Que nossos maridos nunca morram viúvos

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Eu sei lá o que acontece. Deve ser essa minha cor bronzeada de quem nunca vai à praia. Mesmo morando aqui pertinho. Ele apareceu. Com uma mala de viagem e uma garrafa de cachaça com suco de tangerina já na minha rua. Aqui na Raul Pompéia. Copacabana. Eu voltava do trabalho com uma bolsa sustentável do supermercado Zona Sul. Ele sorriu. Foi instantâneo. Eu sempre reconheço outra bicha quando vejo. Mesmo esses machões com camisa de time de futebol.

Ele disse: “Graças a Deus que eu te encontrei”. E encostou-se a mim.

Eu: “Vamo’lem casa”. Ele concordou de imediato. Subimos. Deixamos as nossas coisas e descemos rápido para tomar uma saideira. No número 102. No Boy Bar. Estava vazio. Tava fechando também. Bebemos duas. Ele tinha pó. Do morro do Turano. Eu perguntei se não era aquela cocaína misturada com inseticida. Ele riu e disse que se fosse, a gente não ia ter inseto no corpo. Era melhor ir lá para casa. Por que eu digo casa se eu moro em apartamento? Enfim… Melhor subir. Ele fez que sim com a cabeça. Comprei meia garrafa de vodka. Uma vodka ruim. E no pequeno percurso. Era só atravessar a rua, ele me beijou. Pau dele super duro.

Ele disse que era morador do Leme. Bairro da Clarice Lispector. Casou-se duas vezes. Teve dois filhos. O mais velho com 17 anos, mora em Três Rios com a mãe. O mais novo em Petrópolis. E se separou por quê? Segundo ele, porque andava muito com o pessoal de Ipanema. Que frequenta o Posto 9. Opa! “Não é o lugar que as bichas ficam?” Eu perguntei. Ele respondeu que eram apenas os amigos dele. Amigos do trabalho. E continuou a me beijar com as pessoas passando.

Depois disse ao meu ouvido: “Vou te comer muito negão”.

No meu apartamento, portas fechadas, a figura muda. Eu tinha maconha. Comprei aqui perto com uma fonte. Com um michê de Jacarepaguá. Ele apertou enquanto eu preparava uns drinques com a minha coqueteleira da Feira do Lavradinho. Acendeu, me chamou. Ele sentado na minha cama. Eu em pé sem camisa.

Ele: “Bom de fumar um é que dá vontade de comer cu”.

Eu: “É?” E fumei. E fumei. Esse baseado é tão bom que duas bolas já faz a cabeça.

Ele: “Fuma mais”. Eu ameacei apagar. Ele repetiu: “Fuma mais para você ficar doidão”.

Eu, depois de dar mais uma bola: “Tô doidão cara”. E apertei estrategicamente meu pau. Duas vezes para ele olhar. E eles sempre olham. Principalmente esses machões.

Apaguei num cinzeiro na cabeceira próxima a cama. Passei um copo para ele. Liguei o som com o controle remoto na função random. A primeira música era “Piece of my Heart”. Janis Joplin. Putz! Cabeça ótima! Comecei a dançar. E dançar é afrodisíaco. Ele se levantou. De olho no volume do meu pau. Trevisan tem razão: “Nosso machão veste essa couraça para se defender de algo que o fascina”. Veio dançar. Não sabia. Muito preso. Muito duro. Peguei na cintura dele. “Mexe aqui”. Tirei a camisa do Flamengo dele. Troquei de música. Queria vê-lo rebolar. Ele completamente dominado. Ele não usava cueca ou sunga. O que facilitava enxergar sua ereção. Por debaixo da bermuda eu usava uma cueca que eu comprei no sex shop da minha tia Vera Preta. Foi minha vez de beijá-lo. E pegar na bunda dele. Carnuda. Coloquei-o de costas. E rocei bastante naquela bunda. Resistência nenhuma. Ele era meu. E ia fazer tudo o que eu quisesse. Aí, minha boca tava lá. Mordendo suas nádegas. Ele empinou um pouco. E abriu a bunda com os braços. Eu sei que faz mal, mas a língua da pessoa vai lá. Lá na portinha.

Joguei-o na cama. Onde tirei força? Hum… Ele pediu pra ser mordido. Comecei pelo pescoço. E orelha. Ele de bruços. Todo arreganhado. Camisinha na cabeceira. Camisinha no meu pau. Meu pau dentro dele. Socando de leve. Socando com força. Eu não sei de onde vem essa ideia de que dar o cu dói. Se fizer com carinho, dói nada. E de pé, com o corpo dele na parede, eu gozei na bunda dele. Ele gozou em seguida. Sujando de porra a parede antes purificada.

Deitamos na cama. E a música nunca acaba. Esse aparelho de som japonês de última geração que armazenam sabe-se lá quantas horas de música. Cada vez menor. Cada vez mais potente. Ele acendeu um Hollywood. Deitou com a cabeça no meu peito. E contou a história da vida dele. E de como o mundo gay carioca o fascinava.

Eu disse: “O negócio é se amar, véio”.

Ele me beijou e mencionou que era a vez dele de me comer. E nada do pau dele ficar duro. Eu disse que sabia como fazer o pau dele endurecer. Coloquei-o de lado. Minha cara na bunda dele. Mordi. Lambi. E, automaticamente, sua pica ficou dura como uma rocha. Eu sussurrava no ouvido dele: “Sei seu segredo. É só lamber lá”. Ele em silêncio. Não ia admitir. Jamais. O famoso “sou macho até debaixo de outro macho”. Tipos assim se repetem na minha cama. O tempo todo.

Camisinha no meu pau. Pau no cu dele. Bem devagar. Aumentando a velocidade de acordo com a música. Da segunda vez é mais difícil gozar. Mas o tempo é amigo e eu chego ao clímax em minutos.

Depois, ele se lembrou do pó. Bateu um tiro para nós. Depois outro enquanto eu preparava outra rodada de coquetéis. Trouxe novos copos. Ele ali fazendo o canudo. Peladão. Eu atrás dele. De cueca de sex shop. Roçando nele. Rebolou, rebolou. Ah, agora aprendeu, né? Deu um tiro e abaixou-se para me chupar. Chupava bem. Chupava com vigor.

Eu me deitei na cama. Ele por cima, chupando.

Eu disse: “Porra. Você gosta mesmo de pau, hein”.

Ele mudou a expressão do rosto. Com as mãos no meu pescoço. “Repete o que você disse que eu te mato”.

Encarei-o.  “Vai me matar? Vem. Eu disse que você gosta muito de pó”.

Ele respirou. Aliviado. Soltou as mãos do meu pescoço. Bateu outro tiro. Pegou seu copo. Bebeu. Depois contou de como foi educado. Não podia nem se masturbar que era errado. A família o forçou a gostar de mulher. Mas… Ele não completou a frase. Olhou para mim. Eu ali na cama sem roupa. Essa minha pele preta dando sopa. Eu pronto para uma terceira rodada. Ele deu uma golada enorme. Eu fiz com a mão um sinal de “vem cá”.

Ele de pé, quase gritando: “Tá achando que eu vou te obedecer?”

E saiu do meu quarto batendo a porta. E voltou logo em seguida com a garrafa de vodka caindo nos meus braços. Querendo mais. E obedecendo. Obedecendo.

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