a verdade esporrada

Agora fudeu. Aquela garrafa de vodka fez efeito. Estou dançando ouvindo Vive La Feté “Liberté“. Baixei meu nível. Sinto-me muito bem. E bêbado. Nessas horas a verdade aflora. Gosto do rumo que a minha vida está tomando. Gosto, gosto muito das pessoas que estão ao meu redor. Eu tiro as máscaras. Preciso escrever sobre o que está acontecendo. Por favor, preciso também que alguém leia. No meio do caminho eu cito Thomas Mann.

Dia 9, foi um dia lindo. A amizade entre mim e minha mãe tomou um rumo inesperado. Conversávamos sobre o amor. Dois capricornianos. Temos fama de frios e calculistas. Temos fama de ambiciosos e reservados. Não se esqueçam: o goró bateu. Minha mãe e eu falávamos de amor. Minha mãe na próxima segunda fará um ano novo. Namora um cara que tem quase a metade da idade dela. Não quer mais. Ela me disse, logo para alguém que nunca namorou, ela me disse que meu pai, meu pai que me criou, que me aceitou como filho, meu pai D’stefano de Freitas Valle que comprava muitos livros para mim, o jornal O Globo e me ensinou a ouvir MPB (Chico, Toquinho, Vinicius), minha mãe me disse que o meu pai foi o único homem honesto com ela.

Puta que o pariu. Vou tomar mais vodka. Tenho amigos viados que foram expulsos de casa por serem gays. Minha mãe e eu conversamos sobre tudo. Agora evoluímos. Ela quer que eu arrume um namorado. Perguntei para ela o que era o amor. Fiz um café maravilhoso. Meu café é elogiado até em velórios. Eu perguntei para ela como se tem certeza que o amor chegou. Outra dose, por favor. Ela disse “você é meu amigo. Você não é mais meu filho. Você meu amigo. O amor é”… Minha mãe tem quase 60 anos e continua gostosona. Ela disse “o amor é”… Peraí! Vou mijar.

Engraçado. Existem 12000 websites neonazistas. O lucro das loterias da Caixa com a megasena foi de cinco bilhões. Um aumento de 23%. As pessoas odeiam e jogam na loteria. Ninguém cria ou aposta no amor. Os poetas morreram? Mataram a poesia?

Os índices de suicídio, que não param de acelerar, aumentam em 10% em Dezembro. Posso fazer uma pergunta a todos? Posso sim. Sou eu quem está escrevendo. Na possibilidade de uma vida após a morte, existe suicida? Você pode se suicidar depois da morte? Quais são nossas reais escolhas na vida? Eu, por exemplo, quero muito o respeito dos outros. Isso é uma escolha minha. Será que realmente tenho escolha? A minha vida pertence a quem? Eu vivo sendo discriminado nas ruas e quero respeito. O livre-arbítrio é propaganda enganosa? Amores, estou fugindo do assunto.

Agora, sim. O amor. 12000 páginas na internet neonazistas. O amor. Um bêbado falando de amor. 12000 só? Gente que nunca foi fudida montam páginas para discutir o ódio a gays, judeu e não brancos. Vamos dar uma gargalhada? Mal comidos! O amor… Eu sei que vocês ainda acreditam em bêbados. O amor existe. Rendam-se. Fodam-se. A porra da verdade é essa: capricornianos não são fofoqueiros. Não vou expor a conversa que tive com a minha mãe. Ainda tenho um copo cheio de gelo e vodka. E mais bebida na garrafa.

“O Palhaço” do Thomas Mann: “Nada tenho sentido que nojo, nojo por tudo, um nojo que me estrangula, que me persegue, que me arrepia, um nojo que, espero, algum dia me dê a força necessária para desprezar tudo e terminar meus dias”.

Tenho vodka para tomar. E certeza: eu amo meus amigos, amo o papo que tive com a minha mãe. E ainda não li Mann o suficiente. Na penúltima vez que eu fui agredido me senti o palhaço do Artic Monkeys. Amo Rock’n’roll. Minha mãe tem razão. É preciso correr riscos pelas coisas que a gente ama. Não sabemos nada.

Amo homens de pele bem escuras. Os cinco ou seis caras que me agrediram eram meninos negros. Eu ainda amo meninos negros. Não me censurem porque estou bêbado. A verdade, a verdade esporrada é que eu tenho vodka. Ai, que tesão.

 

Anúncios

Um comentário sobre “a verdade esporrada”

  1. O amor precisa ser camaleônico

    A verdade é sempre cartártica. As mentiras, sádicas. E o silêncio, emblemático e sublime. A caminho da formatura de minha irmã no sábado, ouvíamos Enjoy the silence (remix), Depeche Mode. Todos em silêncio no carro. Meu pai só dirigia, nada mais. “Words like violence/ Break the silence/Come crashing in/Into my little world”. Versos maravilhosos.

