Essa droga malhada deve ter temperado muito bem a minha carne magra

Sinceramente, eu devo ser uma delícia. Literalmente. Literalmente. Eu em casa num silêncio. Lendo a pilha de revistas que o Fabian me doou. Muita coisa. Tem revista da Bélgica, França, Estados Unidos, Reino Unido, Brasil. Muitas. E eu lendo. Uma edição da Gay Times. Um artigo sobre Deus e a homossexualidade intitulado “A Question of Faith”.

Ouvi um barulho de moto. Moto parou. Alguém desceu. Falou alto com o motociclista para ele esperar. Gritou meu nome. E bateu no portão. Ouvi-o falar com o motorista: “Tem certeza que é aqui?” Não ouvi mais nada. Até que ele abriu o portão. E plaft! Bateu no sofá da varanda. Xingou. Segundos depois, tentou abrir a porta da minha casa. Estava trancada. Eu me levantei do sofá, peguei a chave e abri. Era ele. Aquele garoto horroroso da Rua K. Com uma blusa linda da Osklen da Royal Black Collection. Completamente bêbado. E eu sóbrio. Contraste perfeito. Ele riu satisfeito por ter me encontrado. Disse: “Peraí”. Ele saiu para dispensar o motociclista. Acendi a luz da varanda, mas mesmo assim ele topou de novo no sofá. E: “Porra! Caralho!” Voltou com uma bolsa de mercado com uma garrafa de vodka.

Entrou. Eu tranquei a porta. Ele disse, sem ser muito claro, que falaram com ele que eu era o rei dos coquetéis da cidade. E que queria experimentar o tal do drinque azul que eu fazia. Passou-me a garrafa e foi direto para o meu quarto. E mexeu nas minhas revistas. Fiz dois coquetéis com suco de graviola, acerola e caju. Gelo batido. E a vodka. Que na verdade era aguardente de lima com nome russo.  Enchi os copos. Quarto. Ele olhando uma foto de um moreno pelado na Hommes francesa.

Eu: “Uma revista gay”.

Ele largou a revista. Fez uma cara de que foi sem querer. Dei um copo para ele. Ele falou um monte de coisas. Eu não entendi porra nenhuma. Cheio de contradição. Óbvio. Ele estava mentindo. Aí ele num blá, blá, blá imperceptível. Eu: “O quê?”

Ele: “O que tem para comer? Estou morrendo de fome”.

Fui até a cozinha. Esquentei a panela. Moela com cenoura e batata. E arroz. Ele no quarto. Levantou-se. Tirou a camisa. Vasculhou os bolsos. Vasculhou, vasculhou. Um isqueiro vermelho da Bic caiu no chão. Vasculhou, vasculhou.

Eu: “O que foi?”

“Minha maconha. Perdi minha maconha”.

Tudo que eu queria. Ajudá-lo a achar o bagulho. Minhas mãos nos bolsos da calça dele. Em todos os bolsos. Perguntei se ele não teria malocado a maconha na cueca. Ele pediu para eu mesmo procurar. E abriu a calça jeans. Fazendo com que ela descesse até abaixo dos joelhos.

Ele de cueca. Linda cueca. Eu com as minhas mãos no sexo dele. Procurando. No enorme sexo dele. Procurando encrenca? Ele fez um “Ops”. E vasculhou por entre as meias. E achou. O baseado já apertado. Ele fez uma cara satisfeita e balançou o bagulho no ar.

Perguntou: “Cadê o isqueiro?”

Eu peguei do chão. E acendi para ele.  Ele puxou, puxou. Tragou. Soltou a fumaça. E meio que dançou feliz por ter fumado seu precioso cigarro. Maconheiro! Feio para caralho, mas tão bonitinho dançando sem música. A gente fica feliz quando consegue o que se quer. Passou para mim e eu fui até a cozinha arrumar um prato para ele. Fumando.

E quando eu voltei, estava ele lá. Dormindo de cueca na minha cama. Dei mais algumas bolas. Bebi a bebida. A minha e a dele. Outra bola. Apaguei o bagulho. Tirei seus tênis e meias. E a calça jeans. Dobrei e guardei no armário. Joguei um edredom sobre ele. Passei a mão no seu cabelo curto e deu um beijinho carinhoso na sua bochecha. Ele sorriu. Abriu os olhos um pouquinho. Fechou os olhos e dormiu novamente. Apaguei a luz. E voltei a ler as revistas em silêncio.

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