Maria Veneno

 “Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões”

::: Trecho da música Saúde (Rita Lee e Roberto de Carvalho)

 

O que acontece? Não sei, gata. Mas eu fui lá visitar a irmã da outra lá que me chamou para tomar um chá com ela. Gata, babado. Tinha muita bebida. Muitos talheres. Muitas xícaras. E eu lá. Com uma camiseta da Disritmia. Bermuda. Chinelo. Muito simples. Eu estou me sentindo simples. E eu quero me vestir assim agora. Menos. Eu quero menos para mim. Uma porção menor. Um abraço. Um sorriso. Um olhar tímido vindo de você. Eu quero o que você tem de mais luxuoso. Eu quero me casar com você ou ser seu melhor amigo para sempre.

E ela ficou rica essa minha amiga. Uma história linda. Cantora de cabaré. Apaixonou-se. Foi morar numa fazenda e enriqueceu trabalhando para curar o luto. Perdeu filho e o marido num acidente terrível de carro nos anos 90. Como a gente se encontrou de novo? Botequim do Samba. Ladeira das Palmeiras. Centro de Três Rios. Tava eu me acabando com o Fabian dançando Roberta Miranda. Em ritmo de samba. E a Cláudia. Que vende crepe. Cláudia. A mulher que disse que a felicidade é um talvez. E que viver é um tesão. Mantra para 2013: Viver é um tesão incrível e só sei que eu estou gozando.

Eu morri de rir. Quer dizer, esse é o meu novo sonho. Ri até morrer. Ri até a morte. Ser gratificado com uma noticia tão boa que eu caia duro no chão de tanto rir. Alguém me conte uma piada boa? Ou uma mentira boa. Adoro rir de mentira. Eu quá, quá, quá, quá, quá todo dia. Você não?

É só nascer o Sol e eu rio. Eu tomo água pela manhã e rio. Eu tomo água e não sei. Ui… Vou até a geladeira pegar uma fruta. E um copo generoso. Dona Maria. Minha amiga se chamava dona Maria. Ela odiava ser chamada de dona Maria porque parecia que ela era velha, mas tomava umas cervejas, virava dona Maria. Depois, sóbria, ela acusava a entidade. A pomba-gira dela. Eu não acreditava. Eu sabia que ela tinha uma pomba-gira. Mas ela tinha abandonado o candomblé.

Gata, bicha. A mulher chegou loira, bronzeada. Com um vestido da Cantão multicolorido. Uma sandália azul. E um sorriso de ouro. Eu disse: Ê, ê. E aplaudi. Ninguém mais aplaude coisa boa nesse país? Ela gritou meu nome sete vezes. Eu contei. Sete vezes. O abraço. Seguido de um beijo na boca escandaloso. Artur. Ouvi de novo meu nome. Dessa vez bem perto da orelha. Fez até cócegas. Pede o que você quer. Tenho muito dinheiro. Faz um pedido.

Um é um número muito solitário. Eu desejo que um se multiplique.

Ela estava de carro. Carrão com motorista puto para caralho. Ela falou para o motorista esperar. Ela tomaria uma Brahma com a gente. Tomamos três. Motorista ainda mais puto. Tocou Coisinha do Pai. Dona Maria agarrou um negão e dançou muito. Até beijou o negão. Ê, ê dona Maria. Que vida boa. Entramos no carro. Vamos lembrar os personagens: Motorista puto, dona Maria, Fabian, Cláudia, Artur. Quem topa ir para minha fazenda? Dona Maria perguntou. Fabian acendeu um Hollywood. Eu tirei meu MP3 do bolso. Cláudia puxou a música. O sol estava lindo. Vá para onde tenha sol. E beira de rio. Motorista seguiu pela BR 040.

Foto:: Favim tags #brazil prettu summer sun sunset

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