Absolut Water

carroChove para caralho. E parece que ainda choverá mais. E mais. E por toda a eternidade. Foda-se. Pode chover a vontade.  Eu gosto de água. Eu gosto de chuva. Eu gosto do tempo do jeito que ele quiser estar. Acho dias ensolarados incríveis também. Adoro ver as pessoas suadas, quase nuas. Mas se estivesse um sol de rachar, um sol “ih! Peguei câncer de pele”, as pessoas iam reclamar que não chove. As pessoas adoram reclamar e fingir que estão chocadas. Enchente em Minas Gerais, o rio Paraíba do Sul transbordou, tragédia em santa Catarina. Tragédia? Teatro? Teve teatro em Santa Catarina? Coitados dos gregos.

Assistia ao Jornal da Band com meus pais. Meu pai que leu O Globo pela manhã fez uma observação boa: eu não entendo. Como que uma empresa que vendeu milhões de carros durante anos de repente em um mês entra em crise. E o lucro que eles tiveram esses anos todos? Enfiaram no rabo? A reportagem era sobre a crise da indústria automobilística ao redor do mundo.  Diminuições nas vendas e na produção e aumento nas demissões dos funcionários. Respondi com uma palavra: pesquisa. Empresas como a WSGN e outras e outras fazem pesquisas. Projeção de vendas, analisam hábitos dos consumidores para os anos seguintes. O que iremos consumir daqui para frente. Será que a gente ainda quer ter carro? O mundo tem um bilhão de automóveis nas ruas. São Paulo tem seis milhões. Engarrafamento toda hora. Ter mais um Peugeot vai facilitar sua vida? As pessoas andam sozinhas nos seus carros. Onde está a Caloi? As propagandas da Caloi? Não está na hora de andar de bicicleta? E depois as pessoas não entendem as crises. Eu tenho mil problemas e não consigo resolver. Já que a Caloi não toma posição, indústrias de objetos sobre rodas produzam suas próprias bicicletas.

Minha mãe passou a loja dela. Depois de muitos anos trabalhando com embalagens, ela se cansou e quer férias. A senhora que ficou com a loja adorou conversar comigo. Pediu umas dicas e me perguntou se era uma boa investir em embalagens. Lógico que é uma ótima. Se embalagem não fosse importante o mundo da moda seria um fracasso. A indústria do jeans movimenta 600 bilhões de dólares por ano. Em Sampa, você compra uma calça no Brás por 7,90 ou por milhares de reais na Daslu. As pessoas colecionam jeans. E dizem que é a peça mais democrática do guarda-roupa. Não é. As sandálias havaianas são. 600 bi! É o dobro que a indústria de bebida alcoólica fatura. Depois que eu falei de embalagens, trabalhei com a minha mãe muitos anos. Comecei a trabalhar em 27 de janeiro de 1993. Enfim, depois que eu falei até do curso de Design de Embalagens da Anhembi Morumbi, ela me perguntou o que as pessoas iam consumir no futuro. Ela queria saber o que um barman ia servir para as pessoas no futuro. Disse: não é obvio? Água.

Aumento da população de idosos no Brasil, preocupação exagerada das pessoas com calorias e com o corpo, lei que proíbe beber e dirigir e, claro, cada vez mais teremos festas diurnas com pessoas indo de patins, skate ou bicicleta. No futuro, iremos tomar água nas festas. Não água comum, ou ostentar tomando águas francesas dos novos ricos. Tomaremos água aromatizada. Mas isso já te tem. A Coca-cola já fez. Não. É quase proibido ficar bêbado, não se esqueça. Cerveja sem álcool é horrorosa e calórica demais. Água com aroma de conhaque, uísque. Água com aroma de coquetéis. Água com gosto de vodka. No futuro tomaremos Absolut Water.

 

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