O inverno fugiu

Dizer que há inverno no Brasil é uma lenda urbana. Frio é uma coisa que eu nunca vi por aqui. No Rio de Janeiro. Ah! Mil desculpas. Eu estudei publicidade em Petrópolis e passei férias num festival de inverno em Teresópolis. Cinco graus. Merecia um casaco.

Duas peças do meu guardaroupa (agora é assim que se escreve, né?) forma bastante caras para mim. Meu risca de giz italiano. Azul marinho. Azul da cor do fundo do mar. Tão poético. E aquele suéter de cashmere. Ele combinava com tudo. História linda. Feito de uma ovelha lá da puta que o pariu. Eu passei cinco dias com o mesmo casaco. Como em Uniform Project. Eu acho que o Fabiano Morais nem percebeu. Meu amigo mais velho. De 28 anos. 17 de dezembro. Na numerologia ele é 11. Alguém que sempre buscará respostas para o sentido da vida. Passará a vida inteira estudando. Fabiano, meu querido, tem que viver também. A vida só se dá para que esse dedo. Caminhar sobre o Largo do Machado ou se trancar lendo Machado? Por que não os dois? Ao mesmo tempo?

Fabiano é a minha referência de masculino. Dentes perfeitos. Um moreno que entende de poesia, trabalha com poesia. Sabe fazer poesia. Mãos bem tratadas. Cabelos bem cuidados. Óculos.

Óculos. Alguns estudiosos acreditam que Stonehenge foi construído porque um forasteiro seduziu uma população inteira com um acessório de metal. Uma tiara de cabelo. Os acessórios são moldados para demonstrar poder e inteligência. O que os reis e rainhas usam são chapéus. Mas a gente diz que eles foram coroados. Coroa. A coroa da princesa é uma tiara de esmeralda ou um chapéu de esmeraldas? Em tempos de recessão, crise (crise de que?) a grande aposta dos fashionistas são os maxiacessórios. Colares gigantescos e pulseiras monstros estavam em todos os desfiles. E óculos. Muitos óculos para o verão. O grande verão da sua vida. O verão de rei.

Dizer que há inverno no Brasil não é uma lenda urbana? Mas eu adoro aquele pulôver da Ralph Lauren.  Skinny jeans. Dark skinny jeans, All Star, sacola, lenço francês e camiseta preta de banda para disfarçar. Gincana do CAER. Último dia de gincana. 18 graus. Aquecimento global. Noite. Pulôver da Ralph Lauren. Puta que o pariu…

Eu ajudei. Eu sempre ajudo. Eu ajudei a equipe Vila Furacão na construção do cenário da dança final. Ganhamos. A gincana e a tarefa. Tomei um porre de Chivas na festa da vitória.

Ele chegou em mim. Eu não podia sair. Estava marcando lugar para o cenário. A tarefa era sobre Atlântica. Fundo do mar. Em um dos pontos, onde a plateia surgiriam ondas. Balançaria um lindo tecido azul. Ele disse que queria fumar um comigo. E que separou um vinho para mais tarde.  E a equipe dele perdeu. É broxante. A barba nem cresce direito no dia seguinte. E eu sou um viciado em trabalho. Eu tinha um compromisso com a equipe. Não era obrigado. Era um agradável trabalho voluntário, mas todo trabalho é voluntário. Trabalho forçado é escravidão. Fiquei até p fim. Até ser elogiado pelos chefes de equipes. Esperava meu pagamento: aquele muito obrigado por sua dedicação. E a cervejada. Lógico. Comemorar vitórias é o mesmo que se apaixonar. Incendeia.

A paixão faz você pegar fogo. Portanto, deixe as florestas em paz. Tenhamos inverno.

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