How To Disappear Completely

Adele ainda domina as paradas musicais. Pé na bunda vende. Sofrimento também. Meu vizinho ouve todo dia no último volume o DVD. E esperando o M de Moda começar, liguei a maldita TV uma hora mais cedo com medo de perder o horário do programa. MTV Hits passava o premiado vídeo de Rolling in the Deep. TV me enjoou. Liguei o rádio. Adele na 92,9. E quando o programa de moda começou, uma surpresa: mais Adele. Primeiro um especial da semana de moda nova-iorquina, depois moda plus size. Aí sim Adele num editorial pra Vogue e finalmente ela cantando ao vivo a música de 2011. E ela estava linda de Clements Ribeiro. Viram? Um brasileiro veste a musa Adele.

Fabian tem o disco. É um sofrimento só. Um sofrimento que só os ingleses sabem ter. Será que é o tempo que faz lá que mexe tanto com o humor dos britânicos?

Eu lembro quando ainda era um enrustido (jurava de pé junto que não era gay) e ouvia todos os sofredores. Inclusive na música eletrônica. E chorava. Desabava a chorar. Estava aprendendo inglês com o CCAA. E entendia o que eles cantavam e sofria. Achava que nunca ia acabar.

Foi uma merda a adolescência.  Eu que sempre fui um NERD angustiado com tudo. Querendo resposta para tudo. E morrendo de medo de ser o que eu era. E lia feito um louco e via filme desesperadamente. Viajava como quem ia morrer a qualquer momento. E ouvia as músicas de artistas ingleses. The Smiths, New Order, Radiohead, Placebo…

Eu devia ter dito: Ah! Quer saber? Sou uma louca, uma deusa, uma feiticeira. Mas o histórico de bullying me congelava. E os poucos amigos que eu tinha, iam embora prum lugar melhor (que fique claro: pra uma cidade melhor). Então, começaram as crises e as ideas de suicídio. E um longo tratamento psiquiátrico.

Adolescência é um erro. Sempre digo isso. A gente só sofre. Se eu tivesse um amor de verdade, talvez doesse menos. Mas ele nunca aparecia. E eu não tinha coragem de me assumir. Eu sempre soube que era gay. Acho que a gente sempre sabe.

Então eu conheci o Fabian e quase ao mesmo tempo o Tiago Macedo que eram assumidíssimos. E resolvidos. E eu numa época de que era bissexual. Eu achava que assim as pessoas iam me aceitar melhor. O Tiago brigava comigo: “você é bicha, veado. Para de show”. Eu não conseguia admitir. O Fabian me exigia militância. Ele, que é casado com o Marcelo há 20 anos, sempre levantou bandeira. E aí os dois leram quase ao mesmo tempo o livro que mudou tudo: Devassos no Paraíso, do brilhante João Silvério Trevissan e eu li em seguida e a partir daí sofrer me cansou. Angústia me cansou. E eu fui mais feliz. Assumidíssimo. Uma bicha. Uma superbicha.

E aí depois de sair do teatro no último sábado, fui para o jantar de aniversário da minha irmã evangélica. Sentei-me na varanda com uns primos. E ele estava na sala. Quando eu olhava para ele, ele me olhava. A gente se flertou por toda a noite. E quando nós estávamos no videokê, ele tocou gentilmente a minha mão num sinal claro de quem me quer . Aí, ontem quando conversava com a minha mãe, ela disse que percebeu ele me olhando. Perguntou qual era a dele e tudo. Ela disse: “acho que ele gosta de você. A gente nota”. E eu voltei a sofrer. Bastante.

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