O Rei Artur

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Reza a lenda que tendo o décimo sexto copo de conhaque nacional erguido numa mesa redonda de botequim, você se transforma em

(Continua)

Artur, o bagulho tá verme. Vamo’ ferver. Sair dessa Morada do Sol. Ser humano é para ferver. Não para se torturar (a tristeza dessa gente não conta). Desce para Vila. Tchau.

E eu desci. Cueca preta, meia preta, calça preta, camiseta preta, paletó chumbo, lenço preto, clutz preta, nota preta, bagulho. E eu desci caminhando. O que eu tenho é fogo no rabo, não depressão. O que eu sou é a regra, e eu gosto assim.

E te encontrei. Botequim fodidão. Gente babadeira. Te abracei, te beijei. Elogiei sua produção. E aceitei o conhaque e o brinde. Viver é genial. Trouxe o meu pendrive. Eu disse bem alto. Eu preciso de música para me sentir completo. Música é minha epifania. Minha ordem e eu sou o rei. E quer saber?

Lembra daquela conversa que nós tivemos no meu quintal? Pois é. Realmente. Ninguém é gigante sozinho. Castelos não se constroem na solidão. Não precisa ser líder em tudo. Dono do mundo. Deixe outras pessoas brilharem. Conserve sua coroa aplaudindo o sucesso de todos. Quanto mais feliz é o povo, menos é a guerra.

Aí você disse: O que eu quis dizer, Arturzinho, é o seguinte: Estamos aqui tranquilos tomando conhaque com gelo e limão. Ouvindo Cartola. Foi preciso um exército para que nós dois pudéssemos desfrutar dessa paz. Alguém desenhou esse copo, outro desenvolveu a fórmula dessa bebida, um agricultor plantou essa fruta, um alfaiate costurou seu paletó. Muitos trabalharam para que recebêssemos todos esses produtos. Até a dona do bar se mobilizou para ligar o som para gente.

Eu te olhava e ouvia com atenção e pedi que renovassem nossos copos. Mais gelo? Te interrompi. Vi seu sinal de sim com a cabeça e, de novo, brindamos. Do que é feito o conhaque? Quem será que descobriu como se fabrica essa bebida alcoólica? Quem foi o primeiro a ficar bêbado? Quem foi o primeiro a ter coragem? O pioneiro. Quem se atreveu a ir além?

Você me olhou nos olhos e disse: Genialidade se conquista com bastante entusiasmo e paixão. Não adianta só pensar, querer e tentar. Todo grande criador prefere a morte a ter uma vida medíocre. O sucesso está em ir além do óbvio. E é um exercício simples. De que serve ter boas ideias, se você tem medo de sangrar, de ser ridículo?

Artur, você está derrubando o conhaque?

Não sou eu. É a vida.

foto: fabio-tavares-by-marc-antoine-serra

Arrebenta a Piranha

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Temporada de inverno 2015 na Jaqueira. Chega de Palmital. Chega de você. Quer saber: Hora certa para renovar o guarda-roupa para esquecer esse amor não correspondido. Será? Hora de renovar a casa. Renovar a vida. Tomar banho, fazer a barba, fazer a chuca. Tomar um porre cazamiga bagaça. Cantar um ponto, bater uma palma e e e …. Acordar ainda doidão procurando um cigarro e perceber que tem um homem tatuado deitado no sofá do quarto de cueca boxer Dolce e Gabanna folheando uma edição da Numéro.

Bota fogo na bomba. Ele disse. Homem gostoso. Pele escura marcada. E largou a revista na mesa de caixa de frutas e se espreguiçou esfregando os olhos timidamente. Esticou o corpo e sorriu. Eu tenho tanta sorte para atrair gente bonita. Eu pensava. Eu penso demais, eu creio.

O problema nem é a cidade ser pequena. Eu nem quero muito. O defeito estar em ser pouco. Ser menor. Sonhar quase nada.  E quer saber também: Nós perdemos muito tempo chorando, sofrendo, errando. Eu pedi que você escrevesse no bloco de notas do seu smart: Errar melhor. Seja lá o que eu queria com isso. Seja lá o que eu queria.

Eu sei. Eu preciso de um tempo só meu. Um tempo para pensar. Só. Toda pessoa criativa é estranhamente sozinha. Ser humano é para criar. Viver é criar. Criar conflito, criar confusão. Bater uma dúvida. Ter raiva, chorar. Pensar numa saída. Saber quem somos. Quem sou eu? Quem sou eu? Sem você. Eu não me estou. Nem sou eu. Toda vez que eu olho para você é uma nova inspiração no mundo. Você é o molde do universo.

Eu acredito que você é a pessoa mais bonita que eu já amei. E olha que eu me apaixono todos os dias. Sim. Eu sou feito de paixão. Não quero: desligo. Mudo. Eu gosto de mudar. Por isso, rasquei as nossas fotos. Apaguei até aquelas fotos. Foi difícil. Doei alguns livros e DVDs para umas pessoas finas. Tentando te esquecer. Ter você morando no meu peito estava virando uma doença. Disseram-me que isso poderia me matar. E daí? O que me importa? Se me perguntarem qual é a coisa mais importante nessa merda de vida, eu responderei: Eu não sei. E se essa for a resposta?

foto: joseph

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Espalhar amor. Esse era o código. Sem desculpas. Levanta mais cedo e espalha. Ontem foi ontem. A dor até passou. Levou um pé na bunda? Perdeu aquela oportunidade incrível de estágio no exterior? A faculdade é um desencanto? O mundo odeia veado? Eu disse sem desculpas. Começa de novo. A maneira que tem que ser é o modo que eu sinto.

Aí eu fui tomar um café e umas brejas. Tinha acabado de fumar um admirando a chuva que caia de leve no nosso quintal. Eu procurei por uma pinga e aquela padaria tão fina que vende jornal. Quando chega a Vogue? Eu perguntei folheando uma página de O Globo. Qual era a matéria? Eu sou aquele que lê o caderno cultural. Eu sou aquele que gosta de comprar água mineral. Eu sou aquele que fica paquerando a gôndola de temperos caseiros. Eu sou aquele que gosta de comer fruta depois da janta como sobremesa. Eu sou aquele que quase nunca reclama da vida e só não presto para ser seu.  Acredito em sorriso sincero e sei que toda pessoa inteligente deveria contar uma piada por dia e amar.

Aí você entrou na padaria com a merdinha que agora você chama de namorado carregando um tédio avassalador. Eu fui só um amante, né? Eu sou o quê? Camisa surrada de banda grunge, jeans, converse azul, lenço em algum lugar. Óculos? A minha sorte é que eu não estava sozinho. Nada mais decadente que encontrar com alguém que você é passado e seu coração se cortar.

Jovem demais para morrer tão moço. Jovem demais. Cura essa dor e começa de novo. Amanhã, me disseram, que vai melhorar. Depois de todo esse terremoto, todas essas mortes, todas essa tragédias banais e notícias ruins. Sabe o que me disseram? Amanhã vamos morar dentro da estrela azulada.

foto: beautifulblackmen

55 ótimos motivos para você viver sorrindo

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Acordei com meu amor batendo nossa porta e aquele carinho elegante que só os librianos foram abençoados de possuir. Perdão tristeza, não rola. Sol sorrindo, verde no quintal se divertindo. Você.

Abro a porta. Estava com sonho? Sorrio. Abraço. Água gelada. Frutas vermelhas. Linda essa amora. Um beijo suave de boas-vindas. Bem-vindo você. A casa é nossa. A vida é nossa. O destino. O mês de abril. Sexta-feira.

:)

Excelente, você

Carol, caralho.

Aí eu nem respondi suas reclamações. Quem sou eu achar? Não sou Pedro. Nem Cabral. Não sou ninguém. Acho legal. Quem é você? Gostaria de descobrir. Quem sou eu? Eu sou o mesmo de ontem ou eu sou o amanhã? Eu sou aquilo que acredito ou sou melhor acreditando que ser eu -eu sou eu mais nada- é muito bom? Viva o sol. Isso eu sei.

Eu sei que quero colo. Eu quero poesia. Eu quero que você não desanime e dance comigo. Venha comigo e olha que eu nem quero tanto. Nem exijo que você me ame ou me compreenda. Eu quero música. Todas as músicas.

Quer morrer? Morre lutando. Escolhe o dia da sua morte. Luta. Luta. Luta. Luta veado. Luta, mulher. Nunca descanse.

A confusão está em desejar. Não queira nada, pense nisso. Acordar cedo na Morada do Sol e esses 50 tons de verde no quintal e o pãozinho quente de padaria. E você. A fumaça do café na xícara. Nem quero te ver saindo do banho de toalha e o ventilador ligado. Pele negra, toalha vermelha.

Quer ter uma experiência fantástica? Dá-me sua mão. Para de chorar. Ouça essa canção. Ouça-me bem, meu anjo. Todo mundo adoraria ser amado por você. Seu corpo sem vergonha molhando a casa. Toalha no chão. Não sei se tiro esse short. Não sei se renovo o protetor. Dia lindo. Água gelada. Tudo é lindo quando eu estou com você.

foto: amenity-magazine

Eles Não Usam Black Tie

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Tá ligado? Eu não sou ninguém. Meu nome é ninguém. Não me quer? Conte outra mentira. Subi o morro. Dei um abraço na minha entidade. Desci feliz. Todo mundo está feliz com a embalagem no bolso. Tomei uma bebida vulgar no mesmo botequim. Usei o banheiro. Nem queria mijar. Voltei. E vi uma saída. Me dá mais uma. Eu quero uma otim. Eu quero fugir. Eu quero quase sumir. Ou curar meu coração partido. Ou te esquecer. Não consigo.

Eu vi você com outro. Comportei-me elegantemente na mesa como você tinha pedido ao telefone falando todas aquelas obscenidades.  Pedi um coquetel. E brindei pensando em assassinato. Como você está? Além de irresistivelmente lindo? Outro coquetel, por favor. Caipirinha de frutas vermelhas, eu recomendei ao barman.

Não. Não quis morrer de ciúmes do seu novo namorado entediado no smartphone conferindo a selfie. Nada mais pobre que tirar foto na mesa de pizzaria.

Vamos dividir uma pizza? Você perguntou.

Deus me livre. Eu respondi. E fiz sinal de que nada desceria. Você sorriu. Adoro quando você sorri. Adorei ainda mais quando o mister importante levantou-se para atender outra ligação de merda de um amigo virtual. Você perguntou, lembra? O que eu tinha achado dele. Eu disse: Nem percebi que tinha alguém do seu lado. Assustador seu gosto estranho para fantasma. Achei que a moda, agora, era zumbi. E roçamos perna com perna.

Não sei viver de forma morna. Gosto da sua carne fervendo e do meu copo congelando. Você escolheu viver com um Gasparzinho. Tentou me magoar como se isso fosse possível. Meu amor, eu tenho o sol na minha janela, sangue na veia, vodca e um DJ me possuindo. Não sou esse resumo vulgar: Todas as pessoas nessa pizzaria estão brincando com seus celulares. Amanhã irão acordar amargas. Escovarão os dentes, pegarão trânsito. Reclamarão do preço alto do filé, mas comprarão mesmo assim. Isso é vida? Isso é vida, meu amor?

Eu não entendo esse exigir pouco das pessoas. E porra! Para com essa história de ex. Ex-marido, ex-namorado, ex… Gay. Mamava gostoso, mas ex. Hoje. Vive-se é hoje. Agora. Vou ao banheiro. Como assim de novo? Eu vou no banheiro agora. Primeira vez.

Eu tenho um pé na melancolia que me arrasa. Quanto mais negro é o dia mais eu tropeço. Eu sou o esgoto. Depósito de merda. Tampa da privada. Eu se pudesse chorar. Uso o banheiro. Seu amor é meu vício. Você é meu vício. Eu sei que estou sofrendo e nunca me diverti tanto. Cansei do normal, meu DNA foge do que é estabelecido. E viajar devolve-me o que eu era antes.

foto: Lucas-Cristino

Adeus, amor

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“Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor”! (Marilyn Monroe)

 

Aí, eu nem te contei, tomando cerveja na estrada e o ônibus rumo à cidade maravilhosa tava tão carente de mim. E eu li na Vogue sobre uma exposição imperdível no MAM e eu senti saudades da gôndola de vinhos do Zona Sul, da água do Arpoador, daquele sanduíche avião do gatinho do Pavão Pavãozinho. E meu povo com aqué e cartão. Desculpa perfeita para viajar: dinheiro no bolso. Vamo’ tomar uma oti na praia, veado. A bicha gritou acordando aquela espelunca. Eu estava tão atacado ontem pela manhã. Nem sei te contei. Toparia carregar o mundo.

A proximidade do aniversário do suicídio do meu irmão. Aquela conversa chata naquele jantar daquela mulher rica. A gente comendo no mesmo prato. Vida o padê. Pessoal irritado com a política. Pessoal irritado com a saúde do Brasil. Pessoal irritado com as margaritas. Pessoal reclamando comigo. Reclamando com o meu bico de barman. Detesto esse desperdício. Detesto esse lixo acumulado.

Aí eu saí daquele Vinhedo chorando tanto, sabe? Pronto para me jogar no Paraíba com uma garrafa de Chivas. Sair de um lugar tão luxuoso e depois para que serve a vida? Eu não entendo como alguém pode se sentir rica sem entender. Pobre para mim é esvaziar as perguntas para construir esse vazio.

Acho que você precisa de algo que te dê mais prazer, eu pensei. Ou conversava comigo? Eu conversava com quem? Quem era a minha testemunha? Quero viajar! Experimentar uma porra nova num salto alto, dá em cima de um negão da favela, meu amigo.

Motivação é dizer alto: você pode. Repita comigo: Você pode. Inclusive baixar a cabeça e se entregar. Mas qual a vantagem? Todo mundo que fracassa reclama de algum tipo de depressão babaca.

Aí a sapatão me gritou quase parando a moto fazendo sinal: E Aí Artur, qual é a fonte? Monocó nervosa. Escolhe um bolso, eu respondi. Você quer o negro no meu coração ou a montanha mágica? Munta aí, ela ordenou. A marafo loira é por minha conta.

Deus não pode fazer nada por você. Ele só agradece pela sua oração. O importante é ter fé. Ele me disse que a morte nunca resolveu os problemas de ninguém. Cura-se dor com carinho. Médico não é aquele que tem diploma de doutor. Faz seu canudo. Respira, bicha, respira. Curta a onda. Abraça-me e olha bem: Estamos quase chegando ao nosso destino.

foto: Marilyn

Veadíssimo

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E ela me perguntou entre alguns sorrisos naquele ônibus da Progresso.  Eu sei quando você sorri com vontade pois seus olhos brilham. Depois de ouvir música, eu me aproximo feliz de maravilhas que brilham, sabia? Eu amo os primeiros raios solares, proteção, água gelada em jejum, espreguiçar e sorrir, beijo na boca e você sem camisa. Ela me perguntou:

Mas por que você está namorando um negão, beecha?

Uau. Foi assim mesmo que eu pensei. Que porra é essa? O que é namorar? O que é escolher? O que é gostar? Se entregar? Enfiar o pé na jaca depois de uma noite de insônia pegando o primeiro destino. Qualquer cidade. Qualquer cidade! Ah! Se eu soubesse o que é namorar. Adorei sua mala, foi o que eu disse. E entrei com pressa no ônibus. Poltrona 33. Namorei seu vestido. Comprou no Brasil?

Viagem longa. Ah… Se eu soubesse o que é te desejar. Tem que amar mesmo para namorar? Rodar a madrugada sem nem sempre se sentir abandonado. Eu estava quase tão triste aquele dia, minha amiga, que querer chorar e sumir não estava adiantando. Subir o morro por vinte feitiços. Eu respirei e cadê você?

Eles não estão certos. Eles não estão certos. Como assim defender o casamento, mas não querer que todos se casem? Cadê a dor dessa gente? Onde fica a dor dessa gente? Eu odeio, eu odeio, eu odeio-iô-iô. Tudo que sabem fazer: Reclamar. Repetir e reclamar. Eles não estão certos. Só um lembrete: Na vida real, quando você não conhece um produto é como se ele não existisse. Você sabe o que é o amor? Você realmente sabe?

Abre esse vinho logo, por favor. Estamos em Minas e você sabe muito bem. Eu tenho bom gosto, ué. E nunca sofro.

foto: adonis bosso