Curra, Lola, curra

Não via a Cléo faz um ano. Não estava saindo. E sexta, combinamos de nos encontrar no camelódromo. Ela desceu linda do Cantagalo. Maquiada, colar no pescoço, skinny jeans e bota All Star. Passamos na padaria do Bramil. Escolhi um vinho e ela uma garrafa de Contini. Fomos para a Beira Rio.

Ela trouxe um livro de poesia. Vento leve. Falamos de amor, depressão, remédios, direção de automóvel, faculdade, dúvidas sobre nossos destinos. Partimos ao encontro de Tommy e o jornalista Heberth. De lá fomos ao calçadão da boemia. Falamos de drogas.

Eu dou dez, disse. Então conversa rápida com X, bafão, canudos. Outro bar e caminho de casa.

Joseir morreu. Quatro e meia e eu fiquei de aparecer por lá. Fui. Ninguém no velório. Segui minha vida. E de repente senti um soco bem dado no queixo. Desmaiei. Lembro do corpo de bombeiros me socorrendo. Hospital.

Fugi do hospital. Caminho de casa até o ponto de ônibus complicado. Tinha que explicar o que era aquele sangue todo na roupa e rosto deformado. Ônibus, casa. Minha mãe apavorada. Foi segunda conversar com a assistente social do hospital para saber o que aconteceu comigo.

Recebi a visita de Fabian e da Cléo e de mais um monte de gente. Quando minha mãe chegou, ela tinha uma história para contar. Disse que eu fui atacado por uma gangue do Purys. Cinco meninos. Um deles amante do Joseir. Que eu não era o primeiro. Uma bicha teve uma arma apontada na cabeça. Que me bateram muito. Que eles tinham um lema “Bicha tem que morrer”. E etc. E etc.

B.O. inútil.  Já me cansa falar nisso. Em uma semana o rosto melhorou. E eu já estou preparado para o round 2.

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2 comentários sobre “Curra, Lola, curra”

  1. Pois bem, como sempre, é mto bom encontrar contigo e poder trovar sobre o que quer que seja, pois sempre há muito para rir, filosofar, poetizar… sobre qual efeito seja… rs Depois de um ano sem nos vermos, como você disse, foi ótimo ter te reencontrado até receber a ligação de tua mãe me contando do fato ocorrido… Sinto mto e, como te disse qndo te visitei, embora eu me sinta como um barco em alto mar com as palavras, sobre esse tipo de coisa me faltam palavras…

  2. Violencia não faz sentido algum. Esses fatos que ocorrem com vc, me corroem a alma. Fico triste, combalido, ao mesmo tempo me dá vontade de denunciar estes idiotas e vê-los presos pela vida toda. Espero que este round 2 seja um round de felicidade, uma viagem talvez…ou um namorado novo. Vivemos em guerra mas o amor dos amigos é incondicional. Adoro vc. Saudade!
    bjs, Sato

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