A prostituta que queria ser gigante

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Quando eu era um menininho, a professora perguntou o que eu queria ser quando crescesse.

Eu quero ser enorme, eu respondi.

Ela me chamou de burro e a turma toda riu. E eu fiquei tão envergonhado que larguei a escola.

E bicha com pouco estudo ou faz faxina ou vira puta. Preferi o que pagasse mais e assim são muitos anos de batalha. Anos comendo e dando o cu em troca de uma mixaria. O que isso tem a ver com assassinato?

Eu conheci o Marco Aurélio na boate que eu batalhava. Ele queria se prostituir também. Tinha sido expulso de casa e estava sem lugar para dormir. Levei-o para a minha. E no dia seguinte a gente conversou e eu me identifiquei com ele de imediato. Eu me senti logo o pai dele. Queria adotá-lo. Sabe essas pessoas que você encontra durante a vida e tem a sensação que as conhece desde sempre? É por isso que existe religião para explicar essas coisas. Não acredito em religião. Sabe por quê? Dizem “amar ao próximo com a ti mesmo”, mas se eu entrar numa igreja ninguém vai me amar. Acho que religião não serve para nada e a bíblia é livro de autoajuda.

Enfim, o Marco Aurélio era doce. Ele era inocente, gentil, um garoto bom e cheio de sonhos. Não quis que nenhum mal ameaçasse o que ele queria ser e fiz uma proposta: more comigo e depois a gente conversa. Em pouco tempo ele se sentiu em casa. Voltou a estudar e para me ajudar com as despesas passou a trabalhar num bazar vendendo roupa e objetos usados. As putas da boate adoravam o Marco Aurélio. Ele dançando funk, o modo que ele rebolava… As piranhas ficavam loucas. Nome de batismo: Anastácia. A escrava que não se deixou escravizar. Como é que é mesmo a música? E o Marco era muito dunda. Dunda na gíria das bichas é escuro. Dunga é negão. Sabe? Negão! Dezesseis anos naquela época, alto, magro. Ele era magro, mas tinha braços musculosos e bunda grande, boca carnuda. Meu filho era lindo. Por isso, as putas ficavam loucas com ele. Lindo, gostoso, inteligente. Aí ele falava com elas: pode esquecer, a última vez que eu vi buceta tinha um homem de branco batendo na minha bunda e cortando meu cordão umbilical. E todo mundo ria. Mas eu tenho quase certeza que ele comeu pelo menos umas cinco. A Zélia Camburão, por exemplo.

Mas eu queria que meu filho estudasse. Acho que todo mundo. A dona da boate, uma sapatão babadeira, dizia “esse menino tem futuro. Põe ele num colégio particular”. Coloquei e nem tive muitas dificuldades para pagar as mensalidades. Todo mundo ajudava. Eu acho que o Marco era o nosso desejo por dias melhores. Acho que todo mundo trabalhava mais animado. Todo mundo voltou a ter planos. Todo mundo voltou a ter sonhos. Quando o Marco se formou, fizemos uma festa. Matriculamos num cursinho e queríamos que ele prestasse vestibular em julho. O Jorge, o segurança da boate queria que ele fosse doutor. Esse menino vai ser advogado. E o Jorge falando era uma coisa linda. Ele era outro negão só que o Jorge era fortão. O Jorge era um armário mesmo. Usava terno e gravata. A calça dele ficava tão apertada que a bunda e a mala gritava. Fazia um volume enorme. Principalmente a neca. É chover no molhado falar que negão tem bundão e um pirocão. Acho que todo negro tem pirocão. Nesses meus anos de estrada, eu só fiquei com dois dundas de pau de tamanho médio. Fiquei uma vez com um ex-presidiário escuríssimo que não só tinha uma jiboia no meio das pernas como tinha uma disposição de atleta para comer meu cu. Fiquei destruída. Mas claro que valeu a pena.

Eu não tenho preconceito com cores, não. Acho que não muda muita coisa. Mas os homens escuros têm um cheiro maravilhoso. Gente preta sabe trepar. Eles rebolam do jeito que eu gosto e me deixam satisfeita. Já os bofes brancos, principalmente os mais ricos são muito travados. Ainda mais eu que sou travesti. Eles querem dar o cu e depois ficam cheios de culpa.

