Trabalha (num) nêgo trabalha

Milagre. Arrumei um trabalho de DJ e aproveitei a oportunidade. Aquecimento do Grito Rock na terça-feira no bar Iluminados. Cheguei pelas 10 horas e a festa começava a pegar fogo. Toquei umas músicas para me familiarizar com a aparelhagem e foi a vez do Túlio Cássio tocar. Fui para mesa da Cléo tomar umas brejas. E, sim, fiz um garrafão de Ambrosia. O lado mais doce do paraíso. Do outro lado da Beira Rio, um dunda escândalo sentou-se num dos bancos. Muito me interessou.

O carro da polícia passou, parou e revistou o dunda. Por que será? O dunda escândalo ficou um pouco mais sentado por lá. E depois partiu para casa. Fui atrás. Assobiei para ele. Assobiei do meu jeito. Não sei assobiar. Ele olhou. Diminuiu os passos. Olhou de novo. Perto do Fórum, onde eu cansei de fumar um com o Sato, tinha um segurança. Merda.  Ele fez um sinal para eu segui-lo. E entrou numa rua deserta. E escura. Adoro escuridão. Para piorar tinha um vizinho na porta. Fazendo o que naquela hora? O dunda fez outro sinal de não dava por causa do cara. E eu acabei desistindo. Voltei para festa com o Túlio já me chamando pelo microfone.

Falei que estava no banheiro e ele me disse que em uma hora eu começaria meu Set list.

Tomei mais Ambrosia. Sorvete de Kiwi com aguardente de lima. E dancei igual um maluco. Sou da noite. Sou DJ, barman, prostituta, drag Queen… Finalmente, chegou a minha vez de tocar. Comecei com Janis Joplin. “Piece of my heart”. A Cléo foi uma das primeiras a assumir a pista de dança. O bom de tocar por último, é que a moçada já está sob o efeito do bendito goró.

Aí acabou a festa. Tivemos que encerrar mais cedo. Ai que droga. Sou capricórnio. Adoro trabalhar. Mas toquei um mash-up que estava me perseguindo. “Sou foda VS Like g6”. Também toquei Amy, Elvis, Beatles, Des’ree, The Who, Legião, The Cure, Thomas Gold e outros. A hora passa muito rápido. Não dá tempo de tocar nada.

Aí meu povo tava na porta. Bebendo e querendo a saideira. A saideira é pó. Eu tinha 50 aqués em casa e fui de motobofe buscar. O traficante entregou a mercadoria. Caprichada. E eu fui até o Café Rodoviária buscar uma garrafa de vinho barata. No caminho tinha três moradores de rua. Não resisti e fervi com eles. Um era de Sampa, outro mineiro e um de Salvador, Bahia. O mineiro me deu um mole. Fui com ele até meu povo. Não queria mais nada com cocaína. Queria os dundas, lógico. Ah! Sim. Os moradores de rua eram negros. E por que não seriam?

O mineiro cheirou a minha parte e eu voltei com ele para o lugar onde estavam meus objetos de consumo. Sentei-me entre o mineiro e o paulista. E as minhas mãos brincando com seus corpos majestosos. Tomei até a cachaça deles e fumei um cigarro de rolo. Eu tinha camisinha o suficiente para fazer uma orgia. E trabalhei, sabe? Na linha do trem. Trabalhei muito. E voltei para casa cansado e todo sujo.

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