Clube dos Mal Amados

O mundo é pequeno. E Três Rios é menor ainda. Saindo da Lan House do Jefinho, passando pelo bar do Carlinhos, alguém gritou “Artuzinho”. Era ele. Meu puxador de samba favorito bebendo uma gelada. Fez um sinal para mim. Estava com óculos na cabeça. Acho deselegante. Poderia ter pendurado na camiseta. Resisti à tentação e só fiz um sinal em retorno. Vazei para a minha casa. E fiquei inquieto. Arrumando uma desculpa para descer.

Telefone tocou. Era um ex-amor que ligava do centro da cidade. Queria fumar um comigo. Disse que ligaria de volta em vinte minutos quando estivesse na Vila. Aproveitei e fui elegantemente ao toalete dar uma cagada para garantir e tomei um banho caprichado. Coloquei uma roupa bacana, dinheiro e camisinha no bolso. Esperei. Esperei uma hora. Depois duas. Fiquei puto e tentei dormir.

Dia seguinte minha mãe bateu na minha porta e me chamou para sair. Tinha pouco dinheiro e ela também. Ela disse: é só beber pouco. Ela disse o quê?

Repeti o ritual de sexta, porém fiz a barba. Odeio fazer a barba. E descemos de carona com o Valdir. Minha mãe tinha um encontro marcado. Esperou por sete minutos. Era o seu bear. Roberto. Camiseta aberta e os pelos todos para fora. Fomos atrás de uma barraca que vendia Skol. Dez reais, quatro latinhas. Sentamos na arquibancada pra ver o desfile.

Então lá do alto do carro alegórico meu ex-amor gritou meu nome. Todos olharam para mim. Filho da puta. Minha mãe não se sentiu bem, deixou o bofe dela por lá e fomos beber em outro setor. Bebe aqui, paquera um pouco. Vi um dunda… Era uma Barbie de dar inveja ao (blog) Troy. Adoro barbies. Eles são bons de ver e péssimos de cama. Babei e para esquecer ele, bebi mais. E mais. E mais. Não estava mais pensando naquele Deus, mas bebi porque sou alcoólatra. Enfim. O bofe da minha mãe ficou bêbado e foi embora para casa. Nós não. Minha mãe fez uma proposta indecente: vamos tomar um quente? Eu respondi: lógico. Procuramos uma barraca e achamos uma que vendia batida de coco. Bebi um copo. Demos uma volta. Depois outro. E outro. Fomos parar lá no Caçulinha. Eu conversando com as bichas na mesa e a minha mãe ganhou outra cerveja de um homem interessante no balcão. Não seria a primeira.

Voltando para a avenida, eu disse: que carnaval maravilhoso!

Um dunda atrás de mim soltou: está falando comigo? E sorriu.

Não estava, mas agora eu queria falar. Minha mãe me empurrou. “Ele fuma crack”, ela disse.  E eu “e daí?”. Estava com tesão por ele. Ele fez sinal para eu segui-lo. Minha mãe não deixou. Mulher sempre atrapalha.

Avenida. Encontramos com mais gente. Minha mãe ganhando cerveja. Muitas. Ela é loira e gostosona. Ela sempre ganha cerveja. Voltamos para a barraca da batida e compramos uma garrafa inteira. Ah! Ganhei flores do Alan Castilho. E estávamos bebendo na avenida quando um ex da minha mãe ofereceu carona pra gente.

Me levou primeiro e me deixou no meio do caminho. Aproveitei e fui para a casa do Manhinho. Que estava com outro homem. Que ódio! Terminei de beber com ele e disse (devia estar bem bêbado) que a minha mãe não gostava que eu frequentasse a casa dele, por causa do pessoal que fumava crack lá. Ele disse que já diminuiu a galera e que aquilo ia acabar. Combinamos então de fumar um baseado outro dia. Ele disse: qualquer dia que você quiser. O “amigo” dele foi dormir e eu desci puto. Tava a fim de fazer o Maninho de novo, mas…

No caminho encontrei o Pokémon que precisava de alguém para inteirar no seu babadinho. Não tinha e nem queria fumar nada. Ele encontrou com um gatinho moreno e eles foram. E aí um ritmista da Mocidade passou e fez sinal. Segui e recebi um toco.

Fui para casa deprimido. Quase chorei de tanta raiva. Quis chorar quando cheguei em casa e já era de manhã. Quase chorei, quase. Porém, abri minha pasta de CDs e encontrei com uma mixtape que a Cléo gravou para mim. Ouvi. Dancei. Me animei. Música é a coisa que eu mais gosto no mundo. Ah! Fodam-se os homens.

Modelo desse post: Lamar Mccall. Portfolio: http://www.modelmayhem.com/685308

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