Ê, ê

“A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”. (Manuel Bandeira)

Você é um encanto. Um charme. Um pequeno notável. Mas com todo o perdão, eu nasci para sonhar. Para dormir. Acordar. Mijar, cagar, respirar, chorar, sentir fome. Eu nasci para te amar. A verdade. A verdade verdadeira. Essa verdade pleonasmo. Essa verdade de te amar que me faz cantar um canto matinal. Eu te amo. Mozinho, eu te amo. Amo-te com esses olhos que um dia a terra há de comer. Um dia lindo no futuro tão dia mais lindo como estar ao seu lado. Que dia adorável com você no meu coração. Tudo é mais bonito desde que você disse para mim.

Eu disse sim também. E seguimos. O motorista nem tava tão puto assim. Ele me disse depois que tomou o café com o pão. Ele me disse depois quando pediu uma porção de queijo com azeite e orégano. Devia ser fome. Ou vontade de fumar. A música era. Nem era uma música brega. A música era “Não Deixe o Samba” na voz da abençoada Alcione. Marrom mix. Os carros passavam numa velocidade assustadora. Feriadão no ar. Feriadão destrói vidas. Lá vai essa gente da metrópole gastar todo seu dinheiro. Fazer dívida. Se arrepender, de novo. Eu não entendo vocês. Se eu moro numa cidade atrasada e São Paulo tem tudo, por que vocês estão sempre fugindo de São Paulo? Não pode ter feriado. Vocês vivem matando feriado. Por que vivem matando? Dizem que São Paulo tem a minha cara. Tenho amigos morrendo lá. Mas tenho um em especial que se recusa a morrer. Por que será?

Eu não gosto muito de viver não. Eu tenho alguns problemas com a vida. Mas a vida te chama. Todo dia tem música. Todo dia tem música nova. Minha amiga astróloga disse que eu ouço muita música porque o capricorniano sofre muito. Ela disse: Arturzinho, mediunidade, gosto pela arte e sorte não se escolhem. Os médiuns sofrem, os artistas sofrem e até quem teve a sorte de ser feliz também sofre. O segredo é desejar menos. Se você quiser só um pouco, se perder… Deus me livre se você perder, mas se por acaso perder, você vai se machucar menos. Vai doer menos. Vai ser mais fácil partir para outra.

E o motorista seguiu a estrada numa velocidade razoável. A música que invadia o carro numa altura razoável. Eu, Cláudia, Fabian, dona Maria e o motorista.  O que mais eu quero nessa vida? O verde nos morros, o pouco azul do céu e muitas nuvens. Eu vi até umas vacas. Ameaçou chover. Que bom! Deus abençoe. Não quero mais nada.

foto:: Favim.com tags:: photography summer sun water

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