Descobrindo o Pau Brasil

22 de abril. Feriado ontem. Feriado amanhã. Tem muito feriado nesse Rio de janeiro. Puta que o pariu. Ô povinho para gostar de enforcar o serviço. Mas minha mãe e sua obsessão em reformar a casa. Ou as seis casas que ela tem, está sempre fazendo obras por aqui. A minha oca é a próxima.

Aí desci com ela e passamos no Bramil para comprar pão, frutas, verduras, folhas (eu como muito mato, sou praticamente a irmã do boi), leite, peixe, frango e material de higiene pessoal. Odeio ir ao Bramil. Odeio. Ainda mais quando está lotado. Uma das piores coisas do mundo. No caminho, encontramos com o pedreiro. Um gato negro de 28 anos oriundo de Juiz de Fora. Mamãe deu a chave da casa dela e pediu que ele esperasse. Na volta, ia pagar umas cervejas para ele.

Bramil lotado. Já falei que odeio ir ao mercado? Uma demora escolhendo os produtos. Iogurte com polpa de morango parcialmente desnatado também. Mulher se diverte fazendo compras. E inventa mais coisas para compar. Tá faltando papel higiênico. Oi? E conversa com as pessoas sobre o preço absurdo do hidratante para pele seca. E que o iogurte frimesa está em promoção. Um e 79 a bandeja com seis. E… Vocês sabem, minha mãe Linda e loira de 63 anos… Encontra com um paquera. “Vamos tomar umas cervejas amanhã na feira? Nove da manhã”. E o meu humor indo para o caralho. Eu puto com tudo. Louco para ir embora.

“Vou aproveitar e pagar a conta de luz antes que atrase”. E fomos até o guichê que recebe contas em geral. E o que acontece? Eu dou de cara com o Diego, filho da Vera. Diego! Que descoberta! Pretérrimo perfeito. Ele põe Apolo no chinelo. Aliás, Apolo perto do deus Diego tem crise de identidade. Diego é bonito demais. Que sorriso! Que estrutura! Adoro ir ao Bramil. Adoro. Ainda mais quando está lotado. Uma das melhores coisas do mundo. A mãe dele é cabeleireira e o cabelo moicano do Diego é maravilhoso. Ele se veste tão bem. Sempre com cores claras. E um volume de bunda. Já falei que eu adoro ir ao mercado? E o meu humor no caralho dele. Ainda bem que eu tenho personalidade forte. Imutável.

Finalmente em casa. Compras na geladeira. No armário da cozinha e no armário do banheiro. O gato negro de Minas Gerais desceu com os cascos para buscar cerveja. Litrão. Skol. Bati umas frutas no liquidificador com gelo e água gelada. Rock ‘n’ roll das antigas rolando no meu MP3. Minha mãe me chamou para beber. Eu disse: “Não vou beber hoje, não”. Depois, Angélica, nossa inquilina do segundo andar, me chamou para tomar uma garrafa de vinho. Eu disse: “Não vou beber hoje, não”. Rock clássico na veia, suco de frutas e uma salada eram tudo que eu precisava. É tão bom ficar sóbrio. Muito bom. Acho que eu vou ficar assim para sempre.

Aí aquela delícia de Ébano tão boa quanto pão de queijo me chama com uma garrafa ainda fechada de vodka Absolut. Peguei copos. Gelo, limão, açúcar. Minha coqueteleira dos anos 50 (presente do Fabian) e fiz duas caipiríssimas. Peguei mais copos. Tomei cerveja. Depois vinho. Vou beber hoje, sim. Personalidade? Sou mutante. Como é que ele adivinhou que era tudo que eu precisava? É tão bom não ficar sóbrio. Muito bom. Acho que vou ficar assim para sempre.

Ele lembrou… Vagner. Vagner lembrou que era aniversário do Brasil. Eu ri. Ou melhor, eu dei uma gargalhada. Os portugueses estragaram tudo. Os índios viviam em paz por aqui (hum… mais ou menos). Lindos e perfeitos comendo raízes, frutas e peixes com formosos adereços e pinturas corporais. E com seus caralhos e bucetas à mostra. E faziam cunim! Os portugueses, aqueles filhos da puta, quiseram “civilizar” nossos nativos. E isso inclui uma estúpida religião e roupas europeias.

Por causa dessa burrice, hoje os bofes vão trabalhar de terno e gravata porque é mais “polido” debaixo desse Sol assassino. Se o povo da terrinha fosse realmente esperto e/ou tivesse na embarcação uma bicha estilista, hoje iríamos trabalhar de sunga Blue Man, colares da H. Stern, Havaianas nos pés e pintura da Natura de pupuaçú no corpo.

Aí lembraram que quando os portugas chegaram e viram as índias peladas, depois de meses sem ver mulher, eles fizeram a festa. Eu ri e engatei: “Com os índios também. Não se esqueçam que não tinha mulher nos barcos porque… hum… dava azar”. E lógico que eles não ficavam só na punheta. Rolava muito ajuntamento nefando e membro desonesto no vaso traseiro. É porque não contam, mas marinheiro Querelle tinha aos montes.

E bebe, bebe e bebe. Garrafas quase vazias. O que é bom dura pouco. Cléo no SMS me chamando para sair e, mais tarde, Rogério me liga para gente descobrir a Vila Isabel naquela noite. E entrar no meio de uma selva e experimentar uma mandioca.

E a Absolut acabou. Mas já? Eu para lá de Bagdá (Que país é esse?). Na mão do palhaço. Resolvi tomar um banho. E cometi um erro comum entre bebuns. Deitei um pouquinho para tirar um cochilo e desmaiei. E acordei no cú da manhã renovado. Cheio de roupa. Com a esperança de que alguém me descobrisse. E começasse tudo de novo a história do Brasil.

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