    Falei da década de 80. Falei de uma das minha bandas favoritas desse tempo da desilusão oitenticista, à época da larga disseminação da Aids pelo mundo. Falei do Nada. Chorei, emocionado. Adoro o silêncio, meu guardião, e abuso sexualmente das palavras. Elas são minha luta, meu escudo.

    Por isso mesmo, o nojo por tudo nos estrangula. Agora escuto a mesma canção do Mode no álbum Karma Code, na voz de Lacuna Coil. Música pra excitar os nervos!

    Thomas Mann. Que bom. Você lê Estética. Verdade e comtemplação ao belo. Eu adoro o Belo, com moderação. Ouvir e responder ao mundo com silêncio, me estrangula. Gosto de falar, grito e reivindico. Quebro as portas trancadas. Cadê minhas paixões? Estou brigando pelo meu mestrado até hoje, meu sonho! Quero ensinar Comunicação. Vou conseguir. Adoro conversar com as mamães também. Neste sábado, fui ao baile de formatura da Cris.

    Na tarde de sábado, fui correr na BR040. Quando voltei da estrada, minha mãe perguntou, maquilada e cabelos penteados: Olá, meu filho, como fiquei? Bonita? Eu nem tive palavras…Ela estava linda! Amor é belo. Reverenciei o estado de espírito da minha mãe com mil elogios. Eu recebi um elogio fascinante da Carol: Você tem uma pele linda. Adorei! Ficou bem no terno.

    Critico pra caralho esta sociedade. Mas adoro fazer parte de tudo também. Tomei um Cabernet Sauvignon Miolo Seleção. Cerveja? Nem pensar. Em qualquer esquina, tomo cervejas. Tomei licores de 3 sabores: pêssego, tangerina e curaçao blue. Comi morangos banhados numa cascata de chocolate. Mesa de frios, adoro. No telão próximo à pista de dança, o espetáculo Alegria do Cirque du Soleil. Gozei com tantas imagens lindas. “Olha Carol, quanto amarelo, teatro, China, vida!”.

    Comentei sobre a arte orinetal com a minha irmã bailarina, descendente de orientais. Falamos sobre disciplina e sonhos. Estava com um terno japonês que somente eu vestia. Presente do meu pai. Modelo exclusivo.

    Observei a tudo, ao vivo, a cores. La Dolce Vita, de Fellini. Famílias felizes? No banheiro, vômito. Os homens sempre se deprimem nestes ambientes. Procurei por sexo quase a noite toda. Ninguém disponível, a não ser os heterossexuais em pleno compromisso, enamorados. As pessoas bebem tanto pra quê? – questionei. Vomitar a sociedade!

    Eu suei muito, dancei sob efeito do álcool e da experiência gastronômica. Uma banda desconhecida mas valeu o som. Tocou rock de 60 e 70. Queria muito fugir dali, quando ouvi Tim Maia. Verdades. Muitas verdades e um copo de álcool! “Vale o que vier, vale o que quiser/ Só não vale dançar homem com homem/ Nem, mulher com mulher, o resto vale”. Foi a pior coisa que ouvi na noite. O funk ainda era melhor que isso.

    Tim Maia era outro rebelde sem causa, mas tão primário nas suas composições. Havia dois casais gays na mesa em que eu estava. Na orla da felicidade, não há homossexuais. Recentemente, li que os hippies defendiam a liberdade sexual, mas nunca defenderam relações gays. Tim Maia viveu a era hippie. Ele já foi destaque na música brasileira, em vida.

    Conheci uma cantora Luciana nesta noite que namora uma das amigas de minha irmã, a Thaís, também formanda em Direito. Ela tinha um São Jorge nas costas. Disse que canta MPB na noite carioca. Fiquei encantado com sua beleza negra. Coxas lindas. Entrevistei a Luciana por alguns minutos, enquanto saboreava camarões empanados. Luciana estava cheia do funk que tocava na pista de dança. Ela é aquariana e gosta de Mart’nália. Não gosta da Beth Carvalho.

    A Carol, minha irmã, se acabava no funk, com um vestido lilás espetacular! Admiro a Carol pra caralho. Quero vê-la na escola de danças da Unicamp, excelência em pesquisa no País. Seria o lugar onde poderia estar, não fosse a força com que minha mãe destruiu meu sonho em ser bailarino, ainda na infância. Sou camaleônico, de fato. Aplaudo a conquista de quem só fode comigo, quem me exclui. Mas os corações não escolhem o objeto amado. Mesmo assim, o amor também precisa ser camaleônico. Senão, mata-se em vão todos os amores encontrados. Antes de 2007 terminar, o grande amor da minha irmã Carol foi destruído. Seu namorado foi assassinado. Hoje ela foi depor na Delegacia. Continuo admirado com a força dessa mulher!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s