Piroca é uma palavra gozada

 

 

Tesão filho da puta logo no cu da manhã. Não sei se adoço o café ou se toco uma punheta.  Mariléia e eu no restaurante do Kitty Hotel. Paquerava o Bruno. Fumava um Free. Televisão Record News. Uma chatice. Conversava futilidades.

Na véspera, Sato queria me ver. Informações mil. Sato é melhor que o Google. Assunto: depressão, São Paulo, Adorno, Clarice, cinema alternativo, Táxi Driver, publicações GLBTT… Puta que o pariu! Falava para caralho. E eu ainda não sou tão inteligente para entender tudo ao mesmo tempo.Vamos mudar de bar? Fomos para o calçadão. Encontramos Mariléia. E aí quanto tempo? Sato esta é Mariléia, Mariléia esse é o Sato. Quando é que você vai para Juiz de Fora? Não sei. Você tem que ir porque isso e aquilo. Música dos anos 70 tocando no bar. Blá, blá, blá, blá. Vamos lá no hotel pegar minha muleta e guardar essa cadeira? Em que hotel você está? No Kitty Hotel.

Flashback: bar do Jorge, ano 2007. Sexta-feira, forró com o Miragem. Bar escuríssimo. Muita mulher brava e homens… Especiais. Bruno para baixo e para cima. Já sabia onde ele trabalhava e sabia também que ele ficava ótimo de terno e gravata. O hotel parecia o melhor do mundo por causa dele. Se ele é negro? Será que eu gosto de beber vodka? Lindo! Gostoso de boca carnuda e rosto redondo. Bunda enorme. Sabia que um dia alguém conhecido ia se hospedar naquele hotel.

Fomos para o hotel. Eu, fervendo, claro! Subi com a cadeira de rodas da Mariléia. Descemos com a muleta. Na recepção uns idiotas (vidiotas?) assistiam ao jogo de futebol na TV Globo. Na portaria do hotel aconteceu um incidente curioso. Encontrei uma amiga, a gente se beijou e o cara que estava com ela bateu nela e veio para cima de mim e me agarrou e roçou o pau dele na minha bunda.

Bar do Kaki. Uma negada! Melhor bar do mundo. Bebe cerveja, bebe cachaça, come peixe. Apareceu um cara dos seus 30 e poucos anos querendo falar comigo. Desejava saber onde é que tinha um ferro velho. Me cantou. Saiu, voltou, me chamou… Me cantou de novo. Disse que ia levar aquele pedação de sucata até um ferro velho e voltaria para somente eu e ele tomarmos uma cerveja. Meu pau duro! Mudamos de bar para tomarmos a saideira. Sato foi para Levy. Eu, Mariléia e Eduardo para casa dele de táxi. Cozinhei um frango com batatas e ervas. Quarto do Eduardo. Eduardo de cuecas (sim, leitor ou leitora, ele era negão) me convidou para participar da folia. Nheco, nheco, nheco entre os dois. Eu, com sono, dormi.

 

 

Tesão filho da puta logo no cu da manhã. Não sei se adoço o café ou se toco uma punheta.  Mariléia e eu no restaurante do Kitty Hotel. Bruno foi para cozinha. Lavava pratos e xícaras de café. Mariléia disse alto: ele é bonito, né? Eu: bonito, bem vestido, parece rico e tem uma bunda ótima. Nesse momento ouvi o som de uma xícara caindo vindo da cozinha. Depois ele apareceu sem graça. Nós falávamos obscenidades. Ele é lindo, mesmo. Limpava as mesas do restaurante.

No caminho para minha casa, tomei uma cachaça com uma amiga e recebi um abraço carinhoso. Encontrei com um senhor que, ele devia ser um anjo, me disse: Meu o pai me aconselhava “só existe uma coisa que eu não conheço e se você tiver demais faz mal que é o dinheiro”. Esse anjo me disse: que tudo em excesso só faz mal para quem quer que faça. Ele adorava tomar cachaça e nunca passou mal. Caminhando de madrugava ouvi o Erasmo dizer num bar da Morada do Sol: “não tenho dinheiro, mas tenho amigos. Por isso eu tenho moral”. Amigo é uma coisa que eu tenho em excesso. Amigos, amor, sonhos, curiosidade, tesão, tesão pela vida. O que vai me matar? Vou morrer de quê? De felicidade? Quá, quá, quá, quá, quá.

 

 

 

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Um comentário sobre “Piroca é uma palavra gozada”

  1. artur, este comentário vai aqui porque acho que aqui é o lugar dele, apesar de ter certeza de que falarei sobre coisas pessoais que deveriam ser ditas em outro lugar.

    eu poderia falar do seu estilo, que está apurado exatamente por não tentar ser apurado. seu texto tem uma franqueza e espontaneidade que muita gente tenta alcançar e não consegue. não consegue porque tenta ser franco sem ser sincero. em outras palavras, escreve não o que é, mas o que gostaria ser. na vida e no texto, não são autênticos, mas personagens de si mesmos. o que vejo neste e em outros textos seus é que eles transpiram autenticidade. a falta de caretice do seu texto – e da sua vida – não tenta mais chocar, o que é bom. você escreve com a urgência com que vive, não para impressionar ninguém. é justamente essa autenticidade, essa necessidade de ser o que se é e escrever o que se é o que identifico de mais importante na sua produção. ser confessional é difícil, mais difícil do que muita gente pensa.

    porém, quero falar também de outra coisa: durante muito tempo, não compreendi, por caretice, que o seu estilo de vida, que transborda na sua escrita, é o único estilo de vida possível para você, o único que não representa uma traição íntima. nossas vidas seguiram rumos diferentes em aspectos que a falta de proximidade física nem permite mais compreender plenamente. embarquei no projeto de vida burguês, é inegável. ninguém paga imposto de renda impunemente. leio os beatniks com o anseio de algo que deixei de ser. você É beatnik, na essência, na vida e na escrita. como disse, durante muito tempo não entendi isso, ou não quis entender, talvez por inveja até. porém, saiba que agora entendo – e te admiro, como, no fundo, sempre te admirei pelo ser humano singular que você é.

    enfim. acho que é isso.

    forte abraço,
    fabiano

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