Com amor é mais caro


fofana

“Fale do drama, e sua vida será um drama. Fale da aventura e a mesma vida será deliciosa”. (Aldo Novak)

Edi de bicha colocada não tem dono meu amor. Gritou a outra dentro daquele forró bagaceiro. Tomava um latão. Cinco reais cada. Segurava outro. O dono do botequim estava sem troco. E a cerveja já estava acabando. Lotado o bar. Soltando gente pelo ladrão. Encontro de forrozeiros. Estabelecimento pequeno, evento grande. Parecia uma multidão. O que eu fazia lá?

Eu não sei. Procurava diversão? Procurava sexo sem compromisso? Procurava você? Eu não sei. E a bicha dançando me fez rir muito. Merecia a outra cerveja. Baixinho, barriguinha, branquinho, bota de salto alto, roupa brilhante. Onde está a beleza? A beleza está aqui. A beleza é você. A beleza sou eu que vê beleza em você. Nós somos bonitos. Fui até a bicha. E ela disse… Ele disse: Conheço você. Eu: Quer cerveja? Ele: Três Coisas que eu não recuso. Homem difícil, dinheiro e cerveja grátis. Brindaremos a quem?

Para aquele gatinho ali na fila do banheiro masculino. E tim, tim. Fomos mijar. No banheiro das mulheres, lógico. Mais vazio. Olhando para o garoto. Lá ele perguntou se eu quendava noia. Fiz o canudo. E: Não. A bicha disse depois de aspirar toda aquela maravilha: O amor da minha vida me trocou por um mais novo. Eu: O meu também. Ele disse: Quer saber? Chega de falar de velório. Eu quero um com um pau maior. Nem precisa me amar. Fazendo-me gozar… Gosto mesmo é de gozar. Vamos que eu pago a próxima rodada.

E dançamos e dançamos e dançamos naquela espelunca.

Foto: #black-boys #Makan Fofana

Nós somos a noite

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Sonhei. Dormi? Não sei. E esqueci os remédios para cair no sono. Melhor medicamento para se dormir em paz é ler um bom livro. Imaginar, viajar, pensar, agir, criar. Essa é a medicação que você precisa. Para que sofrer? Para que chorar? Para que querer esquecer? A vida é boa. Lembre-se dela.

Mamãe jaguatirica me chamou para tomar um chá depois que o sol se fosse. O que mamãe Jaguatirica come com o chá, crianças? Comi dois jambos e doce da casca da laranja. Dona Jaguatirica é muito elegante. Com tanta gente careta e mal vestida na política que daqui a pouco vai ser proibido ter cabelo bonito. Dias melhores precisam surgir. Eu espero até quando é noite. Eu queria que fosse eclipse.

Se ontem foi um dia ruim. Não se preocupe. Durma em paz. Sonhe bastante. Sonhe! Gaste toda sua cota de sono REM. Acorde e diga bom dia. Amanhã terá sol outra vez.

Foto: #black #eclipse#moon #night

 

El Salvadora

lays

 

 

Reggae night ou we find love? Decida-se. Eu tenho outra opção? Achava chato. Quero uma música que fale de amor. Um amor que está tão longe que nos faz voar mais rápido. Isso. Essa música que você está ouvindo. E daí entra o DJ. A voz robótica e você quase tremem. Era um vestido de bolinha amarelinho. Ela usava. Feito das sobras do biquíni. Patchwork do verão 2015. E casaco xadrez masculino da Paul Smith comprado na Giulio. Cambridge. Sapato? Não lembro. Máquina fotográfica de uma profissional. Cabelo de deusa. Três coisas que combinam bem com mulher: Ouro, poder e beleza. Porém: Nada é mais precioso que ter liberdade. Liberdade combina com qualquer coisa. Até com aquele sapato. Era uma rasteirinha clássica comprada num brechó. Ela disse: Ai. Não resisto a bazar. Eu disse: Tenho um jeans da Cori 38 divino. Ela: Ai, Artur. Eu uso 34. Eu perguntei: Voltamos a ser tão magros assim? Quando eu era modelo, o 38 tinha que ficar pelo menos larguinho. Lays me deu um abraço. Nesse momento a música é mais calma. A canção trás conforto. Um hip hop. Uma balada.

Chega de música chata. Chega de velório. Dá-me um abraço que eu curo tudo. Me dá uma abraço que tudo é festa. Vamos tomar cerveja? Duas por cinco. Duas mulheres por cinco cervejas. Qual cerveja?

A história tem que ter fervo. Tem que ter alegria. O que você prefere? Amor ou tequila. Pode ser os dois? Nós dois. Pode somar? Podemos somar! Tem que ter alguém na história. Para que só ter um anel de brilhante quando se há vinte dedos? Ela disse… Na verdade a gente desceu porque ela queria me pagar uma bebida mais sofisticada e me contar uma novidade. E também sobre como anda a profissão de modelo. O mercado negro da moda. Na Europa, Estados Unidos e oriente.

