tamanho é do jumento

 

Minha vida é uma merda, às vezes. Completamente bêbado logo no cu da manhã do domingo. Tomei uma cerveja e depois liguei o som para ouvir “Brother’s Gonna Work It Out”. Dava boas gargalhadas. Achava-me genial. Tecnologia não serve para nada. Não me acalma, não me sustenta. Tecnologia não me beija. Tecnologia não me abraça. Morrendo de tesão. Pensava obscenidades.  Tem gente que acha que eu só penso em sacanagem. Eu também penso em outras coisas, mas é chato.

Sato me ligou na sexta-feira, dia dois, e pediu que eu descesse para tomar um porre com ele. Beber? Quero sim. Quero sim. Marcamos o encontro na biblioteca do SESC. Cheguei cedo. Antes bebia umas caipirinhas enquanto me arrumava. As meninas que brincam comigo de circo apareceram para saber se eu podia ensina-las a dar cambalhotas. Eu disse que não porque precisava sair. Mariana perguntou se eu estava triste. Disse que estava um pouco. Ela: não fica triste não porque a vida é boa. O seu amigo também está triste? Liga para ele. Liguei para o Sato e Mariana e Mayara disseram boas notícias para ele. Corremos para eu não perder o ônibus. SESC, salão de cabeleireiro para o Sato cortar cabelo, Bar do Peixe. Cervejas, caldo de peixe, pãezinhos grelhados. Conversa de jornalista para publicitário.  Violência e mídia, bobagens da rede Globo versus rede Record, El Pais, Ronaldinho com as Bonecas… Ele não queria dar porque não tinha droga. A repetição de sempre. Bar do Peixe não tinha música. Fomos para o tentador bar da Vera.

Beija e abraça. Ser bem tratado é essencial. Falava do meu cabelo com ela e o Diego. Diego passou a mão nele e disse que ele era macio. Merda! Devia ter falado da minha bunda. Eu tenho um tesão irrefreável pelo filho da Vera. Pensem num garoto que cresceu antes da hora. Cresceu demais. Corpo de jogador de futebol. Rosto ambíguo. Parece criança, parece adulto, parece menino, parece menina. Uma boca carnuda, olhos pequenos e puxados. E muito, muito escuro. Pele tão preciosa que brilha. Ele olha para você e acabam os seus problemas. Bem, ele olha para você e bem-vindo problema. O que eu estava falando? Esqueci. Filme de sacanagem? Meu pau fica duro e não consigo pensar.

Não tinha cerveja na Vera e fomos para o bar ao lado. Bebemos a primeira. Ouvimos Martinho, Revelação, muito sambão e funk e anos 80. Sato foi para Levy e eu fui caçar. Precisava resolver um problema pendente. Encontrei meu engraxate. Aniversário dele no sábado, dia três. Vamos tomar cerveja? Ele estava com outro cara e me pediu dinheiro. Disse para eu abrir a garrafa de vodka para gente beber. Respondi: ué, você disse que não bebia vodka. Eu bebo qualquer coisa. Não, não é isso que eu quero. Segui meu caminho. Encontrei outro negão. Vamos beber cerveja? Ele aceitou e me pediu cinco reais. Para comprar maconha? Para interar num pó. Ai, não. Não é isso que eu quero. Bye, bye. Segui meu caminho de novo. E encontrei o Nanato. Como é que tá? Blá, blá, blá. Eu estou indo pro bar da Vanessa. As bichas todas estão lá. Vou contigo. Abre a vodka. Quer me beijar? Beijei. Beijei. Vamos lá pra casa? Compramos maconha por 3,50. Trepei. Beijei, trepei. Fumamos! Beijei. Dormimos.

Fabian aparece lá em casa com o sol surgindo. Antes de nove horas é muito cedo para mim. Vamos lá para casa assistir ao show da Amy Winehouse. Descemos. Nanato foi trabalhar. Bebemos vodka. E mais vodka. Chorei ouvindo Martinália. Fabian preparou o almoço. Frango recheado com tiras de batata doce. Comemos. Uma delícia. Ele podou. Fui fazer faxina. Bêbado. Precisava dos meus dez reais. Coloquei o som e desabei a chorar. É muito pouco. Uma humilhação por dez reais por semana. Não quero mais. Eu nunca vou realizar meus sonhos ganhando tão pouco. Não posso comprar uma Vogue. Minha mãe e o Silvio chegaram. Fiz o almoço para eles e peguei minha mixaria e uma garrafa de cachaça. Bebi batida de suco de uva.

De noite chamei meu irmão e comprei umas cervejas. Ouvimos Pearl Jam. Depois de cinco cervejas meu dinheiro acabou. Minha tristeza também.  Ele me ensinou a diferença nas notas do Pearl Jam. Mi menor. Gostei de saber. Valeu a pena. A gente se abraçou. Abraço seguido de beijo no rosto de irmãos que se amam. Fui dormir caindo de bêbado.

 

Minha vida é uma merda, às vezes. Completamente bêbado logo no cu da manhã do domingo. Tomei uma cerveja e sabia que não precisava me sentir um idiota. Um fracassado que sei que sou. Pensava no filho da Vera passando a mão no meu cabelo. O corpo dele é maravilhoso. Ele tem uma energia incrível. Anda de skate e desce do skate e chuta a bola e corre e me faz babar. Tudo ao menos tempo. Imagine ele pelado ou de cueca branca. Com um chicote na mão dizendo “hoje você vai fazer tudo que eu mandar”. Fracassado nada. O Diego passou a mão no meu cabelo e eu fiquei exaltado. Segui meu caminho em busca de alguém que pudesse me sossegar. Uma tentativa, nada, segunda tentativa. Terceira tentativa e beijo na boca e um abraço carinhoso. Putaria também, vodka, maconha e pirocadas. Tem gente que acha que eu só penso em sacanagem. Eu também penso nos problemas da vida, mas é muito chato.

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