Satanás quer se jogar da ponte

 

Conversava com um grande amigo. Depois de um dia ruim, ele pensou em acabar com tudo. Olhava para as pessoas na rua e não encontrava vida em ninguém. Pediu que eu não o julgasse. Não tive uma resposta adequada para ele. Ou não há uma resposta cômoda para esse tipo de situação sem que se apele a livros estúpidos de auto-ajuda.

 Dia seguinte acordei me sentido mal. Sair da cama para quê? O que estaria me esperando para me fazer sentir melhor? Tomei um banho e desci. Na minha rua, me jogaram pedras. Uma delas acertou na minha barriga. Fui até a dona do bazar saber se ela teria um tempo para mim. Precisava marcar uma reunião com ela para o sale day. Ela disse que desistiu e não ia fazer mais. Respondi para ela: eu sabia. Gente que não tem sonhos não realiza nada. Liguei para algumas pessoas para reforçar o convite do ensaio geral da peça/festa e mandei uns convites por Orkut. A poetisa Zaira pediu que eu passasse na casa dela e Taroba, nosso passista ganhador de vários troféus Ziriguidum, me fez uma proposta encantadora para a estréia definitiva da peça. Bebi licor de café mexicano na casa do amor da minha vida. Fumei um baseado com ele. Ele me disse algo que me fez feliz e me deu força. O amor sempre me fortalece.

 

 

Minha vida é uma merda, às vezes. Já disse isso. Todos os dias eu sou discriminado. Todos os dias eu ouço algum tipo de piada, risada ou levo porrada nas ruas. E isso vai se repetindo ano após ano. E me sufocando e me angustiando. Não consigo trabalho aqui. Eu não consigo concretizar muitas coisas. Às vezes não tenho nada para comer na minha casa. Às vezes eu choro de fome. Muita fome. Meu irmão joga uma quantidade absurda de comida no lixo. Não me oferece um prato, uma sobra, não me oferece o lixo para eu comer. Ele é um vencedor. A família brasileira joga em média meio quilo de comida fora todos os dias num mundo com 900 milhões de pessoas famintas. Meu irmão é um vencedor. Eu sou somente o garoto que limpa a beira do rio e visita asilos para contar histórias. E passa no mercado e tenta comprar o máximo possível com dez reais que me sobra. Não posso comprar o fio dental e o enxaguante bucal que a minha dentista recomendou, mas minha mãe fica me humilhando achando que os meus dentes continuam podres.

 

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Não quero falar sobre isso. Eu insisto. Não acredito em suicídio. Sou um idiota que acredita em amor e… Ai, meus queridos leitores não riam…Paz, respeito, por favor, me dá licença, boa sorte. Posso apanhar nas ruas e ouvir todas as piadas e insultos que às vezes é insuportável de ouvir, porém, ai, ai, ai, ai…Eu trepo para caralho, eu amo pra caralho, eu tenho fé na vida pra caralho, eu vejo… Ah! Foda-se! A esperança é a última que dá o cu. Ih! Esqueci. Eu estou cagando para caralho e as minhas caspas e culpas desapareceram.

 

Satanás quer se jogar da ponte. Para quê? Ele é fã de bump jump?

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2 comentários sobre “Satanás quer se jogar da ponte”

  1. Satanás precisa de uma saída. Só isso.
    Não vale questionar em que se acredita…
    As pessoas podem interromper a vida, mesmo amando demais.
    Pare de julgar o Satanás.
    Soluções não nascem em blogs.
    No mais, não escreva mais lamentações.
    Fale da força que te sutenta, ao que você proclama amor.
    Satanás pode ter suas opções como qualquer ser humano.
    É o que resta a ele.
    Respeite a opção do suicídio.

    beijos

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