Uma vez fui para um motel com um casal. Comi a mulher dele enquanto o bofe ficava me olhando. A mapoa disse para o oboró dar também. Eu fui lá e comi o bofe. Cu largo para caralho. Entrou com uma facilidade. Ele gozou e não passou um minuto começou a gritar. Que palhaçada é essa? Você está achando que eu sou palhaço? Ele falava. Depois não queria pagar pelo programa. Disse que ia ao banheiro tomar um banho e quando ele voltasse não queria me ver lá senão ia chamar a polícia. Ele entrou no banheiro a mulher dele me deu 200 aqués e pediu que eu não ligasse que ele sempre ficava daquele jeito depois que gozava. Outra vez, um cara queria porque queria que eu cagasse na cara dele. Achei o máximo. Fiz do jeito que ele pediu. Caguei, ele comeu a minha merda, depois bati nele. Chamei-o de sujo, ele queria que eu dissesse “criança suja”. Tinha que falar “não pode, não pode. Mamãe vai te bater e correr atrás de você com o chinelo”. Ele gritava “mãe, não me bate” e eu “menino sujo, menino sujo”. Quando acabou a brincadeira, ele me pagou e começou a chorar. Disse que estava arrependido. Que nós iríamos para o inferno e que aquilo era pecado.

Não suporto gente que se arrepende. Não tem nada a ver o fato de eu ser prostituta. Mas eu acho que para você falar de sexo, você tem que ter obrigatoriamente uma vida sexual. Aliás, quem trepa pode falar de qualquer coisa. Não vejo nada de mais. É como comer, cagar e respirar. Tenho que fazer isso sempre. Meu corpo pede sexo e é o meu trabalho. Se eu quero fazer outra coisa? Gosto de dançar. Dançar é tão erótico, até é melhor que trepar. Porque às vezes você fica com caras que não sabem usar seus equipamentos. Na boate eu também faço shows. Performance de drag e strip. Adoro tirar a roupa. Os homens ficam loucos. Eu me sinto poderosa. E quem não gosta de se sentir poderosa?

Depois que o Marco entrou no cursinho, ele reclamou que não estava conseguindo acompanhar as matérias. A dona da boate… eu falei o nome dela? Era Sérgio. Serjão Lambreta. Lambreta porque ela ria engraçado. Todo mundo tinha nome bagaceiro. O Jorge era Jorge Bazuca. Meu nome de batismo é Artur Muniz. Meu nome de homem. Meu nome de guerra era Leila Diniz. Eu gritava: Meu nome é Leila, não é bagunça. E a gíria abria. Vocês estão entendendo o que eu estou falando? Acho que estou ficando bêbada. Você pode trazer para mim outra dose de cachaça? Obrigado. Muito obrigado.

Aí, o Serjão falou que o Marco precisava de um computador para poder estudar pela internet. Que se ele tivesse internet lá em casa, ele podia tirar todas as dúvidas e a internet era o futuro. O Serjão falou um monte de coisas. Eu não sabia, mas na internet você consegue encontrar até seus amigos de infância. Fizemos uma rifa. O Jorge… O Jorge adorava o Marco. O Jorge me levava para casa algumas vezes porque ele morava perto da minha casa e toda vez que ele me levava perguntava pelo Marco. A conversa era a mesma. E terminava perguntando se eu precisava de dinheiro para pagar o cursinho. Nunca precisava, pagava antes do vencimento. Então, o Jorge pegou a televisão da casa dele. Uma televisão de plasma de 32 polegadas para gente rifar. Foi um escândalo! As putas estavam mais preocupadas em vender os bilhetes da rifa do que fazer programas. Você acredita que a gente vendeu 500 bilhetes em dois dias? Puta é foda, meu amor. Um salto alto e força de vontade fazem milagres. 3000 aqués na nossa mão. Fomos todas oito e meia… Oito e meia da manhã só prostituta na porta do Ponto Frio para comprar o melhor computador. Uma mulher preta atendeu a gente. Mostrou as novidades e compramos uma câmera digital também. A vendedora foi tão simpática e ensinou para que servia a câmera. O Marco virou nosso fotógrafo. Eu tenho foto dele aqui na minha bolsa. Olha. Ele não era lindo? Essa sou eu montada de drag, esse é o Jorge, a Kátia… Está vendo essa aqui de fio-dental rosa? É a Cleide Satânica. Era de Belém do Pará. Falava cinco idiomas. Não era prostituta, não. Era uma cliente VIP. Descia do carro, ela tinha um carrão também e gritava: cheguei! Quero uma mala. Hoje ela está na Europa estudando inglês. A gente se fala pela internet. Deu-me um casaco Mc Queen lindo. Mandei para ela umas frutas em troca.

menina, o Marco ficou babado em segundos. Essas crianças de hoje em dia são muito espertas. O mundo é delas. Tinha dúvida numa matéria, digitava W, W, W e pronto.

