Por que o amor não é essa maldita farinha malhada que só fode com o nosso nariz?

E eu não fui à festa junina da minha prima artista plástica com comida e bebida típicas. Decoração característica. Música também? Na sua casa de três andares no Pátio da Estação. Eu dormi. Dormi cedo. Eu acabei de ler o livro de um escritor americano sobre as grandes lésbicas da história. E ele cometeu um erro grotesco: Não mencionou o romance entre a também americana Elisabeth Bishop e a brasileira Lota de Macedo Soares. Arquiteta e paisagista responsável pelo Aterro do Flamengo. Acordei com a minha mãe batendo na porta com um pratinho de doce e meia garrafa de batida de amendoim gelada.

Mais tarde o alcoolismo reclamou por uma bebida. A solidão da minha casa, a música triste no USB Jack e a primeira golada naquele néctar dos deuses, fez com eu colocasse o primeiro casaco e partisse para a rua.

Vila Isabel um deserto. Bares fechados. Ninguém dando sopa. Melhor retornar. Frustrado. Muito frustrado. Aí na minha rua, eu cruzei com um moreno interessantíssimo descendo a rua N de casaco listrado esfregando as mãos por causa do frio.

E não tem jeito. Pegação é um babado forte. Os sinais são muito evidentes. O andar muda. A postura corporal é outra. Antes eles apertavam o pau ou fingiam que iam urinar. Agora é o celular que eles tiram do bolso e fingem que estão falando ao telefone. O celular é uma arma. Arma de sedução? Arma matadora de sedução?

Enfim… Ele lá mexendo no aparelho e andando devagar. Olhando. Olhando para trás. Eu… Ah! O que eu tenho a perder? Disse de um jeito afetado: “Tem horas”? Pergunta mais lugar comum.

Ele veio na minha direção. Fácil, fácil. Já se encostando a mim. Fingindo que estava bêbado. Eu: “Vamos lá para casa tomar uma bebida”?  Peguei no cinto da calça dele fazendo com que ele se aproximasse de mim e: “A bebida tá uma delícia”. Ele desceu comigo. Tranquilo.

O mesmo ritual. Trancar a porta, mostrar onde fica o quarto e banheiro, caso ele queria usar. Pegar bebida na geladeira, mas… Ele se sentou na minha cama e me chamou tirando os tênis. E o casaco listrado. Jogou no chão.

Eu: “O que foi”?

Ele: “O que você está fazendo”?

Eu: “Pegando uma bebida para gente”.

Ele: “Esquece a bebida”. E me puxou pelo braço. “Vem cá que eu quero te mostrar um negócio”. Caí em cima dele. Deitamos na cama. Beijos, beijos, beijos. Mãos em lugares fascinantes. Tirei o casaco. Ele baixou o meu short até os joelhos e passou a mão na minha bunda. Um dos dedos foi parar lá. Lá dentro. Mordeu minha orelha e disse bem próximo: “Hoje você é só meu”.

Aí a gente lá na minha cama. Tirando a roupa. Boca com boca, mãos por todos os lugares. Principalmente no pescoço e nas costas. Cacetes em brasa. Alguém me chamou na porta no diminutivo. Disse três vezes: “Artuzinho? Arturzinho? Artuzinho”? E bateu com força na porta.

Era ele. Aquele negro horroroso da Rua K, porém uma delícia.  Putz!  E agora?  Disse alto: “Já vai”. E coloquei o short. Meu pau duro. O moreno me olhou assustado. Eu fiz uma careta expressando um “fica firme”.

Fui até a porta. Abri. E o negro horroroso da Rua K foi entrando sem que eu o convidasse. Ele disse: “Trouxe uma parada para gente”. Sacudindo um saquinho de chup-chup com uma substância em pó amarelada. Beijou meu rosto e me entregou uma garrafa de Cantina da Serra.  Pegou uma embalagem de CD na mesa da televisão. Discovery do Daft Punk. Foi pro quarto e acendeu a luz. Dando de cara com o moreno gostoso. “Vai dar merda”, eu pensei.

E o jeito foi preparar três doses da batida de amendoim com bastante gelo para todos. Fazer-me de desentendido e entrar no quarto procurando um canudo.

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