Faça o que eu digo, mas não faça os bofes que eu faço

 “Meu amor é o caralho. E vai tomar no olho do seu cu, sua bicha encubada. Sua mulherzinha”. Eu disse e saí com minha mala gritando nessa calça com lavagem baby blue.

Não. Não. Não. Não. Porra! Entrar em crise na hora da feitura é de tirar tesão de estuprador.

O que aconteceu: Eu tava lá chupando aquele pau gigantesco daquele negão horroroso da Rua K, porém uma delícia (como explicar?) com uma camisinha do posto de saúde. Não tem gosto de nada. Mas…

Aí eu lá gravando… Fazendo meu teste de sofá. O dunda horroroso da Rua K queria ver meu talento.

Sou um aprendiz de piranha. Levantei-me do sofá. E ploft! Balancei minha cobra venenosa na cara dele. Eu: “É isso que você quer”?

Gravando. Quer dizer, ele não gravou. Até tocou na minha mala e então… Ele disse que eu tinha vergonha dele.

Eu: “Oi”? Peraí… Eu já não disse isso outro dia?

Ele naquele papo enrolado de que era homem e a mulher naquela relação era eu.

Mulher? Mulher não. Eu sou é homem. Repito: Homem e macho para caralho. Mulher é outra coisa. Mulher é outra extremidade. Ou melhor, mulher é… Mulher é o quê?

Nos tempos das cavernas, o papel da mulher era ter filhos, amamentá-los, cuidar deles, dar comida e dar uma geral no barraco. Quer dizer que toda mulher é mãe zelosa e dona de casa? Mas e a mulher que é estéril e não pode ter filho? Ela é menos mulher? Sim, ela pode adotar. Tarzan é filho adotivo. O Patinho Feio também é. Mas adotar uma criança transforma alguém em mulher? Lavar, cozinhar, passar, cuidar da prole é coisa de mulher? E as mulheres que não sabem nem fritar um ovo? E as mulheres que abandonam suas proles? Muitas mães fazem isso quando descobrem que seus filhos são homossexuais. O que faz uma pessoa mulher? Ou melhor, o que faz uma pessoa se considerar mulher?

Eu: “Tsic, tsic, tisc. Sou mulher não. E nem quero ser mulher. O fato de eu gostar de homens não faz de mim uma mulher. Gostar de homens não é sinônimo de ser mulher”.

Ele: “Mas você é bicha”.

Eu: “Você também é. E é homem”.

Ele, alterado: “Eu vou te enfiar o cacete”. Já querendo me bater.

Eu, pronto para guerra: “Vem. Tá pensando que eu tenho medo de brigar. Eu briguei minha vida inteira”.

Ele: “Não. Não. Eu tô falando em enfiar o cacete nessa sua bundinha, meu amor”.

“Meu amor é o caralho. E vai tomar no olho do seu cu, sua bicha encubada. Sua mulherzinha”. Eu disse e saí com minha mala gritando nessa calça com lavagem baby blue.

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