ardente beijo de boas-vindas.

foto:: Favim.com ::Tags black feet fetish happiness hurt

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