Cozinha chic

Laurita, a cozinheira da clínica, pediu minha ajuda para descascar umas cabeças de alho. Fiquei de dez até as três descascando alho na cozinha e ouvi uma coisa boa dela.

Ela trabalhou num desses prédios da Avenida Beira Rio como cozinheira. Preparou 34 pratos diferentes. E disse: tem gente que quer fazer uma coisa e foge do trabalho duro. Eu não. Sou cozinheira e assim serei. Não fujo de trabalho não. Lá em casa tem tudo. Geladeira, freezer, computador, televisão de LCD. Comprados pelo meu trabalho de cozinheira. Quem quer uma vida folgada nunca terá feito nada de bom. Sem sacrifícios a gente não consegue nada. Não conquista nada.

Ganhou meu respeito e estava na hora de almoçar. Cardápio: arroz, feijão, carne moída com salada de alface e tomate. Uma delicia.

Almocei e voltei pro trabalho. Ganhei uma fruta e suco de sei lá o que. Minha mão estava machucada por causa da faca, mas eu jurei que só sairia de lá com todas as cabeças descascadas. Arrumei uma ajuda voluntária de outra paciente do CAPS e o serviço seguiu com ritmo. Compramos picolé. O meu de goiaba. Calor insuportável. E mão na massa. Na última cabeça, eu já estava celebrando a minha missão. Uma última vasculhada pra ver se sobrou dente de alho. Serviço pronto.

No caminho pra casa eu me senti feliz. E pronto pra mais uma batalha.

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