I Am Not A Plastic Man

Semana de moda na cidade maravilhosa. Gisele em todos os jornais. No TCM, Barry Lyndon do Kubrick. Figurino exagerado e fabuloso. Há duas horas desenhei o croqui da roupa da antifesta do meu aniversário. Um maquaquinho inspirado em boxe e palhaços. Escolhi o tecido, cores, acessórios e a maquiagem. O filme na TV me fez lembrar outro clássico. As luzes do meu quarto-estúdio estão acesas e minhas idéias também. Acho que vou explodir. Assisti ao Poder da Arte da BBC sobre Picasso. Na TV Escola mil programas sobre obras-primas. Não me concentro em nada. Sinto angústia, vontade de produzir. Louco para trabalhar. Escrevo, escrevo, escrevo. 67% das escolas brasileiras não tem bibliotecas. Talvez se eu comer umas frutas, quem sabe carambolas, eu sossegue. Para que? Para quem? Tem vodka e gelo no meu freezer.

Domingo no Fantástico, vi uma reportagem sobre a ausência de negros nas passarelas. Dei uma gargalhada. Muitos idiotas ficam curiosos  querendo saber por que eu não assisto a Tv Globo. O inútil BBB 8 está no ar e mais uma vez só tem um negro como participante. E essa escassez de afrodescentendes se amplia para as novelas de todas as redes de TV nacionais. Penso: para quem são produzidas as novelas brasileiras? Penso, como interessado em moda: para que existem as semanas de moda tupiniquim se só vemos modelos do Rio Grande do Sul?

Todos os meus amigos estão cansados de saber que sou uma versão (ultra) gay do Sargentelli. Eu costumo brincar que sou sexualmente monocromático. Cortando vocês, sim estou tomando um coquetel. Ai, caralho. Do que eu estava falando? Por que não vemos negros na passarela. A resposta é simples. A auto-estima do brasileiro é baixa. Vamos desfilar modelos que se pareçam com europeus para que eles achem o Brasil bonito. E, automaticamente, o brasileiro lindo. Nós fingimos ser o que não somos. O Brasil é o maior consumidor de remédios pra emagrecer e somos um dos países campeões em cirurgia plástica. Consumimos demais. Muitos sapatos, muitas roupas, pacotes de viagens, iogurtes pra cagar melhor. Parece que sempre estamos precisando de qualquer coisa. Parece que sempre falta algo. As mulheres brasileiras são consideras as mais bonitas do mundo. Dove encomendou uma pesquisa e constatou que menos de 2% dessas mulheres se acham belas.

Sou viadíssimo. Acredito que gosto tanto de mulher que nasci gay. Acho difícil acreditar que as mulheres não vejam as deusas que elas são. Como também é difícil explicar para as pessoas a beleza que eu vejo num homem enriquecido de melanina na pele. O cheiro é bom, a estrutura do corpo é fascinante, o sorriso é hipnotizante e o brilho da pele ofusca diamantes. Uau! Ainda bem que eu estou no meu segundo copo de vodka.

Terça quando eu subi para assistir nossa estrela-mor das passarelas, passei por um grupo de meninos… hum…Chocolates. Um deles comentou “Me falaram que ele adora um escurinho” e o outro acrescentou “Gosta? Quero ver se ele vai gostar mesmo se eu mostrar para ele um negão tripé”.

Ah! É isso que eu quero ver na semana de moda. Na minha exclusiva semana de moda.

 

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Um comentário sobre “I Am Not A Plastic Man”

  1. Fuck the TV!

    Percebo que você continua nesse consumo explosivo de TV a cabo. Nossa!
    Nunca conheci uma pessoa que assista tanta TV ao meu redor. Mas sei que você lê bastante também. Às vezes, chego a pensar o quanto seria pernicioso, se eu instalar na minha casa, TV a cabo. Talvez não. Adoro filtrar todos os meios de comunicação, sem exceção alguma. Temo em tornar-me “um rato em busca de queijo”. Mas sou moderado com isso.

    Livros são minha revolução pessoal! Consegui nestes últimos anos, aproximar-me do niilismo com a mídia TV. Nothing really matters.

    Os negros ficam revoltados com a discriminação, mas ligue a TV deles e pergunte o que eles querem ver. O que eles querem vestir? Quem eles gostariam de beijar? Estão plugados na Globo. Esbranquiçam. Usam Adidas e frequentam a Beira Rio no verão, em corridas junto aos moradores dos apartamentos enormes da classe B de Três Rios. Os negros querem ascensão. O Jô do Grotão sonha alto e já tem motocicleta. Da última vez, bati punheta no bar, em que ele estava presente. Não aguento vê-lo tão gostosão. Caralho!!! Por isso, são violentos. Elogie-os e pode até sair morto.

    Ontem presenciei uma situação semelhante num bar. O professor de educação física Alexandre foi agredido verbalmente por um rapaz negro. Alexandre pediu o copo de cerveja das mãos do tal rapaz para matar a sede do sanfoneiro. O rapaz disse a ele que “gosta de mulher”. Alexandre quase parte pra briga com ele. Entrou em choque. Fiquei desnorteado com aquilo.

    Mas o Alexandre é tão sexy que outros homens se incomodam muito. A arte incomoda e te faz pensar. Os negros são assim. São exóticos. Por isso, ficamos inconformados. Queremos sempre mais. O Alexandre disse-lhe, que ele não faria seu gênero. Criou-se uma animosidade desde aí. Eu tinha acabado de fumar um baseado e fiz reflexões com o Flávio. Entramos no bar sob um eflúvio de alegria que, sumiu momentaneamente.

    Alexandre sentou ao meu lado depois da discussão. Ele é um afrodescente com um sorriso largo e expressivo. Culto, esbelto, sabe lutar capoeira e jiu-jitsu. Fala francês fluentemente. Quando me disse que desafiaria o rapaz a uma briga, meu coração disparou. Ele é um artista que grita por respeito e sabedoria. Contei a ele que minha luta é a mesma.

    Auto-estima se conquista, quando se permite. Percebi isso. Quando você se deixa livre. Se o rapaz tivesse o mínimo de educação, a festa duraria mais. De repente, nasceria uma bela amizade com o fascinante prof. Alexandre. Milhares de pessoas só vêem o que lhes convêm. Você já questionou se a educação brasileira permite aos negros e todos os homens a fazer moda, artes cênicas e ballet clássico? Eu era dispensado das aulas das meninas. Fui proibido por ser homem. Odeio jogos coletivos.

    Eu também gosto de mulher, diria ao rapaz. Sou fã de Almodóvar que é fascinado pelas mulheres e pelo mundo ‘trash’ delas. E a cena era trash: eu, Flávio e Alexandre. Cantamos forró. A cultura popular no rosto e nos sentimentos de toda aquela gente. O sanfoneiro nunca olha as notas musicais na sanfona, comentava o Alexandre. Ele é um artista, sente as notas, sente a música, disse-lhe. A voz dele é tão densa e fervorosa, comentei. Ficamos encantados com o jogo popularesco.

    Até um tocador de pandeiro se juntou a nós. Ele era negro e apertou minhas mãos desejando ano novo. Fiquei feliz pela noite. O inferno está nos outros. Será que estes artistas se inspiram nos programas de TV? Vêem BBC? GNT? TCM? Eles tem arte no coração independentemente disso. É só. Eu falei de Arte?

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