Sei lá

 

Eu não sei. Por favor, eu não sei. Eu tenho medo de ter perdido as esperanças. Explico, sim, explico.

Vi Marquinhos hoje assim que eu desci. E o meu pedreiro favorito também. Cabeça em outro lugar. Vendo ou não vendo a minha alma? Tive uma professora de psicologia, hoje falecida que recomendava segredo antes de se concretizar um objetivo. Um plano. Fui almoçar com o Fabian.

Ele trouxe um monte de novidades, e temperos e filipetas de eventos para mim. Reforçou que ia me levar para trabalhar com ele. Me deu novamente um prazo para eu arrumar minhas coisas e descer com ele para o Rio. Ele fez arroz temperado com açafrão, lingüiça com coxa de frango no forno regada na cebola, tomate, pimentão, alho, azeite e páprica picante e uma pimenta preta que eu não conhecia. Ele falou que era indiana. Tive minha segunda aula de confecção de torta na casa da Selma.

Casa da minha mãe. Aproveitei umas dicas do nosso chef e fiz macarrão de forno com lingüiça de faisão, tomate, pimentão frito, sal, alho, cebola, páprica, açafrão e queijos por cima. Pensei no meu amigo Sato. Queria ter jantado com ele.

Depois que o Fabian voltou da Gávea e disse que pensava em mim quando conversava com as pessoas de lá e então desabafou que o Rio tinha a minha cara e etc, e etc, eu dessa vez não fiquei tão empolgado para ir. Aliás, desta vez eu não fiquei desesperado. As coisas vão acontecer naturalmente. E hoje… Eu não vou falar nada sobre a terça-feira passada. Minha elegância não permite, mas saibam que reforçou ainda mais nossa amizade. Correndo atrás das coisas e de carro (o do Marcelo) para ajudar uma amiga que foi hospitalizada. E depois a gente se sentou com mais calma e tomando vinho e ouvindo as cantoras brasileiras, nós dissemos o que queríamos da vida. Sato e o Fabian tiveram o mesmo ponto de vista sobre a violência do Rio. Sobre a realidade da violência carioca. E do medo que eles sentiam de me violentarem na capital fluminense. Fabian ainda falou de Ipanema. Dos ovos que os babacas estavam jogando nas bichas. Para os dois e para quem quiser falar de violência, não se esqueçam que eu estou sendo agredido na rua onde eu moro. E isso ainda é nada. O pior é quando sinto fome na madrugada e abro a minha geladeira e não tenho nada para comer. E morrendo de vontade de trabalhar. Trabalhar de verdade. E vocês querem falar de violência comigo?

Eu não faço trabalho voluntário e eco-voluntário porque o mundo precisa de mim e blá, blá, blá. Eu trabalho porque eu adoro. Faço faxina e lavo as milhares de roupas da minha mãe em troca de dez reais por semana porque eu amo trabalhar e foi essa a chance que eu tive aqui. Sim, é uma violência do caralho. E se no Rio me assaltarem, me baterem, me espancarem? E daí? O que isso muda? Qual é a novidade? Eu só tenho medo que uma cidade tão grande e com tantos teatros e cinemas e festivais de boas coisas… Uma cidade cheia dos caralhos me violente dizendo que não há mais lugar para os meus sonhos. E que nunca vai ter. Em lugar nenhum. Eu estou morrendo de vontade de enfrentar uma violência de verdade. Eu quero gritar, vomitar. Acho que está na hora de eu bater. E quando eu digo bater, não é bater em veado, dona de casa, prostituta, índio, nordestino, desempregado.

Sei lá. Sei lá. Eu quero poder comprar comida no mercado. E acalmar essa fome, essa raiva…Sei lá.

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