Like a Virgin

Fui dormir tarde para caralho. Bêbado. Me acordaram no cú da manhã trazendo meu computador que estava em manutenção. Porra! Quem será o veado sem mãe que veio me acordar a essa hora? Eu vou matar esse desgraçado.

Abri a porta. Puto da vida. Era um dunda.

Ai, gente. Bom dia gatinho. Bom dia mundo. Bom dia mulheres desse país fabuloso. Bom dia sol na minha cara. Bom dia sol da manhã porque faz bem para pele. Como é que ele adivinhou que eu adoro acordar cedo? Principalmente depois de beber todas? Vou fazer um café.

Um dia antes, estava ouvindo New Young Pony Club no Youtube. Mentira! Ouvia Soulja Boy quando umas amigas bravas da minha galera rock’n’roll, uma loira e outra morena me chamaram pelo Facebook para tomar umas cervejas. Como recusar um convite tão importante? Já off-line, fiz dois litros de batida de maracujá. Peguei o rua K e em 15 minutos já estava no centro.

Da Praça da Autonomia fomos para Avenida Beira Rio. Esvaziamos a garrafa em minutos enquanto paquerávamos os bofes que corriam em busca da boa forma. Bom, eu paquerava. E fomos ao Bramil buscar mais bebida porque dois litros era pouco para a nossa noite. Somos umas bêbadas. Solteiras, fortes, independentes e bonitas.

Aí a morena tinha dito uma coisa que me assustou mais tarde. A morena era a Cléo. Ela falava sobre o mito da Cinderela e que talvez essa história de que cada um tem um príncipe esperando pela gente não passe de balela. E que alguns nasceram para serem solteiros. Sabe? Será que nem todos terão amor nessa vida?

Fui para casa sem dinheiro, bêbado e deprimido. Lógico, com uma garrafa de drinque e um copo na mão. Pensei em passar na casa do Marquinhos onde o Fabian estava, mas me faltou coragem. Vocês sabem: Ele é o amor da minha vida. Uma vontade de chorar. Pensei até em passar na casa do Maninho. A gente teria aquele sexo ruim e talvez eu esquecesse um pouco de tudo

 No meio do caminho eu encontrei com um dunda escândalo que não me deu a menor ideia.  E na subida da Morada do Sol, bar do Chiquinho lotado de bofes, 70% de negros, encontro com a Lucimar que me cumprimentou com um sorriso largo. De quem quer dizer: Senta aqui que eu tenho cerveja. Sorri para ela com um “olá”, mas sem um puto no bolso, como é que eu ia sentar lá com ela? Explorá-la? Não. Já me basta ser um idiota bêbado, pobre e bêbado, fracassado sem amor.

Porra! Deus não dá asa à cobra, né? Ainda mais para uma cobra homossexual. Na minha rua, eu desabei a chorar. Tomei um gole da bebida e desabei a chorar. Nunca terei amor. Nunca serei amado.

Passou um dunda, vindo da rua N. Deve ter me visto chorar. Eu olhei para ele, mas eu estava tão arrasado que só pensava em ir para casa. Só que ele entrou na parada de ônibus e saiu em seguida. Ah! Não! É pegação. O dundum tá me pegando. Fui atrás.

Disse uma bobagem para alcançá-lo. Ele parou. Já estava desacelerando os passos quando percebeu que eu o seguia. Ele foi gentil. Sabe esse papo: “Está indo para onde, gatinho?”.

Ele estava andando de bobeira. Aí eu disse: “Eu também. Quer ir lá pra casa?”. Ele nem hesitou. E me seguiu.

Geralmente, quando eu arrasto um negão (ou um neguim) para minha casa, assim que eu tranco a porta, eu voo na mala. É isso que eles querem mesmo. Mas eu tinha uma novidade no meu muquifo. O bofinho era evangélico. Como é mesmo que fala crente na gíria das bichas? O bofe era de ori. Fui uma santa e conversei com ele primeiro. Olha, como as pessoas mudam, né menina? Eu conversando…

Ele falava só de Jesus. Ele tinha ido mais cedo à igreja e estava andando e… Analisando o que o pastor falou naquela noite. E eu dando pinta. Uma hora aquele papo de “orai e vigiai” me enjoou. Ê, ê. Sou da macumba! Eu disse: “Que calor”! E tirei minha T-shirt. Ele concordou e tirou a camiseta também. Minha mão prostituta no corpo dele. “Você malha?” eu perguntei inocentemente. Ele falou o que fazia e perguntou a minha profissão.

“Sou escritor de contos eróticos”. Foi o que minha mente, já completamente condenada, pode dizer.

Ele então contou uma história sobre a igreja. Vocês sabem: falou de repressão. A igreja evangélica é a nova inquisição. Lá veadagem não tem vez. E ele foi dizendo que tentam “empurrar” uma esposa para ele e ele não… Hum… Dá certo com mulher.

Eu: “Talvez você queira outra coisa”.

Ele: “E você, tem namorada?”

Eu tomei um gole do goró antes e: “Olha bem para minha cara. Você acha que eu gosto de mulher?”

Ele mudou de assunto. Ofereci uma água para ele. Ele aceitou. Tomei água com ele. Contei minha experiência com religião para ele. Antes disse que religião é muito importante, mas… Eu usei a palavra “bêbado” ao invés de “bicha”. Eu disse: “Eu sou um bêbado. E bêbados não são bem vindos nas igrejas”.

Ele contou outra história. De como ele foi parar na… Na igreja lá do R. R. Soares. Depois de passar por outras cinco igrejas. Ele terminou dizendo “sabe, eu nunca tive vez”.

Eu já estava totalmente entregue ao dunda. Tava na hora de fazer. Pelos poderes de gay que sou. Hora de pegar na mala. Lógico, peguei no cinto dele e perguntei onde é que ele tinha comprado um cinto de lua e estrela. Ele não sabia de como aquele cinto foi parar ali. E eu roçando a mala. Tava quase pronta. Aí ele assustado falou sobre sexo comigo. Ele quase disse que era pecado, mas usou uma palavra da Bíblia. Qual? Alguém que convive com evangélicos pode me dizer qual era a palavra?

Eu: “A única coisa que eu não aceito é sexo com crianças. Pedofilia para mim não rola. Criança tem que brincar e estudar. O resto pode tudo. A gente tem fazer o que tá com vontade. Você está me entendendo? Sentiu vontade, faz. No fundo, no fundo, mais cedo ou mais tarde, todo mundo encontra alguém”.

Aí, ele que era bem novinho, tirou do bolso a carteira e me mostrou a identidade e o certificado de reservista pra provar que era maior de idade. Quenda! Queria fazer, ué.

Hum… Tirei a minha calça e depois a dele com a desculpa de que ainda estava muito quente. E peguei no pau dele.

Ele: “Vai devagar que é a minha primeira vez”.

Minha Nossa Senhora da Homossexualidade! Confundi até as religiões. Me segura que eu vou ter um negócio. Não. Não. Não e não. Um virgem na minha cama, não! Deus existe e dá asa a cobra. E pra cobra gay, ele dá asa, salto alto, maquiagem e KY. Não. Não, gente. Um virgem na minha cama não. Tomei até um golão de bebida. E fiz de tudo para ser o mais carinhoso possível.

Pensem vocês comigo: Imaginem que eu, a vida inteira, joguei na loteria. A vida inteira. E finalmente ganho o prêmio da Mega Sena. Acumulada! Essa foi a minha alegria. Imaginem até que eu estou lá na Caixa Econômica pegando meu prêmio.  Aquela nota preta! Numa mala preta. O que fazer quando ele pede para ir devagar?

Passei a mão no seu cabelo. Elogiei e ele perguntou se eu queria que ele se deitasse. Nós na cama e minha mão nas piores partes do corpo. Dou um beijo nele. Ele não sabia beijar. Era virgem de beijo também?

Depois de uma sessão de beijos e mãos em todo corpo, estava na hora de escolher quem comeria quem. Sobrou para mim. Ele queria ser possuído. Coloquei a camisinha no meu pau e passei um creme para facilitar a… Introdução. Fui muito gentil. Gentileza gera gentileza também nessas horas. E passamos bons momentos naquele vai e vem.

Antes de amanhecer, ele foi embora. Levei meu ex-virgem até a esquina.

Ele disse: “Paz do senhor, irmão”.

Amém.

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Um comentário sobre “Like a Virgin”

  1. Amigo, realmente acredito que algumas pessoas não nasceram pra esse lance de ser dois. Costumo dizer que sozinha eu não dou muito certo, pois ando enfadada de mim tbm, mas acompanhada, duro menos ainda. A paz…

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