Mototáxi para Paris

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“A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!”

(Mario Quintana)

E eu era o único de toda a festa que estava colocado tomando uma oti num canecão do Botafogo. Agora percebam o drama: Televisão ligada no Zorra. Gente careta é um prato cheio para a mediocridade. E medíocres nunca comandam. Nunca avançam. Uma mulher gorda muito maquiada reclamando dos juros do cartão de crédito e mostrando as fotos sem photoshop das férias na praia do Futuro parcelada em 12 vezes. Ela disse: Maior sacanagem esse governo. Eu ri baixando a cabeça e por uns poucos segundos eu senti menos tédio. E quase religuei para o meu contato religioso. Sacanagem seria levar uma volta. Ainda bem que eu tinha um fino no bolso. Sorte ainda ter a opção de vazar daquele lugar. De dar uma volta. E vontade de dar não se cura.

A atividade entre os homens mais complicada: transparência. Não gosta: Tchau. O essencial é dar uma volta no mundo. Nunca chorar. Nunca sofrer. Respirar e fumar na estrada. Depois, chupar uma mala. Ops! Bala. Descobrir-se nos botequins, nas quebradas, ir até o chão, dançar um forró em alguma espelunca, triunfar.

Porque tem que ter uma saída, veado. Tem que ter uma porta, um terreiro, um aeroporto, um helicóptero, um arco-íris que nos extraia desse lugar. Por favor, não fale da morte. Hoje eu quase… queria passar três dias sem pensar nessa hipótese. Se não fosse pelo seu abraço logo no cu da manhã. Se não fosse pelo Sol e por sua luz. Amar-te é uma saída? Amar é a saída? Mas como explicar para essa gente mais ou menos nas pizzarias mais ou menos tomando Coca-Cola mais ou menos tirando foto mais ou menos que a vida é um milagre bom? Ah! Se não fosse essa paixão no meu peito, eu juro que colecionaria metralhadoras.

Foto: go-see-eloho-orogun

Dundum ao molho pardo

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“Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer – sem a poesia, jamais”. (Charles Baudelaire)

“É o comer que faz a fome”. (Eça de Queiroz)

Não sei se corto os pulsos ou se tomo uma catuaba selvagem. Cachaça e picolé de pitanga sete e meia da manhã. Puta que o pariu, veado. Nunca fui tão elegante. Todas as cores possíveis no prato. Nenhuma fome. O tempero é a vida. Pimenta, alho, curry, páprica, gengibre. Quem é de Deus que enrole a massa. Água, chá, café, babi, marafo. E o principal ingrediente: Você saindo do chuveiro contente. Eu abri a janela, a porta, o vento. Eu te beijei quando te entreguei o copo quente.

Qual é mesmo a graça de se viver sem amor? Sem dar um cheque? Sem iludir a Maria Lúcia? Amor é tesão e coragem. Toda vida é deliciosamente perigosa. Toda vida que se preze. Está com medo de quê? Isso também é doença: Medo. Devore-me ou esqueça-me. Não gosto de nada morno.

Foto: RalphAkhigbest2

O Rei Artur

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Reza a lenda que tendo o décimo sexto copo de conhaque nacional erguido numa mesa redonda de botequim, você se transforma em

(Continua)

Artur, o bagulho tá verme. Vamo’ ferver. Sair dessa Morada do Sol. Ser humano é para ferver. Não para se torturar (a tristeza dessa gente não conta). Desce para Vila. Tchau.

E eu desci. Cueca preta, meia preta, calça preta, camiseta preta, paletó chumbo, lenço preto, clutz preta, nota preta, bagulho. E eu desci caminhando. O que eu tenho é fogo no rabo, não depressão. O que eu sou é a regra, e eu gosto assim.

E te encontrei. Botequim fodidão. Gente babadeira. Te abracei, te beijei. Elogiei sua produção. E aceitei o conhaque e o brinde. Viver é genial. Trouxe o meu pendrive. Eu disse bem alto. Eu preciso de música para me sentir completo. Música é minha epifania. Minha ordem e eu sou o rei. E quer saber?

Lembra daquela conversa que nós tivemos no meu quintal? Pois é. Realmente. Ninguém é gigante sozinho. Castelos não se constroem na solidão. Não precisa ser líder em tudo. Dono do mundo. Deixe outras pessoas brilharem. Conserve sua coroa aplaudindo o sucesso de todos. Quanto mais feliz é o povo, menos é a guerra.

Aí você disse: O que eu quis dizer, Arturzinho, é o seguinte: Estamos aqui tranquilos tomando conhaque com gelo e limão. Ouvindo Cartola. Foi preciso um exército para que nós dois pudéssemos desfrutar dessa paz. Alguém desenhou esse copo, outro desenvolveu a fórmula dessa bebida, um agricultor plantou essa fruta, um alfaiate costurou seu paletó. Muitos trabalharam para que recebêssemos todos esses produtos. Até a dona do bar se mobilizou para ligar o som para gente.