Ela: Amando o Brasil. Eles só pensam em copa do mundo e jogos olímpicos. Nas medalhas de ouro. Daí ela disse depois de me mostrar umas fotografias e uns ensaios. Preciso te contar uma coisa. Eu brinquei logo: Você também ama as mulheres né? Ela riu. Não respondeu. Mulher chique nunca se explica. Nunca dá barraco. Fofoca não nos interessa. Como está o trabalho? Já ganhou um prêmio esse ano? Fale bem de você um pouco.  Deixa-me ficar babando por você, gata.

E a música era: Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar rir pra não chorar.

Foto + Portfólio: Lays Xavier

LOL

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“Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia na rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural – se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como minha possibilidade de paz – a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.” (Caio Fernando Abreu)

Não sei. Depois que você disse que me amava… Por que você diz isso todos os dias? Agora tudo é bom. O Sol é bom, a chuva, o aroma do chá, esse tempo gostoso, esse moletom envelhecido, as pessoas putas com tudo, a merda do cachorro da vizinha que eu vivo pisando. Tudo é lindo. E eu estava fingindo que lia aquele livro de moda e te observava dormir com os três travesseiros de sempre. Você abraçando todos os travesseiros com os braços e pernas. De cueca boxer e camiseta branca na sua pele escura. Por que os negros nunca sentem frio? E você acordou abrindo os olhos devagar. A gente se olhou e você riu. E meu coração fez festa.

Por quê? E agora eu vivo a vida que eu sempre imaginei. Dizem que aos trinta e poucos a gente colhe o que plantou depois de sofrer tanto. Hoje tenho amor, tenho amigos, poucos, contudo tenho amigos, tenho saúde (saúde mental mais ou menos, mas todo mundo é um pouco louco nessa vida), o que comer e beber, eu tenho vontade de gritar, de dançar, de sorrir, de respirar fundo, eu tenho paciência e… A vontade que eu mais tenho: Incluo a de querer te agradecer por me fazer feliz todos os dias a ponto de contagiar as pessoas da Vila Isabel. E você acordou abrindo os olhos devagar. A gente se olhou e você riu. Meu diamante precioso, minha sorte da loteria.

Sim. Sei sim. Depois que você sorriu, tive certeza que colhemos o que plantamos. Plantei o bem, plantei bondade, confiei no amor. Usei toda minha energia e persistência. Se não gostei do que vi, mudei a direção. Mudei minha maneira de olhar. Todos os dias, faça chuva ou sol é um bom dia. Todas as noites com lua, estrelas, nuvens ou temporal é uma noite inspiradora.

Não importa quem você seja. Não importa o que você faz. Você possui o poder para mudar o que for. Você só pode tornar-se genuinamente realizado em algo que você ama. Mude. Mude para melhor. Não tenha medo. O medo não pode te alcançar. Não beba do veneno dos covardes. E maldade não te atingirá. Se quiser amor, comporte-se como alguém que ama e é amado.  E você acordou e sorriu para mim dizendo baixo educadamente “bom dia riqueza”. E eu, que sou mais alma que corpo, passei o dia todo, a semana toda, o mês todo nesse quá, quá, quá, quá, quá contagiante.

Foto: #salieu jalloh #men #model

Dez coisas que emputecem você

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 “Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol”.

(Vladimir Maiakóvski)

Terça-feira calor do caralho. Inverno nunca chega nessa merda. Corpo queimando e nem o vinho gelado e a ice no balde e a música boa da rádio, a revista adequada, toda a fofoca. Nada me segurou em casa. Coloquei a primeira bermuda safári com tecido ecológico, o primeiro casaco. O primeiro é um exagero. Escolhi o paletó oriental. Woo Yang Creation. Com ombreira e tudo. Uma onça em cada bolso. E rua. Por que a cerveja do botequim mais longe sempre parece mais gelada? Por que a música brega de lá parece mais alta? Por que as pessoas tristes dos bares parecem mais alegres que você trancado olhando a vida pelas grades da janela? O que tanto incomoda para gente ir lá e voltar bêbado sem entender porra nenhuma? O quê?

Por que tantas perguntas? Por que tanto julgamento? O defeito maior é seu. Não me aponte seu dedo sujo. Você não entende a mágica. Você não percebe a magia. O que você enxerga em mim é o que há de mais latente em você. Elogie-me uma vez ou outra. Faça-me brilhar mais uma noite, faça-me sorrir. Acorde em mim meu lado mais bonito.

E o ponto de interrogação. Isso precisa ser respondido. Porque a cerveja do botequim… Eu não estava nem aí para cerveja. Alcoólatra? Pedi um café. E eu tomei um não sei o que de açaí. Eu queria mesmo era te ver. Saber qual era o seu cheiro. Qual era o veneno. Depois eu bebi. Enchi o caneco. E foda-se. Pronto para a próxima pergunta.

***

Cheguei hoje.

Foto:  I Wanna Be Adored by Haruki Horikawa | Vogue Italia #Harry Uzoka #Haruki Horikawa