Eu quero sossego

Sossego é um negão pauzudo maravilhoso e forte que me seduziu e me comeu numa quebrada. Mentira! Tô brincando. Sossego é algo que eu estava merecendo depois de um sábado e domingo sem dormir. Sempre com um copo ou canudo ou um cigarro na mão.

Rogério ligou e pediu que eu descesse. Em vinte minutos, eu já estava lá. Peguei um copo e um litrão e cruzei as pernas. Ele tentou chamar o Fabian que, morto por causa da noite anterior, nem atendeu ao telefone. E nem retornou nossas ligações. E começar a beber de novo me atacou. Bati uma palma e chamei o Rogério para dar uma volta pelo bairro. Queria mala. Rogério também. Fomos atrás de um bar onde isso seria possível.

Bares na Rua Professor Moreira quase vazios. Bar do Carlinhos fechando. Bar da subida da Morada do Sol fechado. Bar do Léo Jack, nossa esperança por sexo e Skol 360 por menos de dois reais, também fechado.

“Vamos para a Maria Bonita?” Eu sugeri. E subimos para a Jaqueira. Já caçando uns dundas. Eu pelo menos estava caçando. No meio do caminho, uma garotada gritou com a gente. Expressões homofóbicas? Não. Não. Não. Um dos mais atirados até gritou “tô cobrando barato hoje, hein”. Num grupo sempre tem o mais atirado. Sempre tem.

Fomos parar num bar ao lado da Maria Bonita. Cheio de dundas e uma churrasqueira com carne queimando.  “Ah! Pega uma cerveja. E copos”. E paquerando. Até que o Ramon apareceu de carro. Queria um bafão para completar a noite. Entramos no carro dele e fomos atrás de um traficante confiável. E blá, blá, blá. Liguei para uma fonte que não me atendeu, mas o telefone toca e sempre alguém sabe quem tem um do bom.

Uma negona com um cabelo magnífico, que brigou com o namorado dentro do carro do Ramon, tinha um pó bacana. Voltamos para a Jaqueira para buscar a mapoa.

Casa do Rogério. Bateu-se um largatão para três. Rogério não cheira. Bebe cerveja e ouve música pop no DVD. A mulher reclamando da pancada que levou do namorado. Rosto bastante inchado. E falamos sobre violência contra a mulher. Bateu-se outro e levamos a mulher de volta para a Jaqueira. E de lá fomos de bar em bar a procura de mais pó e cervejas. Gente viciada! Rogério me conta que deu um beijo no Ramon. Depois Ramon me contou que deu um beijo no Rogério. Eu apoiando o romance dos dois. Até que no trailer do Wilson uma dupla suspeita com pinta de quem tinha alguma coisa boa encarava a gente.

Rogério foi até eles e comprou um de 20. E entra no carro do Ramon para cheirar tudo de uma vez só. Cheiramos e estava uma merda. Fomos reclamar. E o garoto devolveu o dinheiro. Milagres acontecem.

Ramon foi de carro com um dos garotos buscar uma parada descente enquanto o outro garoto foi para casa do Rogério esperar. Nisso, eu fiquei incumbido a pegar cervejas. Nesse tempo Rogério transou com o garoto. Quando eu cheguei à casa do Rogério, eles estavam estranhos. Feitura, sabe? Feitura.  Ramon não voltou. O garoto já tinha gozado e vazou.

Rogério não quis mais esperar e foi dormir, mas voltou quando amanheceu. E eu fiquei bebendo na varanda da casa ouvindo hip-hop. Amanheceu e eu estava esperando que um bar da Rua da Feira abrisse para eu tomar mais cervejas.

Um dunda, no estilo maridão, conhecido nosso passou com bolsas com frutas e legumes. Chamei-o para tomar uma cerveja comigo. Ele quis café. Rogério fez um fresquinho. E eu sosseguei, peguei uma xícara de café e larguei a bebida.

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2 comentários sobre “Eu quero sossego”

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