Procura-se um amor que não machuque tanto

Era uma vez um príncipe encantado bonitão chamado Artur Massai que namorava um negão de 26 anos. Sarado, alto, barriga tanquinho, cheiroso, bem vestido, trabalhador, sorriso lindo e necudo. Um príncipe negro moderno. Mas o príncipe encantado terminou com ele. Enjoou de ser feliz para sempre. “Na verdade”, disse Artur Massai, “Eu falei para ele ir embora e voltar quando ele quisesse ter uma conversa séria comigo”.

Peraí? Tem conto de fadas com dois príncipes que namoram?Tem conto de fadas de bicha?  Googla lá. Ih! Tem. Inglês. Para criança. Os ingleses sempre na frente. Mas a bicha desse conto pode ser um príncipe brasileiro? De Três Rios? A bicha pode ser alta, magra, super antenada e sofrer de esquizofrenia? A bicha pode ser eu? Não? Mas a história é minha. Vamos lá.

Era uma vez uma bicha. Louca! Bicha louca é tudo. É tendência, voltou a ser moda e tá bombando no Facebook e no Twitter. Louca é a hashtag da vez. É o curtir do momento. E a bicha gostava de um negão de 26 anos. Sarado, alto, cheiroso, trabalhador, sorriso lindo e necudo. Um príncipe negro. Mas o negão tinha três defeitos. Então… O príncipe era um maconheiro dos bons. Peraí? Isso não é defeito. Tá. Tá. Dois defeitos: Ele não tinha o hábito de ler e não sabia chupar. Falha gravíssima no mundo gay. Lembrei de outro defeito: Não admitia em hipótese alguma que era homossexual, apesar de ficar empolgado com a presença da sua “princesa” magricela. Do seu príncipe gay. Mas aí essa história mudou. Ah! Chega de realeza. Volta pro barraco.

A realidade, queridos leitores, é que esse príncipe encantado foi enfeitiçado. Jogaram uma macumba daquelas no veado e ele não sentia amor pelo seu príncipe negro. Apesar de o dunda ser tudo o que Artur sempre sonhou. E terminou o namoro. Enjoou de ser feliz para sempre. Largou o castelo. As mordomias da vida de rico. As capas na revista Caras. Trocou o sangue azul por um sangue real. Foi morar na Morada do Sol. Em Três Rios. Rio. Foi se foder.

Mas aí ia ter um baile. Viram como a vida te chama para ser feliz? Outro príncipe encantado… Um príncipe encantado das pistas ia promover o maior bafafá da cidade. Na quadra da Mocidade da Vila Isabel. Com DJ Charminho e DJ Jaburu. E a bateria da escola. A bateria mais quente da região. Com bebida liberada. E área VIP.

Detalhe: O príncipe encantado não tinha vestido para ir ao baile. “Porque eu não uso vestido. Eu não sou travesti”. Disse a bicha. Eu disse.  Mas aí apareceu uma fada madrinha com a solução. A fada madrinha era senhorita Priscila Pokémon. Magra e loira. Com uma sacola de roupa e seda e isqueiro e babi.

“Irmã. Irmã.” Smack. Smack. smack. “Trouxe um presente para senhora que é a sua cara. Lá daquele bazar ao lado do Vocacional”.

“Não acredito”! O príncipe encantado gritou. Eu gritei. “Uma calça Ralph Lauren e um casaco jeans com franjas parecido com a coleção da Amapô. Vou ferver muito nessa festa. Vou dar muita pinta essa noite”.

A fada madrinha disse: “O que você mais vai fazer hoje é dar. E por falar nisso, toma esse pacote de oxó de neca extra dandara. É para você usar com o maior dançarino da noite”.

E tchun. Dichavou e bolou a tabanagira. Tirou sua varinha mágica. Um incenso Satya Blosson. Tirou também o isqueiro do bolso da calça. E meteu fogo. E então fez a magia acontecer.

Pediu uma abóbora. O príncipe abriu a geladeira. Achou pepino, tomate, cenoura. “Serve cenoura”? A fada madrinha respondeu: “Serve. Hoje em dia, serve”. E transformou a cenoura numa Honda Titan. Vermelha!

O príncipe disse: “Não sei pilotar bicha”.

A fada chapada, chapadona pediu um rato. Uma barata ou uma formiga. Uma galinha.

O príncipe disse: “O único animal dessa casa sou eu. Pode ser uma planta? Ou essa berinjela enorme e madura?

A fada madrinha olhou, olhou. Acendeu um Derby prata. E transformou aquele fruto colossal num motoqueiro de uniforme e capacete pretos. Quem era? Quem era? Ele era bonito? Ele tinha sonho? E sonhava com o quê?

A fada, antes de o príncipe encantado subir na moto, disse: “Não se esqueça. Quando o relógio marcar 12 horas, você precisa voltar ou então”…

O príncipe cortou: “Mas a fofoca começa meia-noite. Isso não faz sentido”.

“Desculpa”. Disse a fada Pokémon. “Hoje eu já fumei três baseados e dei uma tifada. Corrigindo. Você precisa voltar às 4 horas da manhã ou então”…

O príncipe disse: “Eu viro abóbora”?

“Não. Não. Não. Nada disso. Ou então… Ou então… Esqueci. Vai. Se divirta. Ame esse baile”.

O príncipe entrou na festa. Lotada. Povo dançando funk. Pediu uma água. Foi para pista. E tocou “Dou Meu Cu de Cabeça Pra Baixo” da MC Katia.

Aí ele pensou que precisava se acabar. Detonar com tudo. Só se vive uma vez. Só se vive uma vez. Não tem outra chance.  E o amor? O amor? Ah! Foda-se o amor. Essa música é ótima!

Foto: Favim.com

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