Viado é viagem

pasolini_gcColori na gíria GLBTT é maluco, louco. Apesar de o meu queridinho ter um bordão, foi a palavra mais usada por ele naquela noite. Ele me desafiou a escrever um texto sobre loucura. Adoro desafios, mas não sou de obedecer a porra nenhuma.

Ele me ligou. Disse que estava com um amigo e um baseado apertado. Ligou duas vezes, esteve aqui em casa mais cedo me procurando também. O que essa merda quer comigo? Subi para ver.

Casa dele, ele já me esperando no quintal. O amigo era negro. Não um neguinho qualquer. Um garoto da minha altura, porém forte. Barriga tanquinho. Esses meninos gostosos que circulam em blogs, como o meu favorito Troy (link está aí ao lado). Acendeu o bagulho, um incenso de São Jorge e fumaça. Eu sentado ao lado do gostosão numa cama de solteiro. Desprezando o cara e só tendo olhos e ouvidos para minha delícia. Minha nova paixão.

Droga e paixão são a mesma coisa. O efeito passa. Às vezes rápido. Descemos. O negão vazou. Eu nem me importei. Uma volta pelo bairro. Nos sentamos num lugar novo para conversar.

Resumo da ópera: ele disse que era melhor que fossemos só amigos. Eu respondi que tudo bem. Ele: mas existe amizade colorida. Gosto de preto, eu disse. Ele riu. Depois eu: então posso ficar com seu colega? Ele é gostosão!

Não! Ele disse três vezes. Você é colori, Artur. Não pode.

Ciúme, né? Essa história de amizade não vai dar certo. Tudo bem, tenho paciência.

Ele me falou de sua busca pelo poder. Sua vontade de ficar rico. Da tentativa de suicídio. Ele acredita que ganhar na loteria e se matar dá no mesmo. Achei a teoria fantástica. Ele perguntou se eu tinha medo da morte.

Depois da quantidade de vezes que eu apanhei na rua, vou temer o que mais?

Você ficaria com medo se eu quisesse te matar?

Você quer me matar?

Pelo menos cortar sua garganta. Te deixar mudo.

O modo mais comum que as bichas foram assassinadas no Brasil. Estrangulamento. A cena é repetitiva. A vitima é encontrada geralmente nua ou de underwear, com os pulsos amarrados. Né, Botton Neto? Parece que assim se cala sua própria homossexualidade. Todo homem mata aquilo que mais ama dizia Wilde.

Quer me estrangular? Perguntei oferecendo o pescoço. Ele repetiu que eu era colori e mudou de assunto.

Miguel subiu bêbado. Cantando. Feliz. Conversou. Gritava! Deixe que falem de mim. Eu não me importo. Loucos são eles. Tem língua que só serve para falar dos outros.

A minha língua é boa para beijar.

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