O Jorge passou a me levar para casa todos os dias. Eu pensava nele direto. Era o melhor momento do meu dia. Entrava no carro… O Jorge tinha um Ecosport preto. Eu sentada ali do lado daquele negão. Eu disfarçava e olhava para a calça dele. Ficava imaginando se eu iria aquentar o tamanho. Na minha fantasia ele era o Richard Gere que ia me salvar. Não acredito em príncipe encantado, não. Não tenho essa coisa de príncipe porque a gente aqui no Brasil elege presidente. Mas toda puta acredita na Julia Robert. Ela é uma linda mulher quem é que não vai acreditar nela? Se eu gostava do Jorge? Dá-me outra cachaça que eu falo.

Aí, deixa eu te falar. Na véspera da prova o Marco veio ver meu show. Entrou no camarim para me dar um abraço.

O que você está fazendo aqui? Você tinha que estar em casa estudando.

Pai, você não está me entendendo. Eu estou estudando.

E foi ótimo aquele dia. Fiz uma performance cantando Pretinhosidade. Era a música favorita dele. Ele fez a prova e por uma semana a zona ficou em silêncio. No sábado, eu estava na farmácia e o telefone tocou.

Pai, pai. Era o Marco. Ele estava chorando. Chorando muito. Aí, menina… Eu pensei no pior. A gente que é bicha, é puta, ou é preta ou é travesti, a gente vê muita maldade. Eu por exemplo, levei uma coça do meu pai quando ele me viu de salto alto na adolescência, eles me expulsaram de casa. Fui viver na rua. E convivi com muita gente que foi maltratada. Uma vez eu os vi no mercado. Fui falar com meus pais e a minha mãe disse: não tenho filho veado. Então, quando o Marco ligou, eu entrei em pânico. Mas aí ele falou: pai! Passei. Passei em primeiro lugar. Ganhei uma bolsa de estudo. Aquele foi o dia mais feliz da minha vida. Eu saí correndo de salto igual uma louca. Quando a gente recebe uma notícia boa, a gente tem que compartilhar com quem a gente ama. Fui para zona. Cheguei muito suada. Chorando. Não conseguia falar. Não conseguia mesmo. O Jorge estava se arrumando. Entrei no camarim e peguei-o pelado. Minhas suspeitas foram confirmadas. Uma pica gigantesca. Ele tinha tomado um banho e estava secando as costas. Gritei com toda a minha força. Passou. Nosso menino vai ser doutor. Nosso menino vai fazer justiça. Ele me abraçou. Aí, o Jorge chorou. Imagina um homem enorme duas vezes maior que eu chorando. O Serjão comprou até fogos e colocou a cerveja na promoção. Buscaram meu filho e fizemos a maior festa. Ele foi o DJ da noite. Pretinhosidade tocou umas mil vezes. E toda vez que tocava essa música, as putas choravam e batiam palmas. Um griteiro geral. O Serjão depois me chamou num canto e me parabenizou. Disse que o meu filho era muito inteligente. Que ele era o nosso maior orgulho e que o mínimo que gente preta merecia era o melhor. A gente se abraçou e ela falou que tinha uma garrafa de uísque guardada e se eu queria tomar uma dose com ela. Eu guardei essa garrafa para um dia especial, ela falou. Tomamos a garrafa inteira. E o Serjão falou para mim: é para isso que a gente nasce. Para ser feliz. Para ver as pessoas que a gente ama felizes. E hoje eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo.

O Jorge levou a gente para casa e o Marco entrou primeiro. Estava com sono. Antes que eu saísse do carro o Jorge me perguntou: ele não está precisando de um pai, não?

Você quer ser pai de um veado? Você não vai ter vergonha dele?

Vergonha de um veado que passa em primeiro lugar no vestibular? Do seu filho eu só vou ter orgulho.

Aí, aconteceu aquilo. Desculpa-me se eu começar a chorar. Eu sei que já passou três anos. Mas é difícil aceitar. Mas eu vou falar sim. Aconteceu no primeiro dia de aula dele. Fui trabalhar normalmente. Ele me ligou lá pelas dez da noite dizendo que os meninos da turma dele o chamaram para uma festa. Eu ainda disse “vai com Deus”. Eu não acredito em Deus, mas disse como se dissesse boa sorte ou divirta-se.

 

(silêncio)

 

A parte mais difícil… O que foi mais difícil… desculpa se eu estou chorando. Aceito um copo de água sim. Não. Não. Dá-me uma cachaça. O que fizeram com o meu filho não tem explicação. Colocaram roupa de mulher nele, maquiagem. Estupraram meu filho e… desculpa. Enfiaram um pedaço de pau na bunda dele. O médico do IML falou que… Ele apanhou muito. No dia seguinte saiu no jornal: Travesti é encontrada morta numa vala. Travesti não! Ele tinha nome. Marco Aurélio de Oliveira Junior. 19 anos. Signo de virgem. Gostava de arrumar a casa ouvindo Mar’tnália, seu filme favorito era “As Branquelas”, era apaixonado pelo Cartola, sua cor favorita era amarela, passou em primeiro lugar no vestibular, tinha uma tatuagem no braço direito escrito “Vitória ainda que tardia”. Mas que diferença isso faz agora?

