Meu cu está uma tragédia

Palestra do poeta Ferreira Gullar no Teatro marcado para 19 horas. Semana de Fórum de Cultura promovido pelo SESC. Conversava com o Sato na praça São Sebastião. Um garoto negro sentou no banco ao lado. Sato me atentou que ele não tirava os olhos de mim. Levantamos, ele levantou. Caminhamos e ele nos seguiu. Conheço esse garoto. Conheço aquele pirocão. Fui até o outro lado do rio e perguntei para ele “mesmo lugar?”. Fez que sim com a cabeça. Pau dele duro fazendo volume na calça. Entrei numa quebrada, ele veio depois já tirando a roupa. Minha maxi eco bag tem de tudo. Camisinha. Chupei aquela piroca cabeçuda. Podia ficar três dias sem sentar. Pedi que ele colocasse tudo. Ele riu. Tirei minha roupa toda. Estava de jeans e calça jeans é uma merda para tirar. Fode, fode, fode. Ferreira Gullar. “A arte existe porque a vida é curta”. Ah! Vou embora.

Dia seguinte ligo para o Sato para a fofoca básica de jornalistas. Falamos de magia, desespero, dor, amor, esperança, Gávea, livros, vida, viagens, medo, sociedade, Marx, Dias de Ira, Folha de São Paulo. Eu tomando café e Sato uísque. Ai que inveja daquele japonês. Takeshi Kitano no Futura. Dolls. Chorei para caralho. Acendi um incenso.  Ouvi Beatles remixado. Fumei três cigarros depois. Não me satisfez. Casa da minha mãe sem livros de verdade. Fui dar uma volta.

Bar lotado. Gritaram meu nome de guerra. Muitos abraços. Um dunda (já falei que dunda na indaga, ou seja, na gíria GLBTT é negro, escuro) ferveu comigo. Falou que eu e ele já tivemos um caso com os colegas dele. Um amigo da mesma cor pegou no pau e “tu é veado mesmo?”. Não sei, respondi. Respondi maliciosamente. Tu gosta de piru? Ele perguntou. Ri e acrescentei: piru preto e grande é ótimo. Silêncio. Quer cerveja? Encheu meu copo e depois outro, outro, outro, outro. Leci Brandão tocando. Cantamos “ô coisinha tão bonitinha do pai”.

Todos eram pedreiros. Os cincos. Todos tinham a cor…Como definir essa cor? Todos tinham a cor da boa sorte. Um frio e um deles sem camisa. Amanheceu.

Você mora onde? Morada do Sol. Quer carona? Claro. O mais alto perguntou “você vai sentar onde?”. Depois de algumas cervejas e menta e conhaque e sei lá o que com canela, eu respondi “no maior”. Eu no banco de trás já tocando punheta pros dundas. Um festival de mãos passando pelo meu corpo. Cadê a minha camisa? Cadê meu short? Fomos para o bairro Ponto Azul buscar um babadinho com sei lá quem. E aí, Artur, você fuma? Lógico. Não respondi assim. Respondi: ô. Boca ocupada, sorry.  Garganta entupida.

Fumamos num muquifo. Eu fumei. Tinha pó. Uma casa horrorosa. Banheiro sujo, cozinha suja, casa de homem. Abri a geladeira. O dono da casa deixou. Abri a geladeira… quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá. Cerveja para caralho. Itaipava. Abri a primeira. Dei pros bofes. Dei a cerveja, por enquanto. Eu de garçonete. Bebia, chupava pau, bebia, beijava na boca. Aí cheirei. Pó horroroso. Black fantástico. Cerveja gelada. Hip hop no DVD. Bateram na minha bunda, chuparam o meu cu. Adoro! Trepação absurda. Abre a geladeira. Bebe, bebe, bebe. De quatro, de lado, de frente, de trás. Onze e oito. Ih!  Preciso ir trabalhar. Já vai? Tenho que ir. Bye, bye gatinhos.

Trabalho. Mulheres tolas falando de suas tragédias. Tragédia? Ah! Puta que o pariu! Falem do meu cu, caralho!

 

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