A televisão me deixou burro

Nada de dormir. E eu lendo crônicas de novas escritoras nas revistas masculinas. Amanheceu. Liguei a tevê. Ia começar Doutor Dolittle 3 na Fox. Um roteiro horroroso. Uma freak que fala com os animais vai passar uma temporada de verão num rancho falido. Ela odeia a ideia. Ela odeia o lugar. Ela odeia as pessoas. E odeia ser o que ela é. Mas quando ela vê o dunda sem camisa tentando domar um garanhão… Ela adora tudo. Ela acha tudo ótimo.

O filme é uma merda. Censura livre. Tem momentos de aventura. Tem cenas de comédia.   Conflitos. Momentos de superação.  E final feliz com um beijo mixuruca (como é que se escreve mixuruca?) da menina Dolittle e o personagem Boo. Boo é a melhor coisa do file. Quem é ele? É interpretado pelo ator Walker Howark.

Televisão está cada vez pior. Ué, televisão já foi boa um dia? Já sim. O Eurochannel era um luxo. Passava o ciclo de todos os diretores franceses importantes. E os desenhos do Locomotion? “A Vida de Dolly Pond”. Ela se odiava. E eu adorava aquele desenho. E sem contar com os ótimos “How Art Made the World” e “O Poder da Arte”, ambos da BBC, o programa espanhol “Pinceladas de Arte” e, lógico, “Ecce Homo” da tevê canadense.

Hoje o que tem de bom? Sim, sim. “Rul Paul: Drags Racce” no VH1. Estreia hoje a nova temporada. E (assistir bêbado é ótimo!) “Man VS Food” no Fox Life. Ele come todas as porcarias, mas fruta que é bom, nada. Hoje o que mais tem na tevê é programa de culinária. E mais nada. Deixe-me pensar. E Rugby no Bandsport. Por causa da seleção queniana. Aquele uniforme apertadíssimo. E aqueles homens enormes. E negros.

Aí antes de terminar o filme, meu pai ligou pedindo que eu levasse a carteira dele para ele. Ontem, ele recebeu o pagamento, bebeu todas e subiu para tomar a saideira com o Didi e a minha mãe. Bebeu tanto que foi embora para casa e esqueceu a carteira com os documentos na casa da minha coroa. Então, eu fiz um café após aquele filme horroroso. A barba (minha inquilina quem fez), tomei um banho caprichado. Creme hidratante, desodorante Musk Marine. Uma delicia! Perfume no pescoço. Procurei por um short limpo e fresco e só achei o meu preto da Adidas (presente do Sato), uma camiseta básica preta, chinelos nos pés. Um acessório. Duas camisinhas no bolso de trás. Desci com a carteira.

No caminho, na Rua do Vocacional, um monte de dunda mexeu comigo. Disseram coisas do tipo: “Ai, se eu te pego”. Hum… O que eu quero com televisão? A vida real é muito mais emocionante.

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