Os 100 segredos das pessoas felizes

E ele me acordou com um carinho nos meus cabelos crespos. Eu abri os olhos meio que já querendo fechar. Quem era aquele anjo me dando bom dia?  Esse anjo de cueca boxer. Ele se levantou para tomar um banho e fazer café. Foi andando e pulando ao mesmo tempo como se estivesse se aquecendo. Corpo balançando daquele menino de 26 anos.  Tudo duro. Corpo malhado pelo trabalho pesado. Pele negra, cueca branca. Como não acordar de bom humor? Gritou da cozinha: “Cadê o pó de café”? Eu já estava cochilando. Tão bom cochilar. Acabei sonhando. E acordei dessa vez com ele puxando meu edredom. Ele disse: “Acorda para cuspir, vagabundo”. E mais uma vez ele sorriu. Enchendo-me de felicidade. E trouxe a xícara de café e dois sanduíches de queijo feito na chapa com margarina Qualy para mim.

O café estava amargo e forte. E o pão uma delícia. Ele puxou um pedaço do meu sanduíche e comeu e bebeu meu café também. Fez uma cara de que estava ruim e disse: “Não sei fazer café”. E me deu um beijinho na testa pedindo perdão. Levantando-se. Terminou de se arrumar.

Acabei minha refeição e tomei um banho rápido. Enquanto ele lia suas mensagens no Facebook. Eu tinha consulta médica marcada para as 7h10. E psicólogo na clínica às duas. Hoje era meu dia no Caps. Já estou desde maio de 2010 por lá e desde 1985 doente. E essa doença não me abandona. Tenho esquizofrenia para quem lê esse blog pela primeira vez. Já tentei suicídio 17 vezes. Meu irmão também tinha. Suicidou-se ano passado. Minha mãe também. Toma remédio até hoje.  Não tem cura. Isso quer dizer que se eu deixar de tomar meus medicamentos, posso nunca mais voltar a ser o Artur. Esse Artur que escreve. Posso voltar a viver no lixo. Virar mendigo de novo. Ou dar um tiro na cabeça.

Ele precisava se apressar. O trabalho o chamava. Ele falou para eu ir até a porta com ele. Ir até o portão. Coloquei o primeiro casaco que encontrei. Um pulôver de tricô antigo que o Fabian me emprestou. Estava de short preto que comprei nas Americanas da Barão do Rio Branco e chinelo Rider. Da Sapataria Três Rios da Condessa.

Estava frio nessa Morada do Sol. E mais frio ainda aqui na rua M porque fica entre os morros da Rua K e N. Onde diabo fica a Rua L? E minha rua é cheia de árvores. Tava mesmo muito frio naquela manhã. E o povo saindo para pegar o primeiro ônibus pro trabalho. Todos de mau humor. E tristes. E antes dele montar na moto e por o capacete, ele me pegou pela cintura e me puxou para perto dele. Olhou para um lado. Olhou para outro. E me deu um beijo de despedida. Um beijo tão intenso que eu pude sentir seu sexo se animando. E quente. Ele disse: “Vê se não vai aprontar longe de mim, ouviu. Mais tarde eu volto”. E me beijou de novo com os vizinhos passando.

Ele disse: “Gostei de você, sabia”? E piscou. Colocou o capacete. Montou na moto. Ligou. E saiu dirigindo morro abaixo. E eu fiquei incendiado. Mais que feliz. Era um milagre acontecendo. E naquele momento até Deus acreditou em mim. E eu acreditei em mágica.

Gisele no estúdio de @Terry_World

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