A sorte é que as putas fizeram o caralho. Fomos aos jornais, fomos na televisão, prefeitura, delegacia, arrumamos um advogado negão babado. Não tem jeito, se você der uma oportunidade para os dundas brilharem, eles brilham. Conseguimos botar os cinco na cadeia. Saiu no fantástico, na revista Veja. Recebemos muitas cartas de apoio. Vendemos 2512 camisetas.

Aí, um dia o Jorge me levou para casa e perguntou se eu estava trabalhando. Respondi que nem estava com cabeça boa para isso. Aí ele falou: quer fazer um programa comigo?

Fomos para minha casa. Fui tirando a minha roupa e a roupa dele e ele me cortando: Calma. Eu estou pagando pelo programa. Você vai ter que realizar a minha fantasia sexual.

E qual é a sua fantasia. Eu falei. O que você quer?

Eu quero que você me ame.

Fizemos amor.

Quando eu acordei de manhã, coloquei uma calcinha e o salto alto e acendi um cigarro perto da janela. Quando eu olhei para trás, vi que o Jorge estava tirando fotos minhas.

O que você está fazendo?

Estou tirando fotos.

Para quê? Para coloca num site de sacanagem?

Não. Você merece ser exposta numa galeria de arte.

Eu chorei. Você espera a vida inteira para ouvir uma única frase.

Ele: você já foi num museu? Eu disse não. Nunca. Quer ir agora? Quer conhecer o MAC em Niterói? Eu respondi: Lógico.

Tomei um banho. Vesti um corselete de microfibra e calcinha de tule da Valisère, cinta liga com meias pretas, trench coat branco de tricoline do Reinaldo Lourenço, bolsa preta da Victor Hugo e sandália de salto alto da Arezzo.

Niterói. Mac. A moça na porta me deu um papel bonito. Disse que era a retrospectiva da produção atual de um artista que tinha o mesmo nome de batismo que eu: Artur Muniz.

Vi uma bicicleta de cabeça para baixo; vi mulheres nuas vomitando; vi bailarinas machucadas com braços engessados; vi uma marreta enorme que esmagava carros; vi um homem de terno e gravata maquiado de palhaço. Vi muitos vermelhos. Achei sublime. Senti-me grande. Senti-me enorme. Gozei.

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5 comentários sobre “A prostituta que queria ser gigante”

  1. eu xhorei muito lendo isso. agora eu me sinto muito mais encorajada para passar no vestibular.
    artur, comecei a viciar em vc.
    esses idas eu perguntei para uma professora> o q faz um escritor?
    ela respondeu: ué, escreve.
    sabe, nao axei a mesma koisa

    kkk
    te adoro guri
    bia

  2. a vida as vezes é madastra mas DEUS é PAI
    tive que passar um deserto para ter a noçao da verdade
    nao esqueça que os fariseus eram os caras aos olhos da sociedade os santos os homens da biblia mas elkes nao seguiam bilbia e os ensinamentos
    Jesus salvou maria madalena de ser morta a pedradas ela uma prostituta
    que foi amada e perdoada e os fariseus que se sentiam os santos ate hoje estao na morte pos morte
    Jesus nao é produto ou propiedade da igreja catolica ou evangelica
    ele é JESUS e a igreja que ele veio fundar é voce e eu
    ele veio para pessoas como eu e vc
    considerados a escoria da sociedade o lixo do mundo
    nao se assuste igreja tem puta espiritual que é pior mil vezes do que uma puta do corpo
    tem travestis da fe travestidos de justiça mas sao rapina
    mas tem gente de bem
    o joio e o trigo duas plantas tao diferentes e tao parecidas
    o joio e erva daninha nao serve para alimento ou remedio apenas para sugar a seiva do trigo
    devem crescer juntas mas no final uma sera guradada no celeiro celestial no caso o trigo e o joio tao danoso sera jogado no fogo eterno e para mim meu amigo vc nao e joio e trigo so nao percebeu isso
    JESUS nao é auto ajuda ele é socorro bem presente na hora da angustia
    a gente ainda vai se falar
    te cuida e nao esqueça JESUS AINDA VAI MUDAR A HISTORIA DA TUA VIDA

  3. Artur..

    encontrei teu blog navegando a esmo por aí.. e esse texto deixa a gente tonta, de tanta emoção, do jeito tão duro com que colocas as coisas, que a gente aqui do lado sente como se a tua história fosse nossa, tão nossa que dói.. bom, eu também queria ser enorme.. mas você é GIGANTE !

    Abraços, aqui do Sul.

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