Eu te olhava e ouvia com atenção e pedi que renovassem nossos copos. Mais gelo? Te interrompi. Vi seu sinal de sim com a cabeça e, de novo, brindamos. Do que é feito o conhaque? Quem será que descobriu como se fabrica essa bebida alcoólica? Quem foi o primeiro a ficar bêbado? Quem foi o primeiro a ter coragem? O pioneiro. Quem se atreveu a ir além?

Você me olhou nos olhos e disse: Genialidade se conquista com bastante entusiasmo e paixão. Não adianta só pensar, querer e tentar. Todo grande criador prefere a morte a ter uma vida medíocre. O sucesso está em ir além do óbvio. E é um exercício simples. De que serve ter boas ideias, se você tem medo de sangrar, de ser ridículo?

Artur, você está derrubando o conhaque?

Não sou eu. É a vida.

foto: fabio-tavares-by-marc-antoine-serra

Arrebenta a Piranha

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Temporada de inverno 2015 na Jaqueira. Chega de Palmital. Chega de você. Quer saber: Hora certa para renovar o guarda-roupa para esquecer esse amor não correspondido. Será? Hora de renovar a casa. Renovar a vida. Tomar banho, fazer a barba, fazer a chuca. Tomar um porre cazamiga bagaça. Cantar um ponto, bater uma palma e e e …. Acordar ainda doidão procurando um cigarro e perceber que tem um homem tatuado deitado no sofá do quarto de cueca boxer Dolce e Gabanna folheando uma edição da Numéro.

Bota fogo na bomba. Ele disse. Homem gostoso. Pele escura marcada. E largou a revista na mesa de caixa de frutas e se espreguiçou esfregando os olhos timidamente. Esticou o corpo e sorriu. Eu tenho tanta sorte para atrair gente bonita. Eu pensava. Eu penso demais, eu creio.

O problema nem é a cidade ser pequena. Eu nem quero muito. O defeito estar em ser pouco. Ser menor. Sonhar quase nada.  E quer saber também: Nós perdemos muito tempo chorando, sofrendo, errando. Eu pedi que você escrevesse no bloco de notas do seu smart: Errar melhor. Seja lá o que eu queria com isso. Seja lá o que eu queria.

Eu sei. Eu preciso de um tempo só meu. Um tempo para pensar. Só. Toda pessoa criativa é estranhamente sozinha. Ser humano é para criar. Viver é criar. Criar conflito, criar confusão. Bater uma dúvida. Ter raiva, chorar. Pensar numa saída. Saber quem somos. Quem sou eu? Quem sou eu? Sem você. Eu não me estou. Nem sou eu. Toda vez que eu olho para você é uma nova inspiração no mundo. Você é o molde do universo.

Eu acredito que você é a pessoa mais bonita que eu já amei. E olha que eu me apaixono todos os dias. Sim. Eu sou feito de paixão. Não quero: desligo. Mudo. Eu gosto de mudar. Por isso, rasquei as nossas fotos. Apaguei até aquelas fotos. Foi difícil. Doei alguns livros e DVDs para umas pessoas finas. Tentando te esquecer. Ter você morando no meu peito estava virando uma doença. Disseram-me que isso poderia me matar. E daí? O que me importa? Se me perguntarem qual é a coisa mais importante nessa merda de vida, eu responderei: Eu não sei. E se essa for a resposta?

foto: joseph

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Espalhar amor. Esse era o código. Sem desculpas. Levanta mais cedo e espalha. Ontem foi ontem. A dor até passou. Levou um pé na bunda? Perdeu aquela oportunidade incrível de estágio no exterior? A faculdade é um desencanto? O mundo odeia veado? Eu disse sem desculpas. Começa de novo. A maneira que tem que ser é o modo que eu sinto.

Aí eu fui tomar um café e umas brejas. Tinha acabado de fumar um admirando a chuva que caia de leve no nosso quintal. Eu procurei por uma pinga e aquela padaria tão fina que vende jornal. Quando chega a Vogue? Eu perguntei folheando uma página de O Globo. Qual era a matéria? Eu sou aquele que lê o caderno cultural. Eu sou aquele que gosta de comprar água mineral. Eu sou aquele que fica paquerando a gôndola de temperos caseiros. Eu sou aquele que gosta de comer fruta depois da janta como sobremesa. Eu sou aquele que quase nunca reclama da vida e só não presto para ser seu.  Acredito em sorriso sincero e sei que toda pessoa inteligente deveria contar uma piada por dia e amar.

Aí você entrou na padaria com a merdinha que agora você chama de namorado carregando um tédio avassalador. Eu fui só um amante, né? Eu sou o quê? Camisa surrada de banda grunge, jeans, converse azul, lenço em algum lugar. Óculos? A minha sorte é que eu não estava sozinho. Nada mais decadente que encontrar com alguém que você é passado e seu coração se cortar.

Jovem demais para morrer tão moço. Jovem demais. Cura essa dor e começa de novo. Amanhã, me disseram, que vai melhorar. Depois de todo esse terremoto, todas essas mortes, todas essa tragédias banais e notícias ruins. Sabe o que me disseram? Amanhã vamos morar dentro da estrela azulada.

foto: beautifulblackmen

55 ótimos motivos para você viver sorrindo

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Acordei com meu amor batendo nossa porta e aquele carinho elegante que só os librianos foram abençoados de possuir. Perdão tristeza, não rola. Sol sorrindo, verde no quintal se divertindo. Você.

Abro a porta. Estava com sonho? Sorrio. Abraço. Água gelada. Frutas vermelhas. Linda essa amora. Um beijo suave de boas-vindas. Bem-vindo você. A casa é nossa. A vida é nossa. O destino. O mês de abril. Sexta-feira.

:)

Excelente, você

Carol, caralho.

Aí eu nem respondi suas reclamações. Quem sou eu achar? Não sou Pedro. Nem Cabral. Não sou ninguém. Acho legal. Quem é você? Gostaria de descobrir. Quem sou eu? Eu sou o mesmo de ontem ou eu sou o amanhã? Eu sou aquilo que acredito ou sou melhor acreditando que ser eu -eu sou eu mais nada- é muito bom? Viva o sol. Isso eu sei.

Eu sei que quero colo. Eu quero poesia. Eu quero que você não desanime e dance comigo. Venha comigo e olha que eu nem quero tanto. Nem exijo que você me ame ou me compreenda. Eu quero música. Todas as músicas.

Quer morrer? Morre lutando. Escolhe o dia da sua morte. Luta. Luta. Luta. Luta veado. Luta, mulher. Nunca descanse.

A confusão está em desejar. Não queira nada, pense nisso. Acordar cedo na Morada do Sol e esses 50 tons de verde no quintal e o pãozinho quente de padaria. E você. A fumaça do café na xícara. Nem quero te ver saindo do banho de toalha e o ventilador ligado. Pele negra, toalha vermelha.

Quer ter uma experiência fantástica? Dá-me sua mão. Para de chorar. Ouça essa canção. Ouça-me bem, meu anjo. Todo mundo adoraria ser amado por você. Seu corpo sem vergonha molhando a casa. Toalha no chão. Não sei se tiro esse short. Não sei se renovo o protetor. Dia lindo. Água gelada. Tudo é lindo quando eu estou com você.

foto: amenity-magazine

Eles Não Usam Black Tie

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Tá ligado? Eu não sou ninguém. Meu nome é ninguém. Não me quer? Conte outra mentira. Subi o morro. Dei um abraço na minha entidade. Desci feliz. Todo mundo está feliz com a embalagem no bolso. Tomei uma bebida vulgar no mesmo botequim. Usei o banheiro. Nem queria mijar. Voltei. E vi uma saída. Me dá mais uma. Eu quero uma otim. Eu quero fugir. Eu quero quase sumir. Ou curar meu coração partido. Ou te esquecer. Não consigo.

Eu vi você com outro. Comportei-me elegantemente na mesa como você tinha pedido ao telefone falando todas aquelas obscenidades.  Pedi um coquetel. E brindei pensando em assassinato. Como você está? Além de irresistivelmente lindo? Outro coquetel, por favor. Caipirinha de frutas vermelhas, eu recomendei ao barman.

Não. Não quis morrer de ciúmes do seu novo namorado entediado no smartphone conferindo a selfie. Nada mais pobre que tirar foto na mesa de pizzaria.

Vamos dividir uma pizza? Você perguntou.

Deus me livre. Eu respondi. E fiz sinal de que nada desceria. Você sorriu. Adoro quando você sorri. Adorei ainda mais quando o mister importante levantou-se para atender outra ligação de merda de um amigo virtual. Você perguntou, lembra? O que eu tinha achado dele. Eu disse: Nem percebi que tinha alguém do seu lado. Assustador seu gosto estranho para fantasma. Achei que a moda, agora, era zumbi. E roçamos perna com perna.

Não sei viver de forma morna. Gosto da sua carne fervendo e do meu copo congelando. Você escolheu viver com um Gasparzinho. Tentou me magoar como se isso fosse possível. Meu amor, eu tenho o sol na minha janela, sangue na veia, vodca e um DJ me possuindo. Não sou esse resumo vulgar: Todas as pessoas nessa pizzaria estão brincando com seus celulares. Amanhã irão acordar amargas. Escovarão os dentes, pegarão trânsito. Reclamarão do preço alto do filé, mas comprarão mesmo assim. Isso é vida? Isso é vida, meu amor?

Eu não entendo esse exigir pouco das pessoas. E porra! Para com essa história de ex. Ex-marido, ex-namorado, ex… Gay. Mamava gostoso, mas ex. Hoje. Vive-se é hoje. Agora. Vou ao banheiro. Como assim de novo? Eu vou no banheiro agora. Primeira vez.

Eu tenho um pé na melancolia que me arrasa. Quanto mais negro é o dia mais eu tropeço. Eu sou o esgoto. Depósito de merda. Tampa da privada. Eu se pudesse chorar. Uso o banheiro. Seu amor é meu vício. Você é meu vício. Eu sei que estou sofrendo e nunca me diverti tanto. Cansei do normal, meu DNA foge do que é estabelecido. E viajar devolve-me o que eu era antes.

foto: Lucas-Cristino