Por que os homens nunca dizem “eu te amo”?

Aí eu fiquei o dia inteiro editando um texto. E tentando cortar palavras. Cortar algumas frases. Mas eu empolgado só incluía mais coisas. E lembrava mais casos que eu queria dizer. E o texto ficou muito grande. Ficou enorme. Parecia pau de negão. Ai, negão! Não sei por que, mas me deu uma fome. E uma preguiça de ir pro fogão.

E nada de comida pronta na geladeira. Fui à casa da minha mãe. Comida de mãe, sabe? Arroz, feijão, angu, frango com quiabo fresquinho. E voltei para tentar escrever. Ouvia dance music dos anos 2000. Só música deprê. Só amores que não deram certo.  E de como a vida é vazia nesse século.

Ele me disse no final da festa que eu só falava de negão nos meus textos. Que queria que eu publicasse um texto novo. Sem sexo. Sem que as coisas dessem certo. Um texto mais vida real. Que eu me fudesse ao invés de fuder no final da história.

Minha mãe, vacilona, disse que eu ainda gostava dele e que queria que ele fosse seu genro. Ela ainda disse: “ele até fez a barba especialmente para você”. E todo mundo sabe que eu odeio fazer a barba porque eu me corto mais que emo ouvindo Good Charlotte.

Dormir foi horrível. Ontem, hoje. Eu fiquei assistindo a séries de tevê canadenses. E vi no programa do Piers Morgan na CNN (eu torci por ele no “Aprendiz”) sobre o projeto do casamento gay na Carolina do Norte. E depois o discurso do Barack Obama apoiando as bichas.

Eu assisto muito a CNN. Eu gosto. Eu gosto do Inside Africa com o Errol Barnett. Aquela coisa linda que é o Don Lemom (um dos gays mais poderosos do mundo segundo a Out Magazine). E enfim. É fácil de entender o que eles dizem. E eles falam bastante de cultura. Tô enrolando. Tô enrolando.

Coisa mais difícil de escrever. Ele vai achar que eu ainda gosto dele. Que gosto do jeito que eu gostava antes. A Miúda uma vez me disse que ele era a maior furada. Desses que não trepam e nem saem de cima. Sobre o Marcos (o amor da minha vida), Fabian disse a mesma coisa.  Com palavras diferentes. Disse que eu merecia alguém melhor. Alguém que me amasse do jeito que eu sou.

O pior é isso. Quem vai gostar de mim? Um magrelo idiota que escolheu ser escritor. E o destino de quem escreve é cercado de fracassos, pobreza, alcoolismo e suicídio. E escritores homossexuais ainda são vitimas de censura e violência. Serei sempre um nada. Ainda mais agora que as pesquisas apontam que as pessoas estão lendo cada vez menos.  Porra! Além de não amado, eu sou um Zé Ninguém. Um alcoólatra miserável fardado ao esquecimento. I am a loser, baby. E você ainda quer que eu escreva uma história triste sobre gente se fudendo na vida? Eu já me fudi há muito tempo. Foi só eu nascer.

foto:: Modelo Omar Koite :: portfolio:: http://www.modelmayhem.com/1194707

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2 comentários sobre “Por que os homens nunca dizem “eu te amo”?”

  1. Quem vai gostar eu não sei, afinal, não se usa mais gostar de alguém. Não tente pensar no que vc não é para alguém, e sim para vc mesmo. Use isso para vc, como VC se vê, seja sóbrio ou destinado à ebriedade eterna.

    P.s.: a mim eles dizem “eu te amo” sim. Afinal, tenho amantes, amadores, mas tenho. rs

  2. Eles so dizem “eu te amo” quando não amam e querem sexo.Quando eles amam de verdade eles não sabem como agir, falta coragem rs
    Escritor homossexual ,magrela, alcolatra e suicida…Hummm Amo!
    Beijo.

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