Let’s Make Love and Listen to Death From Above

Mais cedo ou mais tarde, todo mundo é acometido pela tristeza. E vem do nada. Como um anjo triste perto da gente. Nessas horas é melhor se isolar, porque se você for pra rua, vai querer beber até cair e fazer vergonha. Mas o telefone toca. A tentação é grande. E você desce e cai num botequim fodido com um monte de homens uniformizados fazendo churrasco e ouvindo pagode.

Só que ele está ali. Aquela divindade de Ébano. Quieto num canto do balcão. E você sabe onde isso terminou da última vez. Numa deliciosa volúpia. Você bebe. Você é um alcoólatra. Pinta o cacete com os bofes do bar. Come o churrasco. Você nem gosta de comer carne. Dança a música de gosto duvidoso. E uma hora, tarde da noite, enjoa de tudo e mete o pé. Com um copo na mão.

E ele te segue. Você o quer. Ele idem. Você finge que vai urinar num canto da praça. Ele faz o mesmo. E um ao lado do outro com os instrumentos a mostra, combinam o local para matarem a saudade. Sua casa é mais próxima e é para lá que vocês vão. E quando finalmente vocês ficam a sós, tudo o que você quer é cair naqueles braços musculosos. Músculos construídos por um trabalho quase escravo. De quem teve poucas oportunidades na vida. E estudou pouco também. Mas você quase o ama. Eu diria que você tem adoração por aquela criatura.

Você quer provocá-lo e com a desculpa de que está muito quente, tira a camisa de forma sexy. Você nem é tão bonito. Quer dizer, você não é o que a mídia considera belo. Você é um idiota, mulato, magrelo, de cabelo crespo mal penteado. Mas tem uma segurança que milhões pagariam para ter. Querido, você é especial.  Você é uma pessoa singular. Inteligente, criativo, sensual da sua maneira. E vai atrás do que quer. Mete as caras. E o que é a vida, se você não meter as caras?

Ele está te olhando tirando a camiseta. Eu acho que ele gosta de você. E você liga o som para criar um clima. Uma amiga que estudou letras em Juiz de Fora e escreve belas poesias e te atende sempre que o desgosto te incomoda criou um CD perfeito para essas ocasiões. E então, você que além de escritor é barman, vai até a cozinha e prepara duas caipirinhas. O que seria da sua vida sem sexo e álcool?

Ele não bebe nada além de cerveja, mas a ansiedade do que poderá acontecer naquela noite de fim de março o obriga a saborear nosso mais famoso coquetel.

E tudo cheira a sexo. E é o melhor momento da noite. Quem vai atacar quem primeiro? Que dilema! Ele é tímido. E você é atrevido. Seus pensamentos estão nele. E você brinda com ele pelo episódio. A música entusiasma. É Chico Buarque. Uma das composições mais eróticas do universo. “Tatuagem”. E você não resiste e “reclama” do calor e tira a calça e troca por um short de verão. Pergunta se ele quer um short mais fresco também. Ele é tímido. Não consegue responder. Você, abusado, tira a camiseta dele. E desliza a mão direita no peito e barriga dele. E diz: “Muito quente”. E bebe a caipirinha. Toca no cinto dele. Você adora fazer isso. E puxa devagar aquele objeto de couro. Desabotoa a calça jeans. Deixando a mostra uma belíssima cueca de algodão. Mas não tira mais nada.

Você quer beijá-lo. E passa a mão pelo pescoço dele. Olha bem pro olho dele e pergunta: “Mais caipirinha?” E sai com os copos até a cozinha.

Depois se senta ao lado daquela delícia e diz uma indecência sobre a cor da pele dele. O álcool o obriga a dizer para que ele tire a calça. Ele obedece. E você tira o short fresco. Os dois quase nus. Com seus sexos como grandes rochas. E depois de se olharem por um tempo curto, incide o beijo.

Copos no chão e corpos em chamas na cama.

foto: http://www.modelmayhem.com/513091

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