Negu pega bein cum quauque co

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 Louca para nenar. Passei dois dias bagaceiros no otim e esse finde arrasei no feirão. Comprei uva rubi, melão, morango, gengibre, abacaxi e ameixas. Motobofe, casa.

Me tranquei no ilê. Minha cutis tava um lixo, ué. Até o final da tarde queria que a taquara gritasse na beleza.

Liguei um som. Parti o melão com o abacaxi. Fiz um suco com gengibre. Comi umas uvas. Não ia me colocar. Guardei o resto na geladeira. Puta que o pariu! Que azar! Tem vinho no meu freezer. Não vou tomar mais que uma taça. Duas taças. Outra garrafa. Não tomarei outra garrafa.

Motobofe! Quero vodka.

Voltou. Falou que tinha um fino e perguntou se podia fumar aqui no ilê. Ele sentou na minha cama. Peguei a seda e o incenso. Ele tirou a camisa e o colete de trabalho. Dundarérrimo. Parecia um gorila na minha cama. Quebrei dois fósforos tentando acender o babado. Fiquei irritada com os fósforos.

Ele sorriu. Dirce das mais brancas.

Num tein probrema. Da queu acendu pratu.

E fumamos. Um charutão. Peguei dois copos com gelo e a vodka. Eu disse: eu tomo pura porque sou uma bicha bêbada. Você quer?

Queru a merma coisa quitu.

Sentei no sofá que dava de frente para cama. Chapada.

A lei de tolerância zero não dá certo nesse país, né?

Que tufalo?

Proibir beber e depois dirigir. As pessoas não mudam. Você vai entrar num bar e falar que ta dirigindo? Você vai pedir o que? Um chá?

Ele sorriu de novo. Mais demorado dessa vez.

Vocês são mui’doido.

Mas não é verdade? É difícil encontrar até café em padaria.de noite. Eu não tomo refrigerante. Você vai pedir o que?

Podefumarum?

Você quer fumar outro?

Não. Eu falei queu i’pedipra fumaum.

Ah! Ta. Não repara não que eu to chapada.

(Prezados leitores: nesse  momento o silêncio natural dos diálogos. Personagens um de frente para o outro. Música dance dos anos 90 no aparelho de som. Personagem narrador entra em pânico. O que dizer depois do silêncio? Ou é melhor ficar quieto? Narrador tem uma idéia boba. Sai do sofá e dança levantando os braços para o alto. O segundo personagem observa a cena, admirando o corpo do outro. Ele mais uma vez sorri, levanta a cabeça e diz: música boba).

Tein sambanão? Ele pergunta.

Eu morrendo de vergonha: tenho. Tá embaixo da cama.

Põeaê.

Pegua aí. Escolhe aí. Ta embaixo de você.

Escolhevocê.

Eu pego a caixa esbarrando nas pernas dele. Ele ri e esse sorriso me contamina. Vôo na mala. Ele voa no meu edi. Nema gritando na portinha. Seja o que Deus quiser.

E ele: Ih!

Pronto. Dei cheque no oboró e ele vai ficar puto. Respondi: o que você queria que saísse daí? Um papel com parabéns você está no Big Brother Brasil?

Vocês são mui’doido. Essolavá. Vamu nu banheiro.

Ele se limpou, voltou para cama.  Fiz a Lucia. Fiz todo o processo. Peguei outro copo de vodka. E entro no quarto e dou de cara com o bofe só de oxó de baixo. Apertando outro baseado.

É proce se acalmar e sambar aquió. Balançou a mala.

Meu tesão voltou. Nego fica ótimo de amarelo. Nego fica ótimo com essa cor. Disse já com a minha mão na neca dele.

Negu pega bein cum quaique co.

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