As Mentiras Que os Homens Contam

Aniversário de uma amiga bravíssima no centro da cidade. 30 e poucos anos. Churrascão na área da casa dela. Muitos bofes. Um monte de viciados. Cheguei lá pelas nove e antes que eu dissesse feliz aniversário, ela já me disse que tinha um babado guardado para mim.

Não perdi tempo e fomos para o quarto dela. Fiz o canudo. Ela bateu uns largatões. Mandamos ver.

Na festa, bebi, fumei, cheirei, chupei uma mala. Usei todas as drogas disponíveis. Não comi porra nenhuma. Nem o bolo. Acho que quase ninguém comeu. Aí uma galera desceu para tomar a saideira no Café Rodoviária. Eu segui.

Passou um tempo, o povo queria buscar mais e eu já estava entupido. Peguei um latão e parti para a Vila Isabel.

Na Manoel Pinheiro, o carro da polícia passou e parou quando me viu. Eu quase comendo a orelha de tão travado. Morrendo de medo.

Era um policial negro. Sozinho no carro. Desceu e perguntou o que eu fazia por ali naquela hora. Respondi que estava indo para casa. Ele perguntou depois onde é que eu morava.

Respondi: Moro aqui perto mesmo.

Você sabia que é perigoso andar por aqui essa hora?

Eu sei. Já apanhei bastante na rua.

Ele disse: Entra aqui que eu te levo até em casa.

Estava louco e não tenho nenhum amor pela vida, entrei com a minha lata de Brahma na viatura.

Dentro do carro, ele perguntou se eu tinha cheirado ou fumado alguma coisa.

Eu disse: Não faço essas coisas, não. Só bebi.

Bebeu muito?

Mais ou menos. Eu não sou de beber muito, não.

E então você mora sozinho?

Eu disse: Não. Moro com o meu namorado.

E ele não liga de você sair sozinho?

Ele é um amor comigo. Loiríssimo! Adoro loiros.

É. Você gosta de loiro?

Adoro. Acho que são os mais bonitos.

Ele disse, maliciosamente: É porque você nunca experimentou um negão.

Nunca tive vontade. Nunca pensei nisso. Não vejo fotos de negros nem na internet.

Ele se calou por um momento. Depois voltou a falar. Ele disse: Você sabia que todo negão é pirocudo?

Isso é pura lenda, eu disse. E o Rocco Siffredi é loiro e tem uma piroca imensa. E tomei um golão da minha Brahma.

Ele pediu um gole e eu neguei dizendo que dirigir e beber não combinava. Então completei: Se você quiser, tem cerveja lá em casa.

E seu namorado? Ele não vai ligar se eu for lá na sua casa?

Eu disse: Ele está trabalhando.

Na porta da minha casa, ele saiu do carro e disse que ia me ajudar a abrir a porta. Ele pegou as chaves da minha mão e abriu a porta roçando o corpo dele no meu corpo e entrou antes de mim. Entrei também, acendi a luz da sala e fiquei olhando para ele enquanto ia até a cozinha pegar uma cerveja, dois copos e o abridor.

Ele tirou um bagulho do bolso. Servi ele com a cerveja, que estava bem gelada. Brindamos e ele apertou o baseado. Acendeu, fumou e passou para mim. É bom para relaxar, ele disse e sorriu. Dentes branquíssimos.

Eu disse: Nunca fumei. Como é que se fuma?

Ele me ensinou como na música do Gabriel o Pensador. Fumamos, bebemos. Coloquei um MP3 para ouvir. Eu perguntei se ele gostava da música e ele disse que era fã da Amy Winehouse. Uma pena ela ter morrido tão jovem, ele completou. Eu falei que tinha o CD e que estava no meu quarto.

Pega lá para gente ouvir.

Entrei no quarto e ele foi atrás com o copo na mão. Me virei. Dei com ele colado em mim. E a gente se beijou.

Fonte da fotodo canto John Legend: http://bwoodchronicles.blogspot